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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Da confiança à crise dos Bancos (14)


O BANIF entrou no ano de 2002 com a tarefa de reestruturar-se, criando “uma holding” e três “sub-holdings”, decididas na assembleia geral realizada em 21 dezembro de 2001. As novas estruturas destinaram-se a gerir as participações sociais, direta ou indiretamente detidas pelo Banco, integrando mais de duas dezenas de sociedades. As três sub-holdings destinaram-se a gerir as principais áreas de negócio do grupo: banca, seguros e internacionalização.
Em carta envida aos clientes, datada do dia 20 de março de 2002 e subscrita pelo Presidente do Conselho de Administração, Horácio Roque, e pelo Vice-Presidente do Conselho de Administração, Joaquim Marques dos Santos, é anunciada a reestruturação do Grupo Banif. Do teor da carta transcrevemos os seguintes extratos:
- “Até agora, o Banif – Banco Internacional do Funchal, S.A., além da sua actividade como Banco, funcionava ainda como a holding do Grupo Banif”.
- “No âmbito da referida reestruturação, realizou-se nesta data a escritura pública da transformação do Banif - Banco Internacional do Funchal, S.A. em sociedade gestora de participações sociais, com a exclusiva função de holding do Grupo Banif deixando, consequentemente, de exercer a actividade bancária, passando a denominar-se Banif - SGPS, S.A. e mantendo a mesma estrutura accionista e o capital social de Euros: 150.000.000,00”.
- “Simultaneamente, foi transferida integralmente toda a actividade bancária para um novo Banco, com a mesma denominação social, Banif – Banco Internacional do Funchal, S.A., constituído com o capital social de Euros 200.000.000,00 e já realizado integralmente, em exclusivo pela Banif -SGPS, S.A. mediante entradas em dinheiro e em espécie, estas consubstanciadas na totalidade dos activos e passivos inerentes  à actividade bancária até ao presente exercida pelo anterior Banif – Banco Internacional do Funchal, S.A., transformado em Banif – SGPS, S.A.”
- “Em consequência dos actos acima descritos e com a conclusão dos demais actos jurídicos e administrativos, nomeadamente, apresentação no registo comercial e declarações de início de actividade, a efectuar no próximo dia 1 de Abril de 2002, o novo Banif – Banco Internacional do Funchal, S.A. assume todos os direitos e obrigações emergentes do relacionamento actualmente mantido com V. Exa (s)”.
Do que decorreu da estratégia empresarial do grupo BANIF, o Banco de 2002 não é o mesmo de 1988, embora tenha o mesmo nome, cujo pacto social foi publicado no jornal oficial da Madeira, II Série, de 29/04/2002. Além disso, o pacto social do BANIF – SGPS, S.A., resultante da alteração do objeto social e de denominação do Banif – Banco Internacional do Funchal, S.A., foi publicado no Jornal Oficial da Madeira, II série, de 13/05/2002.

Na entrevista ao semanário «Tribuna da Madeira» do dia 22/03/2002, Horácio Roque declarou que o “BANIF nunca será vendido” e que “queremos continuar a crescer em termos nacionais nas várias actividades do sistema financeiro. Temos crescido razoavelmente na parte da banca e temos crescido no sector dos seguros”.

No final de 2002, o BANIF tinha 30 agências em toda a Região e em todo o território continental e escritórios de representação na Venezuela, África do Sul, EUA, Canadá, entre outros.
O resultado do exercício de 2002 foi aprovado na Assembleia Geral, realizada no dia 31/03/2003, com a “necessidade de remunerar adequadamente o accionista único”, tendo obtido o montante de 14.244.598,15 euros, com a seguinte aplicação: para reserva legal 1.424.459,81 euros; para dividendos 9.600.000,00; para outras reservas 3.220.138,34.

(continua)
Da confiança à crise dos Bancos (16)

O ano de 2005 marca para o BANIF mais uma posição de relevo no mercado bancário internacional com a abertura do Banco em Londres, a partir do dia 18 de setembro, depois da Venezuela, África do Sul, Estados Unidos e Brasil e noutros países. No jantar de gala esteve presente para além de Horácio Roque, presidente do BANIF, Cavaco Silva, Miguel de Sousa, em representação da Assembleia Legislativa da Madeira, e John Major.
Horácio Roque falou da história do Banco e da participação efetiva em sete países e três continentes, para além da grande expansão no continente português, Madeira e Açores.
Cavaco Silva referiu: “Se a Europa não conseguir inverter políticas, para enfrentar o desafio da competitividade, então não conseguirá resolver problemas como o desemprego, garantir a protecção social que os europeus ambicionam, e passará por dificuldades (…) é errado pensar que as exportações asiáticas se tratam apenas de produtos de mão-de-obra intensiva e tecnologicamente pouco avançados”.
Miguel de Sousa disse que “é o nome da Madeira e do Funchal, em particular, que estão a partir de agora na maior praça financeira mundial, através de um banco que é jovem e que nasceu na Região”.

O Relatório e Contas referente a 2005 refere: “O Rácio de Solvabilidade total do Banco, nível consolidado com o Banif Finance Ltd e com a Banif (Açores) SGPS, SA, (calculado de acordo com as instruções do Banco de Portugal) situou-se em 11,63% no final de 2005, (12,07% em 2004, enquanto que o rácio Tier I atingiu 6,89% (7,92% em 2004)”.
O Lucro Líquido foi de 26.104.449,08 euros, tendo sido a sua aplicação destinada: Reserva Legal (10%), 2.610.444,91; Dividendos 19.200.000,00; Outras Reservas, 2.919.004,17; distribuição pelos colaboradores: 1.375.000,00.

En fevereiro de 2006, Horácio Roque esteve de visita às instalações do Banco em Joanesburgo, tendo contatado com os clientes, grande parte dos quais emigrantes madeirenses. No convívio, Horácio Roque, depois de pedir ajuda aos emigrantes para chegar aos 75.000 clientes até final do ano, disse: “o crescimento do Banif foi o crescimento da Madeira, e tal como muitos outros madeirenses aqui presentes, o Banif saiu das águas agitadas da Madeira para todo o Mundo e hoje está presente em três continentes e num total de onze países (…) tal como disse em 1988 que o Banif estaria onde estivessem os madeirenses, foi isso que aconteceu”.
Com 230.000 clientes no final de 2005, o grupofinanceiro Banif queria atingir 300.000 no final de 2006 e queria aumentar a rede de balcões no continente dos 132 existentes para 200 em 2008, com ritmo de abertura de 20 novas unidades por ano.

Quando a divulgação pública de resultados financeiros começa a ser referida também ao Grupo Banif e não apenas ao Banco, avoluma-se a confusão num aglomerado de sociedades, mesmo que só do setor financeiro, resultando em ignorância por parte de clientes investidores em ações e em obrigações. Porque investir nestes produtos financeiros numa sociedade do Grupo, que não o Banco, não é legalmente o mesmo, embora seja legal o conglomerado de empresas, umas participantes e participadas noutras. É tudo legal e do conhecimento das entidades reguladoras. Mas não é percetível para os clientes ou futuros clientes ter conhecimento de um comunicado, de 17/05/2006, do Banif do seguinte teor: “O Banif – Grupo Fianceiro obteve lucros consolidados de 19,4 milhões de euros no final do 1º trimestre deste ano (…) o produto da actividade bancária atingiu 81.275 milhões de euros”.


(continua)

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Da confiança à crise dos Bancos (13)


De acordo com o Relatório e Contas, o ano de 2000 apresenta-se para o BANIF como um ano de “consolidação da globalização dos mercados financeiros e da economia real, tendo-se continuado a verificar processos de mega fusões” ao nível das empresas, mas com efeitos no sistema financeiro português. Além disso, a “actividade do Banco na Região Autónoma da Madeira foi caracterizada por um forte incremento da actividade comercial a que correspondeu um significativo aumento do volume de recursos captados e do crédito concedido”. Naquele ano, a rede de agências em toda a Região atingiu as 28. Refere o mesmo Relatório que “São significativos os aumentos de 17% no volume total de depósitos de Clientes e de 33% do crédito concedido”. Foram admitidos 222 empregados “para fazer face à abertura de novas agências” e recompor o quadro de pessoal, tendo saído 109. No final do ano o Banco tinha 1.331 empregados, dos quais, 71% estavam nas áreas comerciais. Mas o Grupo Banif contava com 2.685 empregados.

O ano de 2001 é marcado pelo lançamento do projeto da remodelação do edifício-sede do BANIF, da autoria do arquiteto Siza Vieira, apresentado em 14 de julho daquele ano. Na cerimónia, realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal, Horácio Roque, presidente do Conselho de Administração do Banco salientou que “O Banif há muito que deixou de ser uma pequena instituição (…) se o Banif é cobiçado é porque é um banco forte e potencial (…) é um grande banco, com uma solidez invejável, razão porque, de tempos em tempos, alguns sectores da concorrência fazem sair cá para fora notícias infundadas de que o Banif adere a fusões ou algo semelhante. Isso é um disparate”.
Em assembleias gerais do BANIF, a realizar em 21 dezembro de 2001, cujas convocatórias foram publicadas na II série do Jornal Oficial da Madeira, do dia 20/11/2001, e no Jornal da Madeira de 20 de novembro, aparecem vários tipos de obrigações, tais como: Obrigações de Caixa subordinadas BANIF 96; Obrigações de Caixa subordinadas BANIF 97; Obrigaçções de  Caixa  EUROPA/JAPÃO -2002; Obrigações de Caixa Banif – Europa Rendimento garantido; Obrigações de Caixa subordinadas BANIF 2001/2011 1ª emissão; Obrigações de  Caixa subordinadas BANIF 2000/2010 2ª emissão; Obrigações de  Caixa subordinadas BANIF 2000/2010.
Outra assembleia geral, para a mesma data, visou a aquisição e ou alienação pelo Banif de ações de várias empresas do Grupo BANIF.
De acordo com o Relatório e Contas de 2001, o BANIF tinha 31 Agências em toda a Região que asseguram “uma forte cobertura do Banco em toda a Região e orienta a sua actividade comercial para os particulares e empresas de pequena/média dimensão”.
No tocante à Sucursal Financeira Exterior é referido: “Verificou-se, ao longo do ano, um bom crescimento do volume de transacções, fruto de um cada vez maior reconhecimento do nome do Banco e da sua Sucursal Off-Shore no mercado internacional”.
A Filial nas Ilhas Cayman, durante o primeiro semestre, efectuou duas emições de obrigações  indexadas ao risco Brasil (…) nos montantes de EUR 10,75 milhões e de EUR 10 milhões, que foram integralmente colocadas junto de clientes particulares e institucionais do Grupo”.

No ano de 2001, o BANIF gerou um resultado, líquido de impostos, no montante de 11.821.430,83 euros (2.369.984.097$00). O Conselho de Administração salienta que o resultado “foi fortemente afectado pela provisão constituída nos termos do Aviso nº 3/95 do Banco de Portugal, para fazer face à depreciação da participação financeira do Banco na Banif Açores, SGPS, SA no montante de 7.262.993,56 Euros (Esc. 1.456.099.474$00).


(continua)

terça-feira, 26 de abril de 2016

Da confiança à crise dos Bancos (12)


No exercício de 1997, o BANIF gerou um resultado, líquido de impostos, no montante de 2.266.142.678$42. Também apresentou “Resultados Transitados do Exercício de 1996, no montante de 5.920.000$00, correspondentes aos dividendos relativos a 1996 das acções detidas pelo Banco no primeiro dia útil do período de pagamento dos mesmos, pelo que a Aplicação de Resultados se reporta ao montante global de Esc. 2.272.062.678$42”, que foram distribuídos da seguinte forma:
226.614.268$00 para Reserva Legal; 120.448.410$42 para Outras Reservas; 1.800.000.000$00 para Dividendos (Dividendo de 80$00 por acção); 125.000.000$00 para Distribuição pelos Empregados.
Em 31/12/1997, foi convocada uma assembleia geral dos detentores de “Obrigações de Caixa Subordinadas Banif/96”, a ter lugar no dia 11/02/1998 para “Proceder à nomeação do representante comum dos obrigacionistas e, eventualmente, de um ou mais substitutos; Fixar a remuneração e duração do mandato do representante comum dos obrigacionistas”. Estas obrigações tinham sido emitidas a 09/12/1996, no montante de 5.000.000 contos. Como se vê, não é nova a questão, agora tão falada, das obrigações subordinadas.

Na assembleia geral do dia 30/03/1998 foi aumentado o capital do BANIF, passando de 22.500.000$ para 30.000.000$00. Com este aumento de capital, foram alterados e republicados os estatutos do Banco, mantendo como órgãos sociais a Assembleia Geral, o Conselho de Administração e o Conselho Fiscal. Mas o Conselho de Administração é assistido por um Conselho Consultivo. Há também uma Comisão de Vencimentos, “composta por três accionistas eleitos pela Assembleia Geral, por um período de três anos, cujas decisões serão sempre tomadas por maioria”.
Devido a “irregularidades graves” na Agência de Câmara de Lobos, a Polícia Judiciária deteve, a 04/04/1998l, o anterior gerente, após participação feita pela administração do Banco.
A aplicação de Resultados de 1998, no total de 2.374.728.705$30, foram distribuídos da seguinte forma: 237.472.871$00 para Reserva Legal; 37.255.834$30 para Outras Reservas; 2.100.000.000$00 para Dividendos (Dividendo de 84$00 por acção); não consta nenhuma verba para distribuir pelos empregados, o contrário do que tinha acontecido no ano anterior.

Em meados do ano de 1999, o BANIF representava 3% do setor bancário português. E havia adquirido 51% do capital do Banco Primus, uma instituição brasileira. Horácio Roque, na altura presidente do Conselho de Administração referiu (JM, 30/07/1999) que “os planos da instituição financeira portuguesa na América Latina incluem um crescimento. É a internacionalização do Banco com raízes madeirenses e que, a nível do País, está em crescente expansão. Na Madeira, o Banif reume a maior percentagem da clientela bancária assumindo-se, com destaque, como a principal instituição de crédito da Região”.
No Relatório e Contas de 1999 aparece um diagrama com a designação do nome das 10 Direcções Comerciais e 9 Direcções Administrativas do Banco. Refere também o Resultado do Exercício, líquido de impostos, no montante de 1.957.222.561$00 (euros 9.762.584,98), assim distribuídos: 195.722.256$00 (euros 976.258,50) para Reserva Legal; 406.789.356$00 (euros 2.029.056,75) para Resultados Transitado; 1.323.181.200$00 (euros 6.600.000,00) para Dividendos; 31.529.749$00 (euros 157.269,73) para Outras Reservas; não consta nenhuma verba para distribuir pelos empregados.

 (continua)
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terça-feira, 19 de abril de 2016

Da confiança à crise dos Bancos (11)

No ano de 1997 o BANIF deu seguimento à política de promoção dos seus produtos financeiros junto dos seus clientes e do público em geral. Na Região, no País e no estrangeiro onde existem emigrantes madeirenses a publicidade tinha muita força e era permanente. O “Crédito Banif Habitação” era “Tão fácil como abrir um sorriso”. Esta expressão fazia parte da publicidade nos órgãos de informação escrita para apelar à aquisição ou construção de “casa própria permanente, secundária ou para arrendamento”, para “Obras de beneficiação”, “Depósitos de Poupança Emigrante”, “Depósitos à Ordem e a Prazo em MN/ME no Offshore da RAM, com Benefícios Fiscais e Transferências de Valores de e para o Estrangeiro”, bastando “dirigir-se a uma agência do Banif e preencher um simples impresso de adesão”. Era muito fácil e bastava “Não mais de 48 horas”. “E os jovens gozam de condições especiais? Claro que sim. Todos os que ainda não tenham feito 31 anos à data da escritura, podem optar pelo Regime Jovem Bonificado e beneficiar de condições mais vantajosas”.

A 30/06/1997, o BANIF endereçou uma carta aos clientes, emitida em Lisboa e subscrita pela Directora de Património, Administrativa e de Segurança, Assunta Velosa, a apresentar “uma proposta de valor que, esperamos, venha a merecer a sua atenção”.  O objetivo da proposta era a venda de imóveis que estavam na propriedade do Banco, resultado de empréstimos não pagos pelos clientes. Já naquele ano havia as agora chamadas «imparidades». Por isso, diz a carta, “Ao longo de alguns anos o Banif, pelas mais variadas razões, tornou-se proprietário de imóveis que, como sabe, não constituem o fulcro da actividade bancária. Neste sentido, é nosso propósito propor a venda dos mesmos aos nossos clientes, em condições bastante vantajosas, disponibilizando Linhas de Crédito que poderão ascender a 100% do valor de aquisição do imóvel”. Anexada à carta vinha uma brochura com informações sobre alguns imóveis e os contactos do Banco em Lisboa e na Madeira.

Ao longo daquele ano, o BANIF manteve o interesse em adquir 34% das ações que o Governo Regional dos Açores detinha no Banco Comercial dos Açores. Em entrevista ao jornal «Semanário», de 27/12/1997, Castro Rocha, Presidente da Comissão Executiva do BANIF, declarou acabar com um conflito com o Governo dos Açores e que “a Banif Açores, SGPS, aumentou já a posição no BCA adquirindo aos trabalhadores 8,06 por cento. Os trabalhadores, pequenos subscritores e emigrantes tinham as suas ações vinculadas ao compromisso de indisponibilidade durante um ano. Esse prazo terminou em Novembro passado”.
De acordo com o Relatório e Contas de 1997, “foram admitidos no Banco 163 empregados, dos quais 78 com formação superior. Saíram no mesmo período 58 empregados, sendo o quadro de pessoal efectivo do Banco em 31 de Dezembro de 1997 constituído por 1.116 empregados. Ao nível do Grupo Banif, incluindo as seguradoras do Grupo, o quadro de pessoal nessa data eleva-se a 2.100 empregados”.
Verifica-se, naquele ano, que o Grupo BANIF é ampliado com mais algumas sociedades, tais como: BANIF (Açores) SGPS, S.A. com 72% no capital de 3 000 000 contos; BANIF (Brasil), Lda, com capital de R$ 150 000; Oceânica – Companhia de Seguros, com capital social de 2 335 000 contos; Açor Pensões, com capital de 200.000 contos.
No exercício de 1997, o Banco gerou um resultado, líquido de impostos, no montante de 2.266.142.678$42. Também apresentou “Resultados Transitados do Exercício de 1996, no montante de 5.920.000$00, correspondentes aos dividendos relativos a 1996 das acções detidas pelo Banco no primeiro dia útil do período de pagamento dos mesmos, pelo que a Aplicação de Resultados se reporta ao montante global de Esc. 2.272.062.678$42”. Uma parte deste montante foi aplicado para reservas, 1.800.000.000$00 para dividendos (Dividendo de 80$00 por acção) e 125.000.000$00 para distribuição pelos empregados.
(continua)

segunda-feira, 11 de abril de 2016


Da confiança à crise dos Bancos (10)

O ano de 1994 marca uma viragem na administração do BANIF. Raúl Capela, que era presidente do Banco desde a sua fundação, sai a 31 de março, dando lugar a José Manuel Castro da Rocha. A última grande ação de Raúl Capela foi a aquisição das ações que a UBP – União de Bancos Portugueses detinha na sociedade ASCOR DEALER – Sociedade Financeira de Corretagem, S. A., em que o BANIF já era titular de 10,377% do capital. Com esta operação da compra de 368 mil ações por 600 mil contos, o BANIF passou a dominar 70% da ASCOR. Mas foi necessário recorrer a financiamento pela via da emissão de «empréstimos obrigacionistas».
Outro objetivo fundamental do BANIF era abrir mais 53 balcões até 1996 (o dobro da sua rede), como forma de conquistar mais quota de mercado, “passando dos actuais 1,5 por cento para cerca de 5 por cento” (Eco do Funchal, 25/03/1994).
O novo presidente, em entrevista ao DN, de 29/07/1994, afirmou que “o BANIF não teve propriamente uma política de alargamento da sua rede, da sua base de implementação e ainda hoje, um dos problemas mais importantes que temos para resolver é a baixa notoriedade que o Banif tem no Continente. Na Madeira, o banco tem uma excelente implementação e este posicionamento terá que ser a todos os níveis mantido”. Salienta que “as PME`s causaram ao banco os maiores problemas em termos de crédito vencido e malparado. Mas esse é um problema que não é específico do Banif e tem as suas raízes na crise económica que se vive actualmente em Portugal. Temos que o enfrentar através de uma afectação crescente de resultados e provisões”. No final de 1994, o BANIF tinha 57 balcões, 33 dos quais estavam no território continental, especialmente na Grande Lisboa, Grande Porto e Zona Litoral, e de 2 sucursais exteriores e 1 filial off-shore nas ilhas Caymão, processo que continuou a desenvolver para abranger importantes centros da atividade económica do País e no estrangeiro.

O ano de 1995 marcou a nova fase da expansão do BANIF, em todas as frentes onde foi possível a nova administração intervir. A publicidade em jornais apresenta nova formulação de captar clientes. O seguinte exemplo paradigmático está no jornal «Século de Joanesburgo», de 27/11/1995: “BANIF. DESDE A SUA ORIGEM SEMPRE AO PÉ DE SI.  Conte com o BANIF- Banco Internacional do Funchal para todos os serviços que só um Banco de grande solidez é capaz de assegurar. Tenha a seu lado o comprovado profissionalismo que faz o BANIF progredir com rapidez e segurança. O BANIF, o maior Banco da Região Autónoma da Madeira, expande-se hoje por todo o Portugal Continental. Fale connosco. Vai sentir que queremos apoiá-lo”. E no mesmo jornal do dia 25/03/1996, a publicidade dizia: “Milhares de Quilómetros nos separam. Um só Banco nos Une”.
No fim do ano de 1995, a composição do grupo BANIF tinha mais as seguintes 3 empresas que as de 1992: Banif – Banco Internacional do Funchal (Cayman), Lda, com o capital social de 26 000 000,00 dólars, com participação de 100%; Espaço Dez, com capital social de 400 contos, com a participação de 25%; Mundichiado, com capital de 5 000 contos, com a participação de 100% (sem atividade).

Novas etapas do BANIF ocorreram no ano de 1996, não só com a compra de 56% do capital do BCA – Banco Comercial dos Açores que, por sua vez, detém a Compabhia de Seguros Açoreana, mas também com o aumento do capital de 17,5 para 22,5 milhões de contos, com a escritura realizada no dia 2 de setembro. O aumento de 2,5 milhões de contos foi por incorporação de reservas. Os restantes 2,5 milhões foram reservados a acionistas, órgãos sociais e trabalhadores do Banco.
(continua)

terça-feira, 5 de abril de 2016

Da confiança à crise dos Bancos (9)

O BANIF desenvolveu a sua atividade ao longo do ano 1992 “prosseguindo o esforço que tem vindo a ser desenvolvido no sentido da criação de un grupo de empresas da área financeira complementares da actividade do Banco, procurando-se através de uma estratégia de «cross selling» e de uma capacidade de resposta mais diversificada contribuir para fidelização crescente dos nossos clientes”. Esta é uma citação do Relatório, Balanço e Contas do Exercício de 1992 do BANIF e do Grupo BANIF Consolidado, publicado no JORAM, nº 38, 3º Suplemento, II Série, de 07/04/1993.

Naquele ano o resultado da atividade desenvolvida determinou um lucro de 4 309 684 contos, tendo sido aplicado: para reserva legal, 430 968 contos; para outras reservas, 1 691 216; para distribuição de dividendos, 2 187 500. É o primeiro Balanço em que aparecem várias empresas do Grupo BANIF, no sistema de contas consolidadas.
No grupo das empresas filiais compreendidas na consolidação constam:
- o BANIF – Banco Internacional do Funchal, S.A. com sede no Funchal;
- BANIF Investimentos, SGPS, S.A., com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco; - BANIFÓLIO – Sociedade Gestora de Património, S.A., com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco;
- BANIFUNDOS – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Mobiliário, S.A., com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco.
No grupo das empresas filiais excluídas da consolidação aparecem:
- INVESFREIRAS – Investimento Imobiliário, S.A. com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco;
- SGM – Sociedade Gestora de Fundos de Pensões Mundial, S.A., com sede em Lisboa, com 100% de capital detido pelo Banco;
- MUNDICRE – Sociedade Financeira para Aquisição a Crédito, S.A., com 50% de capital detido pelo Banco;
- MUNDILEASING – Sociedade de Locação Financeira, S.A., com 50% de capital detido pelo Banco.
No grupo das empresas associadas surge:
- ASCOR DEALER – Sociedade Financeira de Corretagem, S. A., com sede em Lisboa, com 10,377% de capital detido pelo Banco.

No ano de 1993 a atividade desenvolvida determinou um lucro menos de metade do ano anterior (4 309 684 contos em 1992, 1 752 577 em 1993). Com 739 empregados no final do ano, a situação do BANIF reflete o estado de crise que se estende a outros Bancos do sistema financeiro nacional. Apesar disso, o Relatório e Contas de 1993 salienta que “O Banco prosseguiu a política de expansão e consolidação da sua imagem externa através do crescimento com a Banca internacional, tendo aumentado a rede de Correspondentes no Estrangeiro e os acordos de agenciamento com os mesmos”. Mais refere que “Na REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA foi prosseguida a consolidação da posição de primeiro Banco Comercial que o Banco detém, tendo, nomeadamente, sido lançado um novo produto - a Conta BANIF Caderneta - especificamente concebido para responder a necessidades específicas de alguns segmentos da respectiva clientela de Particulares”.
A 28/05/1993 o BANIF obteve uma licança para exercer a atividade bancária, criando uma filial em Georgestown, no Centro Financeiro “offshore” das Ilhs Caimão com a designação social de BANIF – Banco Internacional do Funchal, (Caymann), Lda


(continua)