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terça-feira, 19 de abril de 2016

Da confiança à crise dos Bancos (11)

No ano de 1997 o BANIF deu seguimento à política de promoção dos seus produtos financeiros junto dos seus clientes e do público em geral. Na Região, no País e no estrangeiro onde existem emigrantes madeirenses a publicidade tinha muita força e era permanente. O “Crédito Banif Habitação” era “Tão fácil como abrir um sorriso”. Esta expressão fazia parte da publicidade nos órgãos de informação escrita para apelar à aquisição ou construção de “casa própria permanente, secundária ou para arrendamento”, para “Obras de beneficiação”, “Depósitos de Poupança Emigrante”, “Depósitos à Ordem e a Prazo em MN/ME no Offshore da RAM, com Benefícios Fiscais e Transferências de Valores de e para o Estrangeiro”, bastando “dirigir-se a uma agência do Banif e preencher um simples impresso de adesão”. Era muito fácil e bastava “Não mais de 48 horas”. “E os jovens gozam de condições especiais? Claro que sim. Todos os que ainda não tenham feito 31 anos à data da escritura, podem optar pelo Regime Jovem Bonificado e beneficiar de condições mais vantajosas”.

A 30/06/1997, o BANIF endereçou uma carta aos clientes, emitida em Lisboa e subscrita pela Directora de Património, Administrativa e de Segurança, Assunta Velosa, a apresentar “uma proposta de valor que, esperamos, venha a merecer a sua atenção”.  O objetivo da proposta era a venda de imóveis que estavam na propriedade do Banco, resultado de empréstimos não pagos pelos clientes. Já naquele ano havia as agora chamadas «imparidades». Por isso, diz a carta, “Ao longo de alguns anos o Banif, pelas mais variadas razões, tornou-se proprietário de imóveis que, como sabe, não constituem o fulcro da actividade bancária. Neste sentido, é nosso propósito propor a venda dos mesmos aos nossos clientes, em condições bastante vantajosas, disponibilizando Linhas de Crédito que poderão ascender a 100% do valor de aquisição do imóvel”. Anexada à carta vinha uma brochura com informações sobre alguns imóveis e os contactos do Banco em Lisboa e na Madeira.

Ao longo daquele ano, o BANIF manteve o interesse em adquir 34% das ações que o Governo Regional dos Açores detinha no Banco Comercial dos Açores. Em entrevista ao jornal «Semanário», de 27/12/1997, Castro Rocha, Presidente da Comissão Executiva do BANIF, declarou acabar com um conflito com o Governo dos Açores e que “a Banif Açores, SGPS, aumentou já a posição no BCA adquirindo aos trabalhadores 8,06 por cento. Os trabalhadores, pequenos subscritores e emigrantes tinham as suas ações vinculadas ao compromisso de indisponibilidade durante um ano. Esse prazo terminou em Novembro passado”.
De acordo com o Relatório e Contas de 1997, “foram admitidos no Banco 163 empregados, dos quais 78 com formação superior. Saíram no mesmo período 58 empregados, sendo o quadro de pessoal efectivo do Banco em 31 de Dezembro de 1997 constituído por 1.116 empregados. Ao nível do Grupo Banif, incluindo as seguradoras do Grupo, o quadro de pessoal nessa data eleva-se a 2.100 empregados”.
Verifica-se, naquele ano, que o Grupo BANIF é ampliado com mais algumas sociedades, tais como: BANIF (Açores) SGPS, S.A. com 72% no capital de 3 000 000 contos; BANIF (Brasil), Lda, com capital de R$ 150 000; Oceânica – Companhia de Seguros, com capital social de 2 335 000 contos; Açor Pensões, com capital de 200.000 contos.
No exercício de 1997, o Banco gerou um resultado, líquido de impostos, no montante de 2.266.142.678$42. Também apresentou “Resultados Transitados do Exercício de 1996, no montante de 5.920.000$00, correspondentes aos dividendos relativos a 1996 das acções detidas pelo Banco no primeiro dia útil do período de pagamento dos mesmos, pelo que a Aplicação de Resultados se reporta ao montante global de Esc. 2.272.062.678$42”. Uma parte deste montante foi aplicado para reservas, 1.800.000.000$00 para dividendos (Dividendo de 80$00 por acção) e 125.000.000$00 para distribuição pelos empregados.
(continua)

segunda-feira, 11 de abril de 2016


Da confiança à crise dos Bancos (10)

O ano de 1994 marca uma viragem na administração do BANIF. Raúl Capela, que era presidente do Banco desde a sua fundação, sai a 31 de março, dando lugar a José Manuel Castro da Rocha. A última grande ação de Raúl Capela foi a aquisição das ações que a UBP – União de Bancos Portugueses detinha na sociedade ASCOR DEALER – Sociedade Financeira de Corretagem, S. A., em que o BANIF já era titular de 10,377% do capital. Com esta operação da compra de 368 mil ações por 600 mil contos, o BANIF passou a dominar 70% da ASCOR. Mas foi necessário recorrer a financiamento pela via da emissão de «empréstimos obrigacionistas».
Outro objetivo fundamental do BANIF era abrir mais 53 balcões até 1996 (o dobro da sua rede), como forma de conquistar mais quota de mercado, “passando dos actuais 1,5 por cento para cerca de 5 por cento” (Eco do Funchal, 25/03/1994).
O novo presidente, em entrevista ao DN, de 29/07/1994, afirmou que “o BANIF não teve propriamente uma política de alargamento da sua rede, da sua base de implementação e ainda hoje, um dos problemas mais importantes que temos para resolver é a baixa notoriedade que o Banif tem no Continente. Na Madeira, o banco tem uma excelente implementação e este posicionamento terá que ser a todos os níveis mantido”. Salienta que “as PME`s causaram ao banco os maiores problemas em termos de crédito vencido e malparado. Mas esse é um problema que não é específico do Banif e tem as suas raízes na crise económica que se vive actualmente em Portugal. Temos que o enfrentar através de uma afectação crescente de resultados e provisões”. No final de 1994, o BANIF tinha 57 balcões, 33 dos quais estavam no território continental, especialmente na Grande Lisboa, Grande Porto e Zona Litoral, e de 2 sucursais exteriores e 1 filial off-shore nas ilhas Caymão, processo que continuou a desenvolver para abranger importantes centros da atividade económica do País e no estrangeiro.

O ano de 1995 marcou a nova fase da expansão do BANIF, em todas as frentes onde foi possível a nova administração intervir. A publicidade em jornais apresenta nova formulação de captar clientes. O seguinte exemplo paradigmático está no jornal «Século de Joanesburgo», de 27/11/1995: “BANIF. DESDE A SUA ORIGEM SEMPRE AO PÉ DE SI.  Conte com o BANIF- Banco Internacional do Funchal para todos os serviços que só um Banco de grande solidez é capaz de assegurar. Tenha a seu lado o comprovado profissionalismo que faz o BANIF progredir com rapidez e segurança. O BANIF, o maior Banco da Região Autónoma da Madeira, expande-se hoje por todo o Portugal Continental. Fale connosco. Vai sentir que queremos apoiá-lo”. E no mesmo jornal do dia 25/03/1996, a publicidade dizia: “Milhares de Quilómetros nos separam. Um só Banco nos Une”.
No fim do ano de 1995, a composição do grupo BANIF tinha mais as seguintes 3 empresas que as de 1992: Banif – Banco Internacional do Funchal (Cayman), Lda, com o capital social de 26 000 000,00 dólars, com participação de 100%; Espaço Dez, com capital social de 400 contos, com a participação de 25%; Mundichiado, com capital de 5 000 contos, com a participação de 100% (sem atividade).

Novas etapas do BANIF ocorreram no ano de 1996, não só com a compra de 56% do capital do BCA – Banco Comercial dos Açores que, por sua vez, detém a Compabhia de Seguros Açoreana, mas também com o aumento do capital de 17,5 para 22,5 milhões de contos, com a escritura realizada no dia 2 de setembro. O aumento de 2,5 milhões de contos foi por incorporação de reservas. Os restantes 2,5 milhões foram reservados a acionistas, órgãos sociais e trabalhadores do Banco.
(continua)

terça-feira, 5 de abril de 2016

Da confiança à crise dos Bancos (9)

O BANIF desenvolveu a sua atividade ao longo do ano 1992 “prosseguindo o esforço que tem vindo a ser desenvolvido no sentido da criação de un grupo de empresas da área financeira complementares da actividade do Banco, procurando-se através de uma estratégia de «cross selling» e de uma capacidade de resposta mais diversificada contribuir para fidelização crescente dos nossos clientes”. Esta é uma citação do Relatório, Balanço e Contas do Exercício de 1992 do BANIF e do Grupo BANIF Consolidado, publicado no JORAM, nº 38, 3º Suplemento, II Série, de 07/04/1993.

Naquele ano o resultado da atividade desenvolvida determinou um lucro de 4 309 684 contos, tendo sido aplicado: para reserva legal, 430 968 contos; para outras reservas, 1 691 216; para distribuição de dividendos, 2 187 500. É o primeiro Balanço em que aparecem várias empresas do Grupo BANIF, no sistema de contas consolidadas.
No grupo das empresas filiais compreendidas na consolidação constam:
- o BANIF – Banco Internacional do Funchal, S.A. com sede no Funchal;
- BANIF Investimentos, SGPS, S.A., com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco; - BANIFÓLIO – Sociedade Gestora de Património, S.A., com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco;
- BANIFUNDOS – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Mobiliário, S.A., com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco.
No grupo das empresas filiais excluídas da consolidação aparecem:
- INVESFREIRAS – Investimento Imobiliário, S.A. com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco;
- SGM – Sociedade Gestora de Fundos de Pensões Mundial, S.A., com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco;
- MUNDICRE – Sociedade Financeira para Aquisição a Crédito, S.A., com 50% de capital detido pelo Banco;
- MUNDILEASING – Sociedade de Locação Financeira, S.A., com 50% de capital detido pelo Banco.
No grupo das empresas associadas surge:
- ASCOR DEALER – Sociedade Financeira de Corretagem, S. A., com sede em Lisboa, com 10,377% de capital detido pelo Banco.

No ano de 1993 a atividade desenvolvida determinou um lucro menos de metade do ano anterior (4 309 684 contos em 1992, 1 752 577 em 1993). Com 739 empregados no final do ano, a situação do BANIF reflete o estado de crise que se estende a outros Bancos do sistema financeiro nacional. Apesar disso, o Relatório e Contas de 1993 salienta que “O Banco prosseguiu a política de expansão e consolidação da sua imagem externa através do crescimento com a Banca internacional, tendo aumentado a rede de Correspondentes no Estrangeiro e os acordos de agenciamento com os mesmos”. Mais refere que “Na REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA foi prosseguida a consolidação da posição de primeiro Banco Comercial que o Banco detém, tendo, nomeadamente, sido lançado um novo produto - a Conta BANIF Caderneta - especificamente concebido para responder a necessidades específicas de alguns segmentos da respectiva clientela de Particulares”.
A 28/05/1993 o BANIF obteve uma licança para exercer a atividade bancária, criando uma filial em Georgestown, no Centro Financeiro “offshore” das Ilhs Caimão com a designação social de BANIF – Banco Internacional do Funchal, (Caymann), Lda


(continua)



quarta-feira, 30 de março de 2016

Da confiança à crise dos Bancos (7)

O ano de 1987 representou para o sistema financeiro português em geral uma fase de muitas espetativas quanto ao futuro e, especialmente, em relação aos Bancos públicos. Tratava-se não só dos Bancos privados pretenderem a criação de Papel Comercial, como também todo o sistema desejar mais operações no mercado monetário e criação de um fundo de garantia de depósitos.
A Caixa Económica do Funchal (CEF) foi atingida com os reflexos do que aconteceu no restante mundo financeiro que, somando aos problemas internos, levou à criação do BANIF - Banco Internacional do Funchal S.A., passados 109 anos após a criação daquela Caixa Económica.
O Governo Regional, cliente e principal apoiante da política seguida pela CEF, quando se deu de conta do estado financeiro da “única instituição de crédito madeirense”, inclusivamente quanto à avultada admissão de pessoal, impulsionou contactos com o Governo da República para encontrar uma solução airosa para aquela instituição financeira.

Matriculada na Conservatória do Registo Comercial do Funchal, sob o nº 3658, o nascimento da sociedade BANIF – Banco Internacional do Funchal, S.A. evitou a falência da CEF. O dia 15/01/1988 foi o dia crucial para a salvação dos depositantes daquela Caixa. Foi a data apropriada para varrer os armários da centenária instituição, passando o activo e passivo para o património do novel Banco.
Da extinta CEF também foram transferidos para o BANIF 9,8 milhões de contos de prejuízos acumulados. Só o Governo Regional devia milhões de contos à extinta CEF, através de uma conta corrente que era utilizada para se financiar. O BANIF conseguiu em três anos “limpar” os prejuízos herdados da CEF, passando a poder distribuir dividendos aos acionistas.

Ao contrário do que muita gente possa pensar, o BANIF só nasceu porque o Governo da República investiu muito dinheiro, sendo o maior acionista daquele Banco. Cavaco Silva era Primeiro-Ministro e Miguel Cadilhe o Ministro das Finanças. Ambos aceitaram aplicar dinheiro dos contribuintes no BANIF para salvar a CEF.
O BANIF foi constituído com o capital inicial de 11 milhões de contos. Em julho do mesmo ano, o capital passou para 15 milhões e, em 30/01/1989, a assembleia de acionistas deliberou aumentar para 17,5 milhões de contos, montante que se manteve até 18/03/1996, altura em que passou para 22,5 milhões de contos. No aumento do capital para 17,5 milhões de contos, a emissão de 2,5 milhões de acções, no valor nominal de 1.000$00 cada e o ágio de 1.000$00 por ação, foi limitada ao acionista Estado Português que o realizou totalmente.

Quando em 20/02/1991 foi publicada na imprensa regional a lista dos 990 accionistas do BANIF, a Direcção-Geral do Tesouro tinha 1.841.000 acções; a Caixa Geral de Depósitos, 800.000; o  Instituto de Seguros de Portugal/Fundo de Garantia Auto, 880.001; a União de Bancos Portugueses (nacionalizado), 1.871.835; a Empresa de Electricidade da Madeira, 258.000; os Cimentos Madeira, 101.489; a Empresa  Madeirense de Tabacos, 300.416.
O maior accionista privado era Horácio Roque com 1.596.547 acções. José Berardo e a sua Fundação tinham juntos apenas 506.992. A Associação de Socorros Mútuos «4 de Setembro de 1862» também ficou acionista com 432.116 acções.

Para gerir o BANIF foi chamado o Dr.Raul Capela, tendo afirmado que “a CEF promoveu o aumento excessivo do seu quadro de pessoal, na sua generalidade de baixo nível técnico e profissional, e nalguns casos ético e deontológico numa evidente perda de controlo”. De tal ordem que o novo Banco deparou-se com 446 trabalhadores.


 (continua)
Da confiança à crise dos Bancos (8)

O excessivo número de trabalhadores existente na extinta Caixa Económica do Funchal, criou na administração do BANIF a urgente necessidade de acertar o número ideal para viabilizar a gestão futura, alterando o modelo hierarquizado da gestão pesada ao nível do elevado número de balcões por toda a Região com um gerente e dois subgerentes. Dos 446 trabalhadores que faziam parte do quadro de pessoal da CEF, inviável seria o novel Banco se daqueles trabalhadores, 176 não tivessem sido dispensados. Alguns deles foram admitidos na Empresa de Electricidade da Madeira que também era acionista do BANIF. O processo foi doloroso para aqueles trabalhadores, tendo o Sindicato dos Bancários de intervir para evitar grandes prejuízos pessoais, nomeadamente no que respeitava aos apoios médico-sociais, uma vez que, no dia 22/01/1979, tinha sido celebrado o acordo de adesão entre a CEF e o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas.
O facto de a partir do dia 01/07/1988 o BANIF ter suspendido o pagamento das suas contribuições (bem como a dos próprios trabalhadores) para os Serviços de Assistência Médico-Social (SAMS), bem como o previsto despedimento de trabalhadores, motivou os deputados do PCP na Assembleia da República, Octávio Teixeira e Ilda Figueiredo, em 29/09/1988, a requererem ao Governo que os informasse o que pretende fazer para serem regularizadas aquelas situações, bem como “A quanto montam as responsabilidades do Governo Regional da Madeira no “BANIF”, e qual o grau e regularidade do seu cumprimento?”. Em julho de 1990, o BANIF tinha 270 trabalhadores, número ainda excedentário, no dizer do administrador-delegado, Marques de Almeida, “mas que já não é um factor condicionante à evolução positiva da instituição de crédito”.

No final do mês de outubro daquele ano, o BANIF tinha 22% da quota do mercado. Mas, segundo afirmou o Presidente do Conselho de Administração, dr. Raul Capela, nas Jornadas Financeiras realizadas no dia 19/11/1988: “Somos uma instituição em transição de uma outra sem cultura e com má imagem junto do público, para uma com boa imagem perante a população”.
No final do exercício do primeiro ano de exercício, o ativo líquido do BANIF ascendeu a cerca de 78,8 milhões de contos, correspondendo a um acréscimo de 19,7% em relação ao valor registado no seu balanço de constituição. O montante do crédito concedido foi de 36,5 milhões de contos, que corresponde a 42,7% do ativo bruto. Segundo o Relatório, “a elevada taxa de crescimento, desde a sua constituição até ao final do ano, foi possível graças à evolução verificada  nos recursos do banco e aos dois empréstimos externos contraídos com cobertura de risco de câmbio”. Os depósitos a prazo, à ordem e de poupança atingiram 61 milhões de contos e o resultado contabilístico do exercício foi negativo em 2,7 milhões de contos. Mas, segundo a administração: “caso não se tivesse procedido às amortizações, devidas a prejuízos da extinta CEF, o BANIF teria apresentado um resultado positivo de 463 mil contos”.

 No início de 1992, o Estado ainda detinha 2,5 milhões de ações do capital do BANIF, quer através do Tesouro, quer da Caixa Geral de Depósitos e de outras instituições de capital público.
O administrador Raul Capela referiu (Eco do Funchal, de 28/02/1992, citando Luis Naves do «Semanário») que os acionistas têm direito de opção na aquisição daquelas ações “quando o tesouro pretender vendê-las. Só para este efeito está em curso um processo de avaliação do banco”.
Naquele ano, o BANIF procedeu à sua expansão com a abertura de novas agências no Continente e já liderava o mercado bancário da Madeira. Para além da sua sede no Funchal, a da Rua Alexandre Herculano, em Lisboa, e o estabelecimento principal no Porto, tinha 6 Dependências no Funchal, 16 Agências na Madeira e Porto Santo e 18 Agências em todo o território continental.


(continua)

segunda-feira, 14 de março de 2016


Da confiança à crise dos Bancos (6)

Os fracos resultados líquidos apurados em 1984, os quais após a dedução de 381 488 contos para Provisões, cifraram-se em 9 595 019$56”, bem como a conjuntura do sistema financeiro vigente na altura anunciavam um mau agoiro para a vida da Caixa Económica do Funchal (CEF). O ano de 1985 marca uma viragem na estratégia da CEF com vista a criar alternativas capazes de relançar a sua atividade.
Quando a notícia do semanário «Eco do Funchal», na sua edição de 21 a 26 de Maio de 1985, questiona se a “Caixa Económica do Funchal vira Banco Intercontinental do Funchal?”, é porque pairava nas hostes daquela instituição a hipótese de criar uma alternativa institucional, o que, diga-se, não era a primeira vez que tal acontecia. Mas se o nome não correspondeu ao que veio a ser solução, ou seja a criação, em 1988, do BANIF - Banco Internacional do Funchal S.A, nada contradiz que não fossem já os atos preparatórios para este, apenas mudando a expressão “Intercontinental” para “Internacional”.
A mesma notícia do «Eco do Funchal» refere que “Com 20 agências e dependências, na Região Autónoma da Madeira e em Lisboa e Porto, a CEF dispõe actualmente de um potencial de captação de depósitos e de concessão de crédito que a coloca em 2º lugar entre as instituições de crédito privadas, logo a seguir à Caixa Económica de Lisboa e, desde 1983, è frente dos bancos estrangeiros, inclusive o Credit Franco-Portugais, como aliás já se encontra assinalado pela revista Negócios, no seu número de Dezembro de 1984, dedicado às maiores Empresas em Portugal (1983)”.
Não foi apenas a notícia do «Eco do Funchal» que indicia a criação de um Banco para absorver a CEF. Esta também endereçou carta e entidades e depositantes a anunciar a “Transformação da Caixa Económica do Funchal em Banco Comercial”, sem referir qualquer designação para o Banco. Numa dessas cartas, datada do dia 21/05/1986, embora sem assinatura, a Administração da CEF dirigiu à então Secção do Funchal do Partido Socialista a informação de que “Por razões de ordem técnica já expressamente reconhecidas por todas as entidades oficiais competentes, a Caixa Económica do Funchal deverá, dentro de curto prazo e com o apoio daquelas mesmas entidades, passar a dispor de um estatuto legal que lhe permita competir, em condições de igualdade, com os demais bancos que operam em Portugal, por forma a poder manter-se a dinâmica de expansão que tem caracterizado a vida desta Instituição, em especial nos últimos 5 anos.
De facto, dispondo de cerca de 2 milhões de contos de depósitos em 1979 quando completou um século de existência, a CEF já ultrapassou em 1985 os 34 milhões de contos de depósitos, graças à confiança manifestada por mais de 90.000 depositantes, entre os quais temos o prazer de o incluir.
No momento em que se perspectiva como inevitável a transformação da Caixa Económica do Funchal num banco comercial com uma vocação polivalente, muito desejaríamos poder contar preferencialmente com V. Exa. no número daqueles que irão subscrever o capital do banco a constituir, por essa forma dando-se-lhe a possibilidade de uma aplicação financeira segura e lucrativa.
No caso de estar V. Exa. interessado em participar no capital da nova Instituição de Crédito, muito agradecíamos que nos contactasse sem demora através de qualquer dos nossos balcões”.

Foi naquela conjuntura que, no início do ano de 1986, a CEF estava em apreciação no Banco de Portugal para ser transformada em Banco, num sistema financeiro composto por 12 Bancos do Estado, 13 Bancos Privados e 7 à espera de autorização do Governo.
(continua)

terça-feira, 8 de março de 2016

Da confiança à crise dos Bancos (5)

A Caixa Económica do Funchal (CEF), no início de 1980, promoveu com grande ênfase a sua inserção junto dos madeirenses residentes e emigrantes, não só abrindo novas agências, mas também organizando e apoiando relevantes iniciativas de natuereza sóciocultural.
Aproveitando a alteração legislativa que favoreceu a atividade das caixas económicas, organizou o I Congresso das Caixas Económicas dos Açores e da Madeira, que teve lugar no Funchal entre os dias 15 e 18 de janeiro. E por despacho do Presidente do Governo Regional, de 22 daquele mês, foi autorizada a abertura de um Posto de Câmbios no Hotel Atlantis (freguesia de Água de Pena –Machico).
Como «Única Instituição de Crédito Madeirense», a CEF, na vasta publicidade que produziu, defendeu com toda a convicção “O dinheiro da Madeira para os madeirenses” incentivando não só a captação de depósitos, mas também a concessão de crédito, sendo o “Apoio orientado para o desenvolvimento da Madeira”.  No plano da facilidade de concessão de crédito, a CEF tinha a vantagem acrescida, face aos dez Bancos comerciais que tinham agências na Madeira. Por ter a sua administração no Funchal, era fácil à CEF, em pouco tempo, aprovar um empréstimo de qualquer quantia. Pelo contrário, os gerentes das agências dos restantes Bancos, com competência reduzida, tinham de submeter a autorização às respetivas sedes de Lisboa, que poderiam ou não autorizar o empréstimo.
O Relatório e Contas de 1980 da CEF salienta que, em 31 de Dezembro, os depósitos atingiam o total de 6 237 158 contos, o crédito ascendia a 5 444 832 contos, “representando um forte apoio às actividades económicas da Região” e o lucro líquido 80 740 contos; com um ativo de 9 041745 contos, tinha em depósitos totais 6 237 158 contos e de reservas, após a distribuição do lucro líquido, 210 000 contos.

A partir de 03/12/1981 a CEF passou a ter instalações em Lisboa, e mais tarde no Porto, o que significou um acontecimento de relevo para o sistema bancário. Mas também foi em 1981 que o Ministério das Finanças, através do Banco de Portugal, dimanou instruções a todos os Bancos, incluindo as caixas económicas, a limitar o crescimento do crédito, por razões de política monetária, como instrumento do equilíbrio externo da balança de pagamentos, medida que não foi do agrado da CEF.
Após o desenvolvimento do projeto de uma nova sede, no dia 05/05/1983 teve lugar a inauguração de instalações modernas com capacidade para melhorar o sistema informático e os serviços em geral, “ao nível dos bons Bancos da Península Ibérica”.
Em Novembro de 1983, a CEF promoveu um «Acordo de Segurança Seguro do Depositante» (contrato de Acidentes Pessoais) a partir do dia 7 para todos os depositantes com o valor do capital seguro “igual ao saldo da conta (ou contas) que o cliente tiver na véspera do acidente, limitado ao máximo de 5.000.000$00”. Tratava-se de um incentivo angariador de clientes depositantes, com importante alcance.
Nos anos seguintes, a CEF não esmoreceu no seu desenvolvimento com abertura de novas agências no Funchal e por toda a Região, embora, em 1984, fosse forçada a “aumentar substancialmente o volume de provisões constituídas para riscos de crédito”. No final daquele ano o volume de depósitos (a prazo, à ordem e de poupança) ascendia a 26 438 174 564$64. O ativo em imóveis totalizava 751 512 912$40. O crédito concedido, depopis de deduzir 200 455 473$00 para provisões, atingiu 17 415 355 361$78. “Os resultados líquidos apurados, deduzidos que foram 381 488 contos pata Provisões, cifraram-se em 9 595 019$56” (em 1983 tinha sido 200 mil contos).
 (continua)