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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

 

 Conflitos da Autonomia – Primavera Marcelista (5)

 

Em entrevista de Marcelo Caetano ao «Jornal da Madeira», publicada do dia 23 de setembro de 1971, refere o momento em que foi convidado pelo Presidente da República para exercer funções de Presidente do Conselho: “Eu estava, então, completamente afastado da vida pública. Tinha uma vida profissional muito ocupada e, pelos motivos que sabe, uma vida particular preocupante. Foi com surpresa que vi o meu nome começar a ser citado quando a doença do prof. Salazar se agravou. O sr. Presidente da República reuniu o Conselho de Estado, de que era – e sou – um dos membros vitalícios, o qual, em vista do parecer dos médicos que assistiam ao doente, foi de opinião de que era preciso substituí-lo das suas funções, pois não havia esperanças  de que pudesse retomá-las. E o Chefe do Estado começou as suas consultas, meticulosamente, ouvindo sugestões, apreciando o que lhe era dito, tirando sensatamente as suas conclusões. Mais de quarenta individualidades foram ouvidas. Nunca, em qualquer país, houve certamente tanto cuidado e tanta ponderação numa escolha. E, um dia, chamou-me para me dizer que uma grande maioria esmagadora das pessoas consultadas era de opinião de que deveria ser eu o encarregado de formar Governo. Depois, tanta gente me disse que não poderia escusar-me ao convite que o aceitei. Nem pus a minha candidatura, nem me furtei ao cumprimento do meu dever”.

 

Em 28 de março de 1974, Marcelo Caetano proferiu a última «Conversa em Família» através da rádio e da televisão. A última porque vinte e oito dias depois, a revolução do 25 de Abril motivou o seu exílio no Brasil, depois de ter passado alguns dias instalado no Palácio de São Loureço no Funchal:

“Desde meados de Fevereiro até agora de todos os recantos do País, de aquém e além-mar, milhares de mensagens de apoio, de incitamento, de estímulo. Tantas que não é possível acusar aos remetentes a sua recepção. Nem sequer responder às centenas de cartas de pessoas amigas, algumas delas tão comoventes. Fica aqui o meu agradecimento a todos. Deus permita que eu seja sempre digno da confiança dos bons portugueses. Por isso me tenho esforçado.

Olhando para o trabalho realizado nos cinco anos e meio de governo, fazendo exame de consciência sobre as intenções que me têm norteado, fica-me a tranquilidade de ter sempre procurado cumprir retamente o meu dever para com o País, que o mesmo é dizer, para com o Povo Português (…) a vida em sociedade implica numa atitude de solidariedade e de colaboração que exige dádiva de si próprio, sacrifício de interesses, espírito de serviços, integração em planos coletivos. Mas o egoísmo materialista desfaz tudo isso (…) Quantas vezes as pessoas se queixam de injustiças, por não lhes ser feita a vontade! Para muitos justiça é o que lhes convém.

Estamos perante a invasão de uma mentalidade que grassa já na maior parte dos países e que, infelizmente, está longe de ser um sinal de progresso. Por este caminho progride-se sim, mas para a anarquia (…) Poucos se aperceberão do esforço titânico que tem sido realizado pelos homens do Governo para, no meio de tantos obstáculos, com serviços administrativos inadequados às circunstâncias, tendo de vencer hostilidades incontáveis e de, a cada passo, ocorrer a situações inesperadamente graves, ir prosseguindo no caminho traçado de proporcionar  ao País, com a rapidez necessária, os meios indispensáveis à valorização da nossa gente (…)” (Marcelo Caetano Depoimento, pag.240 e 241, distribuidora Record de Serviços de Imprensa, S.A., Rio de Janeiro-São Paulo. 1974).

sábado, 11 de fevereiro de 2023

 

 Conflitos da Autonomia – Primavera Marcelista (4)

 

Em dezembro de 1970, Marcelo Caetano proferiu um discurso na Assembleia Nacional, baseado

essencialmente de revisão constitucional e na política ultramarina: “Os vários movimentos chamados libertadores que nos dão combate na Guiné, em Angola e Moçambique foram formados no estrageiro, com dirigentes que o estrangeiro  sustenta e apoia e é de territórios estrangeiros que nos desferem os ataques e enviam os guerrilheiros (…) o ataque desencadeado contra Portugal pela construção de Cabora Bassa é bem significativo do carácter da guerra que nos movem (…) o apelo à tirania não pode acobertar-se decentemente com o manto da Democracia (…) na revisão actual procura-se ampliar as atribuições legislativas da Assembleia Nacional pela extensão da lista das matérias reservadas à sua competência exclusiva, mantendo-se a estrutura política da Constituição de  1933 (…) .

O Governo tem de estar, nestes casos de subversão grave, apetrechado com os poderes necessários para lhe fazer face onde quer que, de uma maneira ou outra, ela se manifeste”.

(in Diário de Notícias, Madeira, 04/12/1970).

 

O discurso de Marcelo Caetano, transcrito no Jornal da Madeira do dia 15 de fevereiro de 1971, trata de matérias  e problemas relevantes do  País, os quais merecem ser aqui referidos: “Quando se pensa uma questão, logo mais dez surgem. Umas vezes é a natureza que não ajuda, a chuva que escasseia, os pastos que não rebentam, a carne que escasseia, a energia que tem de se importar, outras vezes é a impaciência dos homens que desejam ver todas as suas aspirações satisfeitas ou todas as deficiências acumuladas ao longo dos anos supridas sem demora e quotidianamente apresentam listas de reclamações regionais ou profissionais que só por milagre ou se o Governo dispusesse de uma varinha de condão poderiam ser atendidas  com a urgência  requerida.

Vivendo num mundo onde as nações estão cada vez mais ligadas umas às outras e solidárias entre si, não podemos evitar os reflexos na nossa vida do que se passa nas casas alheias: o problema dos preços, por exemplo, é hoje universal, e não há governo europeu que neste momento não esteja preocupado  com as exigências dos países  produtores de petróleo, do petróleo bruto donde, como se sabe se extraem a gasolina, o gasóleo e o fuel (…) A Nação tem vencido nos tempos modernos gigantescos obstáculos e realizado cometimentos em todos os campos que são de molde  a inspirar-nos fé na nossa capacidade presente e mais firme esperança do êxito no futuro (…) e não é tanto o dinheiro que, embora não nademos na abundância dele: É gente para dar conta de tanta coisa a fazer ao mesmo tempo. Não há engenheiros que cheguem para projectar obras, não há operários que bastam para os executar, não há médicos nem enfermeiros suficientes para as necessidades rurais (…) a reforma administrativa está a andar, vai ganhando terreno todos os dias, e progredirá cada vez mais à medida que a mentalidade dos dirigentes se vá impregnando do seu espírito e que seja possível estudar o que convém em cada serviço e para cada lugar (…).

Uma das preocupações do Governo é a de facultar, ampla e livremente, o acesso de quantos o mereçam aos mais altos graus da cultura e do saber (…) as palavras que o País me tem escutado sobre o valor e a defesa do Ultramar Português, o modo como afincadamente me tenho devotado a continuar a defesa militar, políticas e diplomática  da integridade da Nação, trudo isso seria suficiente para afastar da mente das pessoas de boa fé qualquer dúvida acerca das minhas intenções (…)”.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

 

Conflitos da Autonomia – Primavera Marcelista (3)

 

A iniciativa de Marcelo Caetano de deixar a política ativa, informando Oliveira Salazar, este, no mesmo dia, 14 de agosto de 1958, respondeu a agradecer os préstimos de Marcelo Caetano, informando que: “de todos os desgostos que tivera nos últimos anos, ver-se privado da companhia e colaboração de Marcelo Caetano era o maior. Mas encerrava reafirmando a intenção de ver Caetano continuar, de alguma forma, a colaborar com o Estado Novo: «Espero que, feito o necessário repouso, continue a dar ao regime  que tanto lhe deve a colaboração que será sempre possível prestar a quem dispõe de tantos dotes». A última carta entre ambos, ainda do quadro de episódio da demissão de Marcelo Caetano foi aquela em que este lhe agradeceu os elogios que Oliveira Salazar lhe fez aquando da posse de Pedro Teotónio Pereira como novo ministro da Presidência.

Em Agosto de 1959 o governo procedeu a uma revisão constitucional com o objectivo de reduzir o colégio eleitoral para a Presidência da República. A eleição do Presidente ficava doravante restrita a procuradores, deputados e representantes das câmaras municipais de cada distrito, além dos representantes das províncias ultramarinas (…) Em 1966, Marcelo Caetano foi chamado para escrever um texto a respeito dos jornais «A Época» e «A Voz», este último sucessor do primeiro a seguir à sua proibição pelo regime republicano. Trata-se, como se vê, de um texto memorialístico a respeito de temas marcantes para a sua juventude. Lembra no texto que a década de 1920 foi um período de tomada de posições, de moções apaixonadas, de alianças e rupturas efémeras, típico das paixões da época. Para os católicos portugueses aquela era uma época difícil, de perseguições constantes impostas pelo regime de 1910.

Assim, os jornais referidos militavam no campo da resistência e da defesa da causa católica (…) Para o Dr. Salazar era indispensável que os católicos levassem a sua actividade ao terreno político, pois só através do exercício do Poder, ou da influência nele, poderiam obter as liberdades almejadas (…).

Desde o início do seu governo, Marcelo Caetano procurou adoptar medidas de impacto que demonstrassem, na prática, a ideia de uma nova marca. Mesmo que fosse mais na forma do que no conteúdo. Uma das mudanças foi a utilização dos meios disponíveis de difusão. A rádio e a televisão eram, pois, os meios mais fáceis para chegar aos Portugueses, do Minho ao Algarve, do Funchal a Ponta Delgada. Da mesma forma que foi o primeiro político a falar para todo o país pela televisão, quando ministro da Presidência, Marcelo Caetano passou a utilizar a rádio e a televisão semanalmente”. (In Marcelo Caetano Uma Biografia, 1906-1980, Francisco C. P Martinho).

 

A 7 de novembro de 1973, Marcelo Caetano, presidente do Conselho de Ministros, remodelou o seu Governo “entregando, pela primeira vez, a pasta da Defesa a um civil, Joaquim Silva Cunha, ministro do Ultramar desde 1965, é o novo Ministro. Para o Ultramar, o eixo desta última remodelação política, Caetano chama um firme adepto da rota autonómica para as colónias, ministro e ex-governador de Moçambique, Baltazar Rebelo de Sousa.

O outro eixo da remodelação, e onde a questão ultramarina é ainda central, é a área militar. O general Andrade e Silva é escolhido para novo ministro do Exército.

O regime herdado de Salazar oscilava entre a liberalização e conservadorismo, entre Caetano e um homem que personifique um outro caminho. (Diário de Notícias-Lisboa, 07/11/1998).

domingo, 29 de janeiro de 2023

 

Conflitos da Autonomia – Primavera Marcelista (2)

 

“Em Setembro de 1944 as crises interna e externa misturavam-se de modo a tornar pouco nítido qual delas era  a mais grave. O problema externo, a curto e médio prazo, consistia na maior ou menor capacidade de permanência  do regime num quadro de vitória das forças democráticas e ocidentais. Internamente, as dificuldades provocadas pelo conflito, sobretudo no que dizia respeito ao abastecimento, à descida dos salários e ao aumento dos preços, geravam um clima de insatisfação bastante significativo. A oposição, parcialmente consentida, alastrava aos bairros operários dos grandes centros urbanos e ao latifúndio alentejano. Foi nestas circunstâncias difíceis que Oliveira Salazar optou por uma remodelação ministerial. De entre os novos personagens que passaram a compor o Executivo destacavam-se as figuras de Júlio Botelho Moniz, indicado para ministro do Interior, Fernando dos Santos Costa para ministro da Guerra e, por fim, Marcelo Caetano para Ministro das Colónias. De certo modo, correspondia à proposta apresentada pelo então comissário nacional da MP de remodelação do quadro governativo (…) A indicação de Caetano para as Colónias indicava que, pelo menos na esfera privada, o presidente do Conselho estava disposto a ouvir críticas e sugestões contrárias à condução da política ultramarina adoptada até àquele momento. A conduta de gestão de Caetano no Ministério incentivava uma certa margem de autonomia dos seus subordinados, desde que por autonomia não se entendesse insubordinação ou ruptura com os preceitos do regime.

Caetano criticava, por exemplo, a eventualidade da demissão do então governador de Moçambique, José Tristão de Bettencourt. (…).

No dia 7 de Julho de 1955, Marcelo Caetano era empossado como o novo ministro da Presidência em substituição de João Pinto da Costa Leite, conde de Lumbrales. A decisão de Oliveira Salazar de convidar Marcelo Caetano para o Ministério da Presidência evidencia a sua firme perspectiva e decisão de manter o seu mais crítico e duro aliado por perto. O Presidente do Conselho acreditava que manter Caetano à distância constituía um sério risco de criar um campo político. O fenómeno Humberto Delgado também teve repercussões na imprensa e na comunidade política internacionais. E grupos oposicionistas tomaram consciência do aumento da opinião contrária ao regime (…).

 

Livre de Craveiro Lopes e garantida a eleição de Américo Thomaz, Salazar ficou à vontade para realizar uma reforma ministerial, em Agosto de 1958, na sequência da qual pôde afastar o sempre incómodo Marcelo Caetano. O lugar de Caetano foi ocupado pelo seu amigo, Pedro Teotónio Pereira. A fim de manter o equilíbrio entre conservadores  modernizadores no regime, Santos Costa também foi deposto e substituído pelo general Júlio Botelho Moniz (…) No dia 14 de Agosto Marcelo Caetano enviou uma carta a Salazar a despedir-se dos cargos que ocupava e a reafirmar a sua fidelidade para com o presidente do Conselho, (…) pela primeira vez, afirmou que saía definitivamente da vida pública: Ao encerrar-se a minha vida política venho agradecer a V.ª Exª tantos favores e atenções de que, ao longo de quase 30 anos, lhe sou devedor. Nunca os esquecerei e recordarei sempre com orgulho a colaboração que tive a honra de lhe prestar. Considero-me a partir desse momento exonerado da Comissão Central da União Nacional; quanto ao Conselho de Estado, tratarei do assunto com o Senhor Presidente da República (…)”. (In Marcelo Caetano Uma Biografia, 1906-1980, Francisco C. P Martinho).

 

Conflitos da Autonomia – Primavera Marcelista (1)

 

Com a doença acentuada de Salazar e consequente exoneração do cargo de Presidente do Conselho no dia 27 de setembro de 1968, foi escolhido como seu substituto o Prof, Marcelo Caetano. Nascido em Lisboa no dia 17 de agosto de 1906, veio a falecer a 26 de outubro de 1980 na situação de exilado no Brasil. Na sequência da morte de Marcelo Caetano, “Marcelo Rebelo de Sousa evoca no seu depoimento a lembrança do professor de Direito Constitucional. Ao mesmo tempo recorda-se das relações e proximidades familiares. Caetano foi padrinho de casamento do pai de Marcelo, Baltazar Rebelo de Sousa governador de Moçambique entre 1968 e 1970. E também esteve para ser padrinho de baptismo de Marcelo. Entretanto, apesar da amizade e das relações familiares, Rebelo de Sousa afirma que, entre 1971 e 1973, assim como Freitas do Amaral, afastou-se de Caetano devido a divergências políticas (…) a sua inicial militância católica com evidente sentido social e comunitário, de carácter neotomista. Cita, como exemplo, a Conferência de São Vicente de Paulo, ministrada por Caetano em Março de 1928 (…) faz uma homenagem ao político. Enaltece o doutrinador da Mocidade Portuguesa num sentido anglófilo (…)”. (in «MARCELO CAETANO UMA BIOGRAFIA 1906-1980» Francisco Carlos Palomanes Martinho, Rio de Janeiro, ed. FGV 2010).

 

O referido autor refere na página 106: “O primeiro texto de Marcelo Caetano publicado na Ordem Nova intitula-se «A falência do Senhor dos Passos» e refere-se à procissão da Quaresma, evento tradicional no bairro onde viveu a maior parte da sua juventude, o bairro dos Anjos. No seu texto lamenta a banalização do ritual e o seu aburguesamento. Para ele, tratava-se de uma cerimónia morta desde «o embarque do Sr. D. Manuel na Ericeira», ou seja, desde o exílio do último e desafortunado representante dos Bragança, em 1910. Caetano escreve: «Uma alma que, levada pela sêde do Divino, peregrina do Absoluto, quisesse aí descansar o seu caminho doloroso, não encontraria no meio desses burgueses nenhuma paz…» E arremata afirmando a necessidade de um novo renascimento. De Cristo, entenda-se. «Não nos chega, a nós, almas cristãs do século XX, a exibição do caiado sepulcro de Jesus: quem nós hoje queremos é Cristo vivo no meio de nós, a sua palavra sem plágios do Pe António Vieira, nem retórica de mau gosto». Assim, ao que parece, do ponto de vista ortodoxo do jovem Caetano os Sermões daquele sacerdote que um dia se viu obrigado a explicar-se perante o Tribunal do Santo Ofício talvez fossem demasiado sofistas, superficiais e destituídos de sentido.”

 

E na página 203, refere: “No dia 6 de setembro de 1944, Marcelo Caetano era nomeado, em substituição do interino Francisco José Caeiro, ministro das Colónias. Permaneceu neste cargo até ao dia 4 de Fevereiro de 1947. Portanto, durante dois anos e cinco meses Caetano ocuparia pela primeira vez um cargo de primeiro escalão no regime do Estado Novo. É possível afirmar que a gestão de Marcelo Caetano na pasta das Colónias foi determinante para o resto da sua vida. Não só porque foi a primeira participação num argo de grande importância e visibilidade nacional. Mais do que isso, a conjuntura de guerra e a necessidade de arregimentar argumentos em defesa  do Ultramar, em parte relativizaram o autonomismo defendido com tanto vigor na década de 1930. É verdade que Marcelo Caetano voltou a falar em autonomia. Mas o processo viria acompanhado de tantas contingências que, no mínimo, se pode dizer que não se tratava de uma tarefa para a sua geração e nem mesmo para as gerações seguintes”.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

 

Conflitos da Autonomia – Mocidade Portuguesa (2)

 

“O segundo comissário nacional foi Marcello Caetano, de 1940 a 1944. Fiel à política portuguesa de neutralidade no conflito mundial, procedeu a grandes reformas que afastaram a MP do modelo inicial militarista, aproximando-a da Igreja Católica e de outras organizações de juventude como os escuteiros. A sua acção marcou de maneira significativa a orientação da organização por muito tempo.

Marcello Caetano foi substituído interinamente por José Porto Soares Franco, antigo secretário-inspector da Mocidade Portuguesa, até à nomeação de Luís Pinto Coelho, um professor universitário de Direito e também antigo secretário-inspector da MP, que ocupou o cargo de 1946 a 1951. Este dirigiu a organização de modo a adaptá-la às realidades do pós-guerra e de melhor a coordenar com as actividades circum-escolares.

Seguiram-se António Augusto Gonçalves Rodrigues, um catedrático de Letras, e Baltasar Rebelo de Sousa, que ocupou interinamente o cargo, desde 1956, enquanto subsecretário de Estado da Educação Nacional. Neste período Rebelo de Sousa procurou reanimar a organização e implantá-la nos territórios africanos.

Desde 1960, foram comissários nacionais, o general Raul Pereira de Castro, substituído interinamente por Leopoldino de Almeida, em 1961 o tenente-coronel Carlos Gomes Bessa, a partir de 1965 o arquitecto Melo Raposo, sucedido pelo tenente-coronel Fonseca Dores e, por último, desde 1971 (ano em que a filiação na MP se tornou voluntária), o engenheiro Manuel da Silva Lourenço Antunes, até 25 de abril de 1974.

As reorganizações

 

Parque Florestal de Monsanto 1938:

Pelo Decreto-Lei n.º 47 311, de 12 de novembro de 1966, o Governo procedeu à reorganização da Mocidade Portuguesa, no que foi então denominada uma «actualização (…) no intuito de renovar a Organização, de a adaptar melhor às circunstâncias dos tempos presentes e lhe permitir, assim rejuvenescida, servir cada vez melhor o alto ideal da formação da juventude à luz dos imperecíveis princípios e valores da civilização cristã, que sempre têm presidido, e continuarão a presidir, aos destinos de Portugal.»

Em 1971, através do Decreto-Lei n.º 446/71, de 25 de outubro, foi criado o Secretariado para a Juventude do Ministério da Educação Nacional que assumiu a função de organismo de execução da política de juventude do Governo, sendo-lhe atribuídas a maioria das competências até aí a cargo da Mocidade Portuguesa e da Mocidade Portuguesa Feminina, prevendo-se inclusive que transitassem para aquele Secretariado os bens destas que fossem necessários para o seu funcionamento. Paralelamente e através do Decreto-Lei n.º 486/71, de 8 de novembro, a Mocidade Portuguesa e a Mocidade Portuguesa Feminina foram transformadas em simples associações nacionais de juventude, passando a ter um carácter não obrigatório.

Esta remodelação conduziu a uma diminuição acentuada da importância destas organizações do Estado Novo.

Em 25 de abril de 1974, a Junta de Salvação Nacional procedeu à sua extinção imediata através do Decreto-Lei n.º 171/74, da mesma data. Os arquivos das duas organizações estão depositados na Secretaria-Geral do Ministério da Educação e Ciência, e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo[25] onde podem ser consultados”.(Wikipedia livre).

 

Curiosidade: muitos jovens faziam lengalengas com o “S” da fivela do cinto do uniforme:

- “Sou soldado socialista sem Salazar saber.

- Se Salazar soubesse, seria sério sarilho”

 

Conflitos da Autonomia – Mocidade Portuguesa (1)

 

“A Organização Nacional Mocidade Portuguesa foi criada pelo Decreto-Lei n.º 26 611, de 19 de maio de 1936, em cumprimento do disposto na Base XI da Lei n.º 1941, de 19 de abril de 1936.

Pretendia abranger toda a juventude, escolar ou não, e destinava-se a «estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina e no culto do dever militar.».

O seu Regulamento foi aprovado em 4 de Dezembro de 1936, pelo Decreto n.º 27 301.]

A ela deveriam pertencer, obrigatoriamente, os jovens dos sete aos catorze anos. Os seus membros encontravam-se divididos por quatro escalões etários:

•Lusitos, dos 7 aos 10 anos;

•Infantes, dos 10 aos 14 anos;

•Vanguardistas, dos 14 aos 17 anos;

•Cadetes, dos 17 aos 25 anos.

 

O hino e os uniformes

A Mocidade Portuguesa estava dotada de um hino.

O seu primeiro plano de uniformes foi aprovado pelo Decreto n.º 27 301, de 4 de dezembro de 1936. Este plano foi substituído, cerca de um ano depois, pelo que foi aprovado pelo Decreto n.º 28 410, de 7 de janeiro de 1938.

 

A Mocidade Portuguesa Feminina:

 Emblema da Mocidade Portuguesa Feminina (baseado nas armas de D. João I colocadas numa lisonja, forma tradicional dos escudos femininos na heráldica portuguesa).

Através do Decreto-Lei n.º 28 262, de 8 de dezembro de 1937, foi aprovado o regulamento da Mocidade Portuguesa Feminina (MPF) MH IP, definida como «secção feminina da organização nacional Mocidade Portuguesa (M.P.F.) a cargo da Obra das Mães pela Educação Nacional (O.M.E.N.)». Por esse motivo, a Condessa de Rilvas, dirigente máxima da O.M.E.N., tornar-se-ia também na primeira dirigente da Mocidade Portuguesa Feminina.

De acordo com o texto deste diploma, esta organização «cultivará nas filiadas a previdência, o trabalho colectivo, o gosto da vida doméstica e as várias formas do espírito social próprias do sexo, orientando para o cabal desempenho da missão da mulher na família, no meio a que pertence e na vida do Estado».

Entre 1939 e 1947 o Comissariado Nacional da Mocidade Portuguesa dirigiu a publicação mensal Mocidade Portuguesa Feminina: boletim mensal.

A 6 de Julho de 1966 foi feita Membro-Honorário da Ordem da Instrução Pública.

 

A extensão às colónias:

 Um grupo de aspirantes da Mocidade Portuguesa em Timor Português

Pelo Decreto n.º 29 453, de 17 de fevereiro de 1939, a Organização foi alargada «à Mocidade Portuguesa das colónias, de origem europeia, e à juventude indígena assimilada» a quem é «dada (…) uma organização nacional e pré-militar que estimule a sua devoção à Pátria, o desenvolvimento integral da sua capacidade física e a formação de carácter, e que, incutindo-lhes o sentimento da ordem, o gosto pela disciplina e o culto do dever militar, as coloque em condições de concorrer eficazmente para a defesa da Nação.»

 

Os comissários nacionais:

A Mocidade Portuguesa tinha no topo da hierarquia um comissário nacional, nomeado pelo ministro da Educação Nacional.

O primeiro comissário nacional a dirigir a Mocidade Portuguesa foi Francisco José Nobre Guedes, de 1936 a 1940. Simpatizante do III Reich, procurou criar uma organização de juventude nacional inspirada no modelo alemão da Juventude Hitleriana”.

(Vikipedia Livre)

 

 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

 

Conflitos da Autonomia – Legião Portuguesa (3)

“No âmbito da defesa civil, a milícia da LP continua a ser encarregue de vigiar as instalações sensíveis que pudessem vir a ser alvo de sabotagem. A orgânica da LP previa que a organização e a actividade desta se estendesse a todo o Território Português, inclusive ao Ultramar. Em cada província ultramarina existiria uma junta provincial da LP — com organização e competência ajustadas às características peculiares de cada província — e um comando próprio subordinado ao Comando-Geral. No entanto, a organização da LP no Ultramar acabou por nunca se efectivar. Com a necessidade de autodefesa das populações decorrentes do começo da Guerra do Ultramar, acabaram por ser criadas em Angola e outras províncias ultramarinas, organizações de voluntários que se transformariam com funções quase idênticas às que a LP desempenhava na Metrópole.

No campo político, os membros da LP são parte activa no apoio à União Nacional (UN) e aos candidatos por ela apoiados nas diversas eleições. Cabe também a elementos da LP a protecção das sedes da UN e a segurança pessoal de alguns dos seus dirigentes. As forças legionárias também são ocasionalmente empregues na dispersão de manifestações não autorizadas e no fecho de organizações tidas como subversivas, colaborando com a Polícia de Segurança Pública e com a Guarda Nacional Republicana. Estas actividades são desenvolvidas essencialmente pela Força Automóvel de Choque e, posteriormente, pelo Grupo de Intervenção Imediata, as únicas unidades de milícia da LP que mantêm ainda uma capacidade operacional relevante. No campo da recolha de informação de segurança, a LP actua, através do seu Serviço de Informações, colaborando com a Polícia Internacional e de Defesa do Estado.

Quando ocorre o 25 de Abril de 1974, existem cerca de 80 000 legionários inscritos, mas destes apenas uma pequena parte desempenha funções activas na milícia legionária. A Legião Portuguesa é extinta no próprio dia 25 de Abril, através do Decreto-Lei n.º 171/74.

Podiam pertencer à LP todos os Portugueses, com mais de 18 anos de idade que tomassem, sob juramento, o compromisso de servir a Nação de harmonia com os intuitos do movimento gerador da Legião. A admissão à LP era permitida apenas aos homens.

Os membros da LP dividiam-se em três escalões:

-Escalão das Actividade Militares — incluía os legionários com idades entre os 18 e os 45 anos. Em casos excepcionais podia integrar legionários de idade superior;

-Escalão Privativo da DCT — integrava os legionários com idade superior a 45 anos, os de menor idade que tivessem sido autorizados a passar a este escalão e, a título provisório, os legionários especializados em DCT ainda que pertencessem ao 1º Escalão;

-Escalão de Serviços Moderados — integrava os legionários com idade superior a 60 anos que tivessem solicitado e sido autorizados a passar a este escalão e os legionários com idade superior a 50 anos que tivessem sido autorizados a ingressar directamente neste escalão.

O juramento dos membros do movimento nacional legionário era o Compromisso do Legionário que consistia no seguinte:

«Como legionário, juro obediência aos meus chefes na defesa da Pátria e da ordem social
e afirmo solenemente pela minha honra que tudo sacrificarei, incluindo a própria vida, se tanto for necessário ao serviço da Nação, do seu património espiritual, da moral cristã e da liberdade da terra portuguesa»”. Além dos legionários, existiam os subscritores que, não sendo membros da LP, contribuíam para o seu financiamento”. (Wikipedia).

sábado, 10 de dezembro de 2022

 

Conflitos da Autonomia – Legião Portuguesa (2)

“Além das forças distritais da Legião Portuguesa (LP), estava prevista a existência de forças e serviços autónomos legionários que ficariam na directa dependência do Comando-Geral da LP. Os primeiros destes a serem criados foram o Serviço de Informações e a Brigada dos Correios e Telégrafos, ainda em 1936. Seguir-se-iam, em 1937, a Brigada Naval e a Brigada Automóvel — que incluía as forças motorizadas legionárias independentes. Seria também criado, na dependência da Junta Central, o Serviços de Acção Política e Social.

Durante a Guerra Civil Espanhola, a LP apoia os milhares de voluntários portugueses, os viriatos, muitos deles membros da LP — que combatem ao lado dos Nacionalistas, incluindo-se neles o próprio Jorge Botelho Moniz. Alguns «viriatos» manter-se-iam ao serviço da Legião Estrangeira Espanhola e ainda viriam a combater na Frente Russa, durante a Segunda Guerra Mundial, integrados na Divisão Azul. Em 1939, ano que acaba a Guerra Civil Espanhola e começa a Segunda Guerra Mundial, a LP atinge o seu auge registando cerca de 53 000 membros espalhados por todos os distritos do Continente e ilhas.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, a LP é a única organização portuguesa que apoia abertamente as Potências do Eixo, contrariando a posição do governo de Salazar que havia declarado a neutralidade e cujas posições iriam tender cada vez mais para o apoio aos Aliados. As posições de forte apoio à Alemanha por parte da LP — defendendo a entrada de Portugal na guerra ao lado do Eixo — iriam mesmo causar alguns inconvenientes à política diplomática do Estado Novo, prejudicando ocasionalmente a relação entre este e os Aliados.

Entretanto, a LP mantém uma relação pouco pacífica com a Mocidade Portuguesa (MP). Os principais pontos de discórdia são o facto da MP não obrigar os seus filiados a saudar os graduados da LP e o facto da Mocidade também manter uma milícia composta por filiados de idade superior a 17 anos. As divergências acabaram por ser mitigadas através da intervenção de Marcello Caetano (Comissário Nacional da MP entre 1940 e 1944) e de Humberto Delgado (simultaneamente dirigente da LP e da MP). Segundo o acordo obtido, os membros da MP passariam a saudar os graduados da Legião e os jovens de idade superior a 21 anos só poderiam manter-se na Milícia da MP se fossem estudantes do ensino superior e nunca para além dos 26 anos.

Desde a sua criação, o Governo nunca permite uma distribuição alargada de armas e munições à LP, impedindo-a de se tornar numa força com capacidade militar relevante. Em 1942 e perante a possibilidade de uma invasão alemã de Portugal com apoio espanhol, o governo de Salazar decide organizar a Defesa Civil do Território (DCT), cuja responsabilidade é atribuída à LP. Junto à LP passa a funcionar o Comando da DCT, cujo comandante é o próprio comandante-geral da Legião. A partir de então, a defesa civil irá passar a constituir a principal função da LP até à sua extinção em 1974.

Depois do final da Segunda Guerra Mundial e, sobretudo, a partir da entrada de Portugal na OTAN, as funções de defesa civil da Legião Portuguesa ocupam um espaço cada vez mais importante no seio desta. Com o início da Guerra Fria, a Organização Nacional da Defesa Civil do Território funcionando agregada à LP ocupa-se da instrução e doutrinação da população civil para a defesa civil, incluindo a preparação de medidas de defesa passiva contra eventuais ataques nucleares (...) (Wikipedia)

sábado, 3 de dezembro de 2022

 Conflitos da Autonomia – Legião Portuguesa (1)

A Legião Portuguesa (LP) era um organismo do Estado, de serviço público, normalmente dependente do Ministério do Interior. A sua missão era fomentar a resistência moral da Nação e cooperar na sua defesa. Em caso de guerra ou de emergência grave poderia passar para a dependência do ministro da Defesa Nacional.

Foi criada pelo Decreto-Lei n.º 27 058, de 30 de setembro de 1936, com o objetivo de "defender o património espiritual da Nação e combater a ameaça comunista e o anarquismo". A partir da década de 1940 a LP passou a ser essencialmente uma organização de defesa civil

 “Podiam pertencer à LP os portugueses, de ambos os sexos, com mais de 18 anos de idade que tomassem, sob juramento, o compromisso de servir a Nação de harmonia com os intuitos do movimento gerador da organização. Os membros da LP formavam o movimento nacional legionário.

No início do Estado Novo, os membros de antigos movimentos considerados mais radicais como o Integralismo Lusitano, o Movimento Nacional-Sindicalista, a Cruzada Nacional Nuno Álvares Pereira e a Liga 28 de Maio, propuseram a criação de uma milícia popular, inspirada em organizações como a SA (camisas castanhas) alemã ou a MVSN (camisas negras) italianaSalazar opôs-se à criação de uma organização desse tipo porque nunca sentiu que o Estado Novo tivesse necessidade de se apoiar numa milícia para se afirmar, ao contrário do que tinha acontecido com os Nazis na Alemanha e Fascistas em Itália, cujas milícias tinham sido determinantes para a sua chegada ao poder.

Perante a necessidade de canalizar os ânimos daqueles elementos mais radicais e ainda perante a ameaça que constituía para o país o início da Guerra Civil Espanhola e a hostilidade de alguns movimentos políticos espanhóis que pretendiam incorporar Portugal numa futura União Soviética Ibérica, sob proposta do major Jorge Botelho Moniz, o governo de Salazar decide a criação da Legião Portuguesa. A LP não seria uma milícia partidária como a SA ou a MVSN, mas sim um organismo do Estado, dependente dos ministérios do Interior e da Guerra.

A orgânica estabelecida para a LP determinava que a mesma fosse superiormente dirigida por uma junta central, cujos membros — nomeados pelo Governo — deveriam ser "pessoas de formação e espírito nacionalista". A Junta Central incluía o presidente, o comandante-geral da LP e mais quatro membros. O órgão superior de execução seria o Comando-Geral, do qual estariam dependentes os comandos distritais e as forças da LP. A primeira junta central foi presidida por Pinto Leite (Lumbrales) e o primeiro comandante-geral foi Namorado de Aguiar. Viriam a fazer parte da Junta Central, do Comando-Geral e de outros órgãos superiores da LP, pessoas que se iriam mais tarde notabilizar politicamente como   Henrique TenreiroHumberto DelgadoAntónio de Spínola ou Júlio Evangelista.

As forças da LP, dependentes dos diversos comandos distritais, formariam batalhões, terços — equivalentes a companhia — lanças — equivalentes a pelotão — secções e quinas de cinco legionários — equivalentes a esquadra. As designações "terço" e "lança" deverão ter-se baseado nas de tipos de unidades da antiga organização militar portuguesa. O terço era a unidade correspondente ao regimento no Exército Português dos séculos XVI e XVII. Já a lança era uma unidade do exército medieval que incluía um cavaleiro e os seus auxiliares a cavalo (escudeiropajem e dois besteiros ou arqueiros). Já "quina" é a designação tradicional de cada um dos cinco escudetes das Armas de Portugal”.  (Wikipedia

sábado, 26 de novembro de 2022

 Conflitos da Autonomia – Polícia Política (E)

 

A PIDE-Polícia Internacional e de Defesa do Estado era uma polícia iminentemente política. Prendeu e mandou executar um sem número de pessoas que se opunham ao regime ditatorial do Estado Novo, ultrapassando assim as funções de simples segurança do Estado. A sua presença, algumas vezes camuflada, estendeu-se a todos os espaços da metrópole, das ilhas e do ultramar. Estarem três pessoas, numa qualquer rua, a conversar poderia ser motivo de suspeita por parte da PIDE e dos seus agentes informadores. Tudo indicava que estes “bufos” estavam em quase todas as estruturas e serviços. A conotação negativa da PIDE era de tal ordem que o Prof. Marcelo Caetano, uma vez Presidente do Conselho, mudou-lhe o nome para DGS-Direcção Geral de Segurança, pelo Decreto-Lei nº 49.401, de 24 de novembro de 1969. Mas foi apenas o nome que mudou! A estrutura e as funções mantiveram-se tal como Salazar as tinha deixado.

 

Com o «25 de Abril de 1974», o Programa do Movimento das Forças Armadas previu “A extinção imediata da DGS”, acrescentando ainda a “Legião Portuguesa e organizações políticas da juventude”. Previa ainda, na alínea c) do nº 2 da Medidas Imediatas: “No ultramar a DGS será reestruturada e saneada, organizando-se como Polícia de Informação Militar enquanto as operações militares o exigirem”. 

No dia 25 de Abril de 1974, a DGS foi extinta pelo Decreto-Lei nº 171/74. A investigação dos “crimes contra a segurança interior e exterior do Estado” passou para a competência da Polícia Judiciária.  Para a Guarda Fiscal ficaram as atribuições de “vigiar e fiscalizar as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas”.

Na dependência e à custódia das Forças Armadas ficou todo o equipamento pertencente à DGS: “material mecânico, veículos, armamento e munições, mobiliário, livros, papéis de escrituração, documentos e demais elementos”.

 

As instalações da PIDE/DGS no Funchal foram abertas à comunicação social no dia 29 de maio de 1974. Esse acontecimento teve relevância política não só por ter sido possível a quem lá entrou consultar os arquivos, como até pelo facto de, posteriormente, o seu equipamento, constituído por mobiliário e máquinas de escrever ter sido distribuído pelos partidos políticos com delegações nesta Região que pretendessem usá-los.

O Brigadeiro Carlos Azeredo deu a ordem. Alguns partidos assim o fizeram: secretárias e máquinas de escrever faziam falta para as imensas tarefas que estes iriam empreender. Até porque as estruturas partidárias partiram do nada em relação a equipamentos. Daí não faltar à verdade se considerar que o primeiro equipamento utilizado por alguns partidos foi o mesmo que, durante muitos anos, os PIDES usaram na sua ação persecutória, nas inscrições e averbamentos em fichas onde descreveram a atividade política das pessoas que não estavam claramente do lado do regime deposto.

 A Legião Portuguesa era um organismo do Estado, normalmente dependente do Ministério do Interior. Em caso de guerra ou de emergência grave poderia passar para a dependência do ministro da Defesa Nacional. Criada em 1936 com o objetivo de "defender o património espiritual da Nação e combater a ameaça comunista e o anarquismo". A partir da década de 1940 a LP passou a ser essencialmente uma organização de defesa civil. Podiam pertencer à LP os portugueses, de ambos os sexos, com mais de 18 anos de idade que tomassem, sob juramento, o compromisso de servir a Nação de harmonia com os intuitos do movimento gerador da organização. Os membros da LP formavam o movimento nacional legionário

sábado, 19 de novembro de 2022

 

Conflitos da Autonomia – Polícia Política (D)

 

“De uma maneira geral os Arquivos da PIDE/DGS reflectem a estrutura orgânico-funcional dos serviços de origem. Algumas séries documentais apresentam uma continuidade, não obstante as alterações orgânicas verificadas. A centralização da informação era feita ao nível dos registos de correspondência e dos ficheiros de referência comuns a todos os serviços, embora existam também ficheiros de referência para serviços específicos.

O Arquivo da PIDE/DGS está à consulta no IAN/TT desde o dia 26 de Abril de 1994, obedecendo o respectivo regime de comunicabilidade ao disposto no artigo nº 17, do Decreto-Lei nº16, de 23 de Janeiro de 1993. Estas restrições legais significam que "não são comunicáveis os documentos que contenham dados pessoais de carácter judicial, policial ou clínico, bem como os que contenham dados pessoais que não sejam públicos, ou de qualquer índole que possa afectar a segurança das pessoas, a sua honra ou a intimidade da sua vida privada e familiar e a sua própria imagem, salvo se os dados pessoais puderem ser expurgados do documento que os contém sem perigo de fácil identificação, se houver consentimento unânime dos titulares dos interesses legítimos a salvaguardar ou desde que decorridos 50 anos sobre a data da morte da pessoa a que respeitam os documentos ou, não sendo esta data conhecida, decorridos 75 anos sobre a data dos documentos.

Os dados sensíveis respeitantes a pessoas colectivas, como tal definidos por lei, gozam de protecção prevista no número anterior, sendo comunicáveis decorridos 50 anos sobre a data da extinção da pessoa colectiva, caso a lei não determine prazo mais curto." Deste modo, o acesso àquela documentação não pode ser imediato, uma vez que está legalmente condicionado pela complexa operação do expurgo e pela grande afluência de pedidos. Os negativos em chapa de vidro, para além dos condicionalismos acima referido, estão também sujeitos a autorização especial e a horário restrito.

 

Os instrumentos de descrição existentes foram elaborados em momentos e circunstâncias muito diferentes. Assim, os serviços da PIDE/DGS produziram os registos de processos e os ficheiros nominativos e temáticos, o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP elaborou uma listagem e guias de remessa e o IANT/TT elaborou uma guia de remessa que acompanhou a transferência do Arquivo do Forte de Caxias para as suas instalações (L 629 a L 642).
Subsequentemente, têm vindo a produzir-se inventários preliminares, catálogos de séries dos Serviços Centrais, das Delegações e dos Postos e ainda, uma base de dados nominativa com informações de algumas séries dos Serviços Centrais, designadamente, dos boletins de informação (parte), dos cadastros, do registo geral de presos e dos processos crime (parte, até 1941).

Portugal, Torre do Tombo: Presidência do Conselho de Ministros; Arquivo Oliveira Salazar; Direcção dos Serviços de Censura; Ministério do Interior; (Legião Portuguesa;
Portugal, Arquivo Distrital de Lisboa: Tribunal da Boa Hora (processos crime dos 1º, 2º e 3º)”

Wikipedia

sábado, 12 de novembro de 2022

 

Conflitos da Autonomia – Polícia Política (C)

 A DGS - Direção Geral de Segurança foi extinta a 25 de Abril de 1974. “No entanto em Angola os serviços desta Polícia continuaram a funcionar até à independência daquele território em 1975, embora sob a designação de Polícia de Informação Militar e de Gabinete Especial de Informação, e com outras atribuições.

Com a extinção da DGS, pelo Decreto-Lei nº 171/74, de 25 de Abril de 1974, o património documental das polícias políticas e de outras instituições do Estado Novo passou a estar à guarda das Forças Armadas. A 7 de Julho de 1974, por Despacho do Comandante do Estado Maior General das Forças Armadas, regulamentado a 28 de Julho do mesmo ano, foi criado o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP -Legião Portuguesas, que manteve a custódia daquela documentação, que ficou instalada no reduto Sul do Forte de Caxias, até 17 de Janeiro de 1991. Nesta data, o Serviço de Coordenação e Extinção da PIDE/DGS e LP findou a sua acção e os Arquivos que se encontravam na sua dependência foram incorporados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Coube a esta entidade tomar as medidas necessárias para esse processo de transferência, que ficou concluído a 30 de Junho de 1992.


No Ultramar, a PIDE/DGS foi reestruturada, saneada e organizada como Polícia de Informação Militar, enquanto decorreram as operações militares. Parte da documentação da PIDE/DGS das ex-colónias portuguesas entrou em Caxias no final de1975.

 Quanto à integridade do Arquivo, são de assinalar os efeitos negativos das destruições e anulações de processos efectuadas pela própria PIDE/DGS, as destruições ou desvios ocorridos entre 1974 e 1990, e o desmembramento de algumas séries de processos, levado a cabo pelo Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e Legião Portuguesa, seguido da integração desses processos noutras séries do Arquivo da PIDE/DGS ou em séries do próprio Arquivo dos Serviços de Extinção. A 20 de Janeiro de 1997, foram entregues pelo Museu da Assembleia 144 u.i.

O Arquivo da PIDE/DGS faculta informação sobre a acção das outras polícias que as precederam, designadamente, a Polícia de Segurança do Estado, a Polícia de Informações, a Polícia Internacional Portuguesa, a Polícia de Defesa Política e Social e a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado

O acervo da PIDE/DGS é basicamente composto pelos Arquivos dos Serviços Centrais, das Delegações, designadamente, do Porto, de Coimbra, de Angola, de Cabo Verde e da Guiné Bissau, das Subdelegações, entre outras, do continente, ilhas adjacentes e ultramar.

Da documentação da Delegação de Moçambique restam apenas 21 unidades de instalação, das Subdelegações da Beira, de Nampula e de Vila Cabral. Não existe no Arquivo da PIDE/DGS documentação das Subdelegações que funcionaram em São Tomé e Príncipe e em Timor.

Integram ainda o acervo da PIDE os Arquivos da Escola Técnica e dos estabelecimentos prisionais de Caxias e do Aljube, bem como a documentação proveniente da Colónia Penal do Tarrafal, em Cabo Verde, que passou a ser designada por Campo de Trabalho de Chão Bom, a partir de 1961.

Cada um destes Arquivos é constituído, predominantemente, por ficheiros, com informação por vezes incompleta e não isenta de erros, por processos individuais de informação, de multas, de pedidos de passaporte, de informação relativos a pessoas colectivas, por processos crime, por registos de diversos actos, de que são exemplo as detenções, e por registos de correspondência expedida e recebida”. (Wikipedia – enciclopédia livre).

sábado, 5 de novembro de 2022

 

Conflitos da Autonomia – Polícia Política (B)

 

A partir de 1935, a polícia política passou a dispôr de uma rede de serviços regionais, que veio a ser ampliada em 1951 (…) constituída por Postos de Vigilância (…) ligados à Directoria da zona onde eram instalados, e Postos de Fronteira, com funções específicas de verificação e controlo das saídas e entradas no País, de nacionais ou estrangeiros.
Na falta de serviços locais da PIDE e sem prejuízo das suas competências, as suas atribuições eram exercidas pelos Comandos Distritais da Polícia de Segurança Pública. Esta foi uma situação comum nas ex-colónias portuguesas, até à criação de Delegações e Subdelegações nesses territórios. No que respeita ao Estado da Índia e a Macau, a Polícia de Segurança Pública manteve as funções que a PIDE veio a desenvolver nos outros territórios ultramarinos.

Pela revisão da orgânica dos serviços da PIDE, efectuada em 1954, aquele organismo viu alargada a sua competência ao Ultramar, com a criação das Delegações de Angola e de Moçambique, na dependência do Ministério do Ultramar, embora só tivesse passado a exercer funções efectivas nesses territórios a partir de 1957. No que respeitava aos assuntos das Subdelegações e Postos ultramarinos que não careciam de despacho ministerial, o Governador da Província tinha competência para os despachar.

 Os serviços da PIDE, (…), a Secção Central, as Divisões, o Gabinete de Investigação e Polícia Cientifica, os Serviços de Contencioso, os Serviços Administrativos, de Delegações, as Subdelegações e Postos de Fronteira ou de Vigilância, foram objecto de uma revisão orgânica em 1954. A Secção Central estava incumbida do arquivamento dos processos, da coordenação do trabalho de segurança e investigação e do funcionamento dos cursos destinados à preparação, especialização e aperfeiçoamento dos agentes e funcionários da PIDE. O Gabinete de Investigação e Polícia Cientifica assegurava a cooperação técnica nas pesquisas policiais. Os Serviços de Contencioso emitiam parecer sobre assuntos de natureza jurídica, elaboravam informações sobre processos relativos à disciplina do pessoal e realizavam os inquéritos e sindicâncias que lhes eram confiadas. Por sua vez os Postos fiscalizavam não só as fronteiras mas quaisquer outros locais que fossem estabelecidos como objecto de vigilância.

Em 1962 foi revisto o funcionamento de alguns órgãos executivos dos Serviços de Segurança, na Sede, visando os circuitos da informação recebida, a convergência das actividades das Divisões e foram criados alguns Serviços, nomeadamente, o Gabinete do Ultramar.

Em 1962, o território metropolitano ficou dividido em grandes zonas de actuação da PIDE, (…)  Alcobaça, Batalha, Bombarral, Caldas da Rainha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos, Peniche e Porto de Mós, do distrito de Leiria, em todos os concelhos do distritos de Beja, Évora, Faro, Lisboa, Portalegre, Santarém, Setúbal e ainda, nos arquipélagos da Madeira e dos Açores.

 A transição da PIDE para a Direcção Geral de Segurança, em 1969, foi a continuidade funcional. A orgânica da DGS sofreu alterações na Direcção e Serviços. Assim, o Director Geral passou a ter o apoio de um Gabinete, a cargo de um inspector superior, por ele escolhido, para além de outros funcionários. Deste Gabinete dependiam os Serviços de Cifra e de Registo, dando entrada à correspondência confidencial. Por sua vez, o Gabinete Nacional da Interpol, junto da Direcção de Serviços de Investigação e Contencioso, passou a depender do Director Geral”.
(Wikipédia – enciclopédia livre)

 Conflitos da Autonomia – Polícia Política (A)

 

A «Polícia Política» em Portugal teve uma evolução temporal quanto ao nome e função, e com o evoluir da ditadura, a repressão aumentou sempre… Citando a «Wikipédia, a enciclopédia livre», em 29/10/2022: “Em 1933, as funções de vigilância político-social eram exercidas pela Polícia de Defesa Política e Social, dependente do Ministério do Interior, e pela Secção da Polícia Internacional Portuguesa, da Polícia de Investigação Criminal de Lisboa, tutelada pelo Ministério da Justiça e Cultos. A primeira fazia-o dentro do País, mais especialmente sobre nacionais, enquanto a segunda actuava sobre estrangeiros, nas fronteiras terrestre e marítima. A complementaridade dessa acção, a conveniência de submeter ao mesmo organismo a vigilância de estrangeiros nas fronteiras e a necessidade de dar às duas Polícias um comando único directamente subordinado ao Ministério do Interior, foram as principais razões que levaram à criação da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, ainda em 1933.  

A PVDE, cuja actividade se estendeu a todo o território português, funcionava com uma Secção Política e Social e uma Secção Internacional. À Secção Política e Social competia a prevenção e a repressão contra os crimes considerados de natureza política e social. A Secção Internacional tinha por incumbência, verificar nos Postos da fronteira terrestre e marítima a legalidade dos passaportes dos nacionais que pretendiam entrar ou sair do País, apreciar nos mesmos Postos a regularidade dos passaportes dos estrangeiros à sua entrada e saída do País, deter na fronteira terrestre e marítima os nacionais que pretendiam sair do País sem os documentos legais, impedir a entrada no País de estrangeiros indocumentados ou "indesejáveis", organizar o registo geral e cadastro dos estrangeiros com residência permanente ou eventual no País, exercer sobre os estrangeiros que residiam ou transitavam pelo País a acção policial considerada necessária, aplicar as multas cominadas pela legislação em vigor, combater a acção dos indivíduos que exerciam espionagem no País e contra ele, efectuar a repressão do comunismo, organizar os processos respeitantes a estrangeiros e respectivas diligências, e colaborar directamente com os organismos policiais estrangeiros em delitos de direito comum.

A colaboração da Polícia de Investigação Criminal e a Polícia de Segurança Pública com a PVDE era obrigatória, sempre que esta a solicitasse. Do mesmo modo, todas as autoridades e repartições públicas, incluindo os representantes diplomáticos e consulares de Portugal no estrangeiro, estavam obrigados a colaborar com a PVDE, existindo mesmo para esse efeito "uma íntima ligação entre esta polícia e o Ministério dos Negócios Estrangeiros".
A Polícia Internacional e de Defesa do Estado, igualmente criada na dependência do Ministério do Interior, em 1945, manteve de facto os poderes e as funções da PVDE, embora na lei o seu objecto e competência fossem os de uma polícia judiciária. A PIDE tinha, para além de funções administrativas, funções de prevenção criminal e de repressão. Deste modo, eram da sua competência tudo aquilo que dissesse respeito ao controlo da fronteira terrestre, marítima e aérea, à emigração, à emissão de passaportes, à fiscalização do regime legal de permanência e trânsito de estrangeiros no País e à defesa da ordem e da tranquilidade públicas. Para esse efeito, desenvolvia acções de vigilância e repressão sobre "os terroristas, os suspeitos de actividades contra a segurança interior e exterior do Estado e as associações, organizações ou bandos destinados à prática de crimes", sendo a instrução preparatória desses processos uma atribuição”. 

sábado, 22 de outubro de 2022

 

Conflitos da Autonomia – Quirino de Jesus escreve a Salazar

 

A «Comissão do Livro Negro Sobre o Fascismo», no livro intitulado «Cartas e Relatórios de Quirino de Jesus a Oliveira Salazar, de março de 1987, relata vária correspondência e relatórios de um madeirense que teve um papel importante na implementação do regime consolidado por Salazar: Quirino Avelino de Jesus. “é uma personagem tão importante quanto enigmático na história económica e política dos primeiros anos da Ditadura Militar instalada em 1926 e do período de implantação do Estado Novo, no início dos anos trinta. E no entanto chega ao «28 de Maio» com a provecta idade de 71 anos, culminar de uma multifacetada carreira de publicista, doutrinador e político que se iniciara por volta da crise de 1890/91. Teorizador do «terceiro império» e do novo ciclo colonial africano que então desponta; organizador e ideólogo percursor do que ele próprio chamou o «nacionalismo católico» desde 1892 – o que o leva ao convívio com Salazar e os jovens animadores da nova militância católica redesperta a partir de 1912,  nomeadamente no Centro Católico reorganizado em 1917, economista especializado em problemas financeiros e coloniais; advogado com estreitas ligações à alta finança; político adepto de um Estado «tradicionalista e progressivo», isto é, avesso à desordem ao «falso liberalismo», ao socialismo e ao comunismo, mas simultaneamente dinamizador do fomento económico e demarcado dos «impulsos hitlerianos» decorrentes do «desenvolvimento excessivo do poder público – eis a traços grossos o perfil de um dos mais destacados pensadores do conservadorismo português na transição do século, e quiçá do mais influente e discreto conselheiro de Salazar (…)”.

Na carta enviada a Salazar no dia 9 de setembro de 1930, Quirino de Jesus refere: “O Presidente da Associação Comercial do Funchal falou-me na necessidade de estender aos algodões de determinada espécie o regime pautal dos linhos para salvar o que seja ainda susceptivel de salvação nos bordados, conforme reclamação existente no Ministério das Finanças. Não estudei o caso, mas se a técnica alfandegária, fazendo o estudo, achar possível tal solução sem perigo de descaminhos, conviria salvar-se o que pode ainda subsistir.

Vão ser fixados naturalmente agora os direitos do trigo e das farinhas dos Açores. Peço-lhe que não deixe subsistir o absurdo a que se refere a nota junta, devendo a Madeira ser igualada ao distrito da Horta neste assunto, se não for possível restabelecer pela forma apropriada o antigo regime contrário à importação da farinha como lhe disse por nota de ha duas semanas”.

 

“Quirino Avelino de Jesus nasceu no Funchal a 10 de novembro de 1865 e faleceu em Lisboa a 3 de abril de 1935

Inicialmente destinado a seguir o sacerdócio, frequentou o Seminário do Funchal, mas desistiu quando se preparava para tomar ordens menores.

Em 1887 matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, formando-se em 1892, fixando-se em Lisboa.

Para além da sua actividade como advogado, dedicando a maior parte do seu tempo ao serviço da casa comercial madeirense Casa Hinton (William Hinton & Sons, Lda), colaborou com diversos periódicos, escrevendo maioritariamente sobre questões sociais, económicas e religiosas. Também se empregou na Caixa Geral de Depósitos, onde ascendeu a chefe de serviços.

Foi autor de diversas monografias sobre a Casa Hinton e sobre temática religiosa e colonial. Foi redactor e director do jornal Portugal em África, do Economista e do Correio Nacional e colaborou na Choldra”.

(Wikipédia)