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domingo, 3 de dezembro de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (95)
Da criação do Banco Português de Negócios (BPN) à sua nacionalização e venda
Para além do Banco Português de Negócios (BPN), a SLN – Sociedade Lusa de Negócios também tinha no Grupo “empresas na área da tecnologia (Seac Banche, I2S, Datacomp e NlS), concessionários automóveis (Sorel e SLV), hotéis e turismo (Hotel do Caramulo, Hotel da Costa da Caparica e Turivisa), saúde (Grupo Português de Saúde, British Hospital XXI), Alimentos e agricultura (Murganheira , Tapada do Chaves) e industria (C.N.E. - Cimentos, CANAM, Omni, Inapal Plásticos)”.
Ao BPN estavam ligados ex-membros do “núcleo duro do X Governo Constitucional de Portugal (chefiado por Cavaco Silva), como Dias LoureiroJosé Oliveira e CostaDuarte Lima e Miguel Cadilhe. Entre as organizações envolvidas encontravam-se, além do BPN, a Sociedade Lusa de Negócios e o Banco Insular.
Em 2000, foi aumentado o capital social do BPN, de 60 milhões  de euros para 80 milhões, através de subscrição  particular, reservada a acionistas; em 2002, adquire o Banco Efisa, a corretora Fincor, o Banco Insular de Cabo Verde e a instituição financeira Itauvest ao Banco brasileiro Itaú; em 2003 dá-se início da atividade do BPN Brasil; em 2005, vende 20% do capital do BPN Brasil ao Banco Africano de Investimento, uma instituição privada angolana; em 2007, o BPN começou a enfrentar sérias dificuldades, face à inexistência de liquidez, resultantes de um conjunto de situações com impacto nos fundos próprio, o que revelou que a gestão de Oliveira e Costa não foi capaz de evitar a grave situação financeira, nomeadamente o alto nível de crédito malparado por reconhecer, parte dos quais associada a financiamentos concedidos a acionistas (o Banco de Portugal pediu ao Grupo SLN para identificar os seus acionistas e para separar as áreas financeiras – BPN e Real Seguros -  das não financeiras - SLN Investimentos, Plêide e Partinvest).
Em fevereiro de 2008, Oliveira e Costa deixou a direção do BPN alegando motivos de saude, tendo sido substituído, interinamente, por Abdool Vakil que era o presidente do Banco Efisa; em junho, Miguel Cadilhe é eleito presidente do Grupo e, em simultâneo, os acionistas aprovaram um aumento de capital de 300 milhões de euros para reequilibrar as contas do Banco, não chegando a ser concretizada a última tranche prevista para o mês de outubro; em setembro Miguel Cadilhe procura reestruturar o Grupo, pondo à venda um conjunto de empresas e participações consideradas “não estratégicas”; em outubro, o BPN pediu 200 milhões de euros emprestados à CGD e, no final do mês, Miguel Cadilhe denuncia diversos crimes financeiros, detetados no Banco.
Naquela altura, o BPN disponha de 216 agências e 224.000 clientes, não tendo o Grupo capitais próprios negativos, sendo também os ativos superiores aos passivos. Mas em meados do ano, o Grupo SLN estava a ser investigado a vários níveis, não só pelo Banco de Portugal, mas também pela CMVM, pelo Instituto de Seguros de Portugal e pelo Ministério Público, este no âmbito da «Operação Furacão». “Para além da análise às contas e à gestão de activos, as autoridades averiguam ainda eventuais actos de gestão danosa”.
O caso BPN, com uma elevada exposição às sociedades do Grupo SLN, referia-se a um conjunto de casos interrelacionados que mostravam indícios de vários tipos de crime, como corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influências, o que levaram à nacionalização pela Lei nº 62-A/2008 de 11 de novembro, após um custo para o Estado Português de 3200 milhões de Euros.

(continua)
Da confiança à crise dos Bancos (96)
Da criação do Banco Português de Negócios (BPN) à sua nacionalização e venda
Os fundamentos para a nacionalização do BPN estão expressos na Lei nº 62-A/2008 de 11 de novembro, em que no artº 2º, nº 1, refere:
“Verificados o volume de perdas acumuladas pelo Banco Português de Negócios, S. A., a ausência de liquidez adequada e a iminência de uma situação de ruptura de pagamentos que ameaçam os interesses dos depositantes e a estabilidade do sistema financeiro e apurada a invibialidade ou inadequação de meio menos restritivo apto a salvaguardar o interesse público, são nacionalizadas todas as acções representativas do capital do BPN”.
O BPN passou a ser sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, “(…) continuando a reger-se pelas disposições legais que regulam a respectiva actividade, bem como pelos seus estatutos, na medida em que os mesmos não contrariem o disposto no regime jurídico do sector empresarial do Estado e na presente lei” (nº 5). O nº 6 estabelece que “A gestão do BPN é atribuída, pela presente lei, à Caixa Geral de Depósitos, S. A., cabendo a esta entidade proceder à designação dos membros dos órgãos sociais daquele”, e no nº 7 é dito que “Cabe à Caixa Geral de Depósitos, S. A., proceder, no prazo de 60 dias, à definição dos objectivos de gestão do BPN, acautelando, designadamente, os interesses dos depositantes, os interesses patrimoniais do Estado e dos contribuintes e a defesa dos direitos dos trabalhadores”.
Ficou confirmado pelos registos do Banco Central do Brasil que o BPN enviou 30 milhões de euros para o Brasil através de empresas «Off Shore», entre janeiro de 2007 e abril de 2008. Os destinatários destas remessas foram sociedades brasileiras: Sabrico S. A. – Fuentes Paticipações, Lda – BPN Creditus Brasil.
A nacionalização do BPN provocou uma grave crise na situação financeira nas cerca de duas centenas de empresas do grupo SLN, dadas as necessidades imediatas de liquidez. Houve uma ameaça imediata de uma espiral de execuções de dívida, que ponha em causa 4500 postos de trabalho e provocaria um «buraco» de 500 milhões de euros no BPN.

O BPN teve muitos negócios com a Região Autónoma da Madeira, nomeadamente com a Empresa de Electricidade da Madeira; APRAM, através do Banco Efisa; Sociedades de Desenvolvimento; Parques Empresariais. Daí o Governo Regional não ter concordado com a nacionalização, o que levou o PSD-Madeira ter apresentado um projeto de resolução na Assembleia Legislativa da Madeira a requerer ao Tribunal Constitucional a declaração de inconstitucionalidade da lei que nacionalizou o BPN, com o fundamento de a Assembleia da República não ter ouvido a Região.
Aprovada no plenário do dia 2 de dezembro de 2008, com processo de urgência, a Resolução nº 33/2008/M, de 29 de dezembro, invoca o artº 229º, nº 2, da Constituição da República e o artº 89º, nº 1 do Estatuto Político Administrativo da Madeira, prescrevendo que “a Assembleia e o Goveno da República ouvem os órgãos de governo próprio da Região Autónoma sempre que exerçam poder legislativo ou regulamentar em matérias da respetiva competência que à Região digam respeito”. A resolução não teve efeitos práticos, pois era claro e evidente que o BPN não era uma empresa regional e não era pelo facto de ter uma agência na Madeira que os órgãos regionais tivessem sido ouvidos. A iniciativa do PSD apenas serviu para as estatísticas parlamentares!


(continua)

domingo, 19 de novembro de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (94)
Da criação do Banco Português de Negócios (BPN) à sua nacionalização e venda
O BPN foi criado em 1993, com sede em Lisboa, como banco privado atuando no setor da banca de investimento. Resultou da fusão estratégica das sociedades financeiras Soserfin-Serviços Financeiros, S. A.  e o Norcrédito, que eram pouco expressivas no panorama do sector em Portugal. Tal situação serviu de incentivo para encontrar uma solução mais relevante que as colocasse definitivamente no panorama da economia portuguesa.
Do historial do BPN consta que as primeiras moedas e notas a entrarem nos seus cofres “pelas mãos dos seus clientes foram entregues em 1993, mas a verdadeira revolução da estratégia da empresa e de tudo aquilo que lhe está associado apenas teve lugar cinco anos depois, altura em que a administração de até então foi substituída por uma equipa bem mais dinâmica e apostada em desenvolver competências de futuro. No entanto, os primeiros passos não foram fáceis. Mas em 1998 “surgiu um novo e inédito fôlego de juventude que veio mudar o rumo dos acontecimentos”. Américo Amorim, na altura o maior accionista do banco, abandona a instituição. “Em 2002, compra o banco Efisa e a corretora Fincor. Adquire igualmente o Banco Insular, de Cabo Verde, sem comunicar a sua aquisição ao Banco de Portugal que é o supervisor do sector em Portugal. Um ano depois, em 2003, inicia a sua operação no Brasil. Em 2005, 20% do BPN Brasil é adquirido pelo Banco Africano de Investimento (BAI), uma instituição privada angolana. Dois anos mais tarde, em 2007, o Banco de Portugal solicita ao grupo Sociedade Lusa de Negócios/BPN a clarificação da sua composição acionista e a separação entre a sua área financeira, BPN e Real Seguros, e não financeira SLN Investimentos e Plêiade e Partinvest”.
“A pouco mais de 600 dias para o final do milénio, a gestão do BPN decidiu expandir o seu negócio a toda a escala de possibilidades e foi devido a esse impulso (muito) bem pensado que alcançou notoriedade em Portugal e tomou uma orientação virada para rumos concretos que até então não se tinham explorado, apostando simultaneamente na criação de uma rede de balcões com o intuito de abraçar desafios aliciantes (…) no seguimento do posicionamento estratégico de curto prazo, o BPN renovou as suas prioridades e apontou forças para a criação e consequente aproveitamento de áreas com apoio escasso que estivessem na vanguarda da inovação. A missão foi bem executada e originou parcerias que mais tarde vieram a desempenhar um papel determinante no futuro da instituição bancária que se tornou numa das entidades referência nos sectores-chave dos investimentos de alto risco e rentabilização privada de recursos monetários. O veloz avanço do volume de negócios do BPN tornou-se num dos seus maiores trunfos, tendo funcionado paralelamente como o tónico ideal para a elaboração de planos com vista à captação de mais clientes, embora desde cedo se tenha percebido que o seu público-alvo não era a classe social baixa ou média baixa, mas um segmento com algumas posses para aplicar em fundos sem garantias absolutas de retorno. Contudo, esse facto não foi obstáculo e graças a um bom ritmo foram surgindo interessados em experimentar os serviços de um banco que começava a crescer a olhos vistos após um início nada prometedor”
A Sociedade Lusa de Negócios (SNL) foi uma holding portuguesa fundada em 1999 e detinha o BPN, SGPS na área financeira, bem como empresas de outros setores.
 (continua)

gregoriogouveia.blogspot.pt

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (93)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Com um capital social de 4.094.235.361,86 euros, o BCP foi o primeiro grande banco a rever para todos os clientes os «spreands» no crédito à habitação ao longo do ano de 2015. Cortou tanto à margem mínima e máxima, passando a apresentar a taxa mais baixa do mercado para a compra de casa (2,25%) a partir do mês de fevereiro. Fez um corte de 25 pontos base nas margens de crédito, com a máxima a descer de 4,75% para 4,50%, que o colocou como a instituição com o melhor «spread» para aquisição de habitação entre os bancos de referência do mercado nacional.
Das informações publicadas no Portal do BCP em 2016, foi anunciado: “No Millennium bcp acreditamos que, para apoiar a internacionalização e reforçar a competitividade das Empresas portuguesas, temos que apostar no profissionalismo e estar mais próximos do seu negócio. Com esse objetivo que decorrem as "Jornadas Millennium Empresas", encontros que percorrem o país de Norte a Sul, e com os quais se pretende promover parcerias e reforçar os laços comerciais já existentes. Durante estes encontros foram abordados temas relacionados com as perspetivas económicas do País e das Empresas locais, bem como a oferta do Millennium bcp para a dinamização da atividade empresarial”. No dia 19 de maio estaremos no Funchal, com a presença do Dr. Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional da Madeira, e do Dr. Nuno Amado, Presidente da Comissão Executiva do Millennium bcp, para além de um conjunto de personalidades de referência na vida económica da Região. Ao início da tarde terão lugar 3 Workshops Temáticos sobre o Programa Madeira 14-20, Soluções de Tesouraria e Financiamento e de Trade Finance, que são espaços de debate e de partilha de experiências”.
Na sua intervenção, no Funchal, o presidente executivo, Nuno Amado, afirmou que “o Millennium bcp está a posicionar-se como o banco que aguentará as pretensões do Banco Central Europeu de concentrar, cada vez mais, o sector em instituições mais sólidas. Em Portugal, aponta-se para a sobrevivência de um banco público e um privado (…) resistência e resiliência são os trunfos que resultaram dos piores anos da crise, fruto dos excessos da banca que assumiu riscos em demasia e taxas de juro arriscadas, ao ponto do BCP ter atingido um rácio de 100 depósitos por vada 170 créditos. Foi preciso um enorme ajuste e caso se confirmem os propósitos do BCE que, com a União Bancária, obrigue a uma maior concentração do setor, será o Millennium bcp a sobreviver. Isto porque soube adaptar-se aos três pilares do banco central que são uma supervisão mais exigente, processos de resolução transitórios e uma aposta na garantia do depósito, que falta ser efectivada”.
Chegado o ano de 2017, foi aventada a hipótese de o BCP vir a poder ser ator de um plano B para a Caixa Económica Montepio Geral, e que passaria por ser a Fundação Millennium bcp a entrar no capital e não o banco diretamente, o que não se verificou.
Em 27 de julho, Nuno Amado apresentou os resultados semestrais, passando de prejuízo a lucro de 89,9 milhões de euros, mas tendo um stock elevado de ativos por recuperação de crédito. Em junho, o BCP tinha 1,8 mil milhões e euros de imóveis (1,6 mil milhões líquidos de imparidades). Tratou-se de um problema estrutural de iparidades que abrangeu todo o sistesma financeiro, que se revelou a partir da crise de 2008.


Ao longo de várias semanas, procurei deixar a minha resumida análise dos aspetos mais relevantes da riquíssima história do BPA até chegar ao Millennium bcp.

domingo, 5 de novembro de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (92)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Para evitar despedimento coletivo no BCP, a administração e os sindicatos dos bancários chegaram a um prévio acordo, no final do ano de 2013, para um corte temporário dos salários, entre os 3% e os 11%, abrangendo todos os trabalhadores (quase 6.000) com remunerações acima dos mil euros brutos por mês. De acordo com o compromisso os cortes manter-se-iam em vigor até a saída do investimento público. Mas quando o banco regressasse aos lucros, seria levado à assembleia-geral uma proposta para que os trabalhadores recebessem o valor cortado.
De acordo com Paulo Alexandre do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, “Fizemos isto a pensar no interesse dos trabalhadores e não do sindicato porque sabemos que podemos perder associados que discordam da nossa posição”. Face ao acordo, a partir de meados de fevereiro de 2014 os sindicatos da FEBASE enviaram cartas com boletins de voto aos trabalhadores do BCP, para que estes se pronunciassem sobre os cortes salariais acordados com o banco.
Esta medida preventiva teve a ver com o plano de reestruturação que o BCP acordou com Bruxelas, após o Estado ter aplicado 3.000 milhões de euros no banco para o recapitalizar. Aquele plano previa a redução do número de trabalhadores em Portugal para 7.500 até final de 2017, significando menos 1.084 do que os 8.584 que o banco tinha no final de 2013, ano em que saíram 398 trabalhadores. No final daquele ano, o BCP tinha 774 agências, menos 65 do que em
2012, mas com o objetivo de reduzir para 698 agências até 2015.
A carta que os sindicatos enviram aos trabalhadores continha a pergunta a que deveriam responder «sim» ou «não», cujo teor á o seguinte:
“Aceita o teor do memorando acordado entre o BCP e a FEBASE – já do seu conhecimento pelas cartas enviadas – que poderá evitar um despedimento colectivo e permitirá ao banco que a reestruturação a que está obrigado por força do acordo com a DGComp (Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia) se faça, preferencialmente, com recurso a reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo”.

Quando, no final de outubro de 2014, foi anunciado que o BCP foi o único banco português a “chumbar” nos testes de «stress» do Banco Central Europeu no cenário mais adverso, O Presidente do banco, Nuno Amado, referiu que “com números de 2014, o BCP não chumbava (…) o banco passaria nos testes de “stress” do BCE e da Autoridade Bancária Europeia (EBA) se fossem feitos tendo em conta os dados atuais e não de dezembro de 2013 (…) o banco não vai precisar de um aumento de capital nem vender ativos”.
Este teste destinou-se a avaliar a capacidade de resistência dos bancos, perante uma crise económica e financeira, a qualidade dos ativos e carteira de crédito. Para passar no texte o banco deveria dispor de rácio mínimo de 8% de capital no Common Equity Tier 1 (rácio de capital que está a ser usado para medir a solvabilidade dos bancos) no cenário económico e financeiro base e de 5,5% no cenário adverso. Neste exame, no total, chumbaram 25 dos 130 bancos europeus.
No final de 2014, o resultado líquido foi negativo em 217,9 milhões de euros, embora tivesse melhorado face a 2013 que foi negativo em 740,5 milhões de euros.
A melhoria deveu-se à atividade internacional e pela evolução favorável da rendibilidade da atividade em Portugal, “suportada no desempenho positivo do produto bancário, tal como a margem financeira e dos resultados em operações financeiras”.
Nos fatores negativos estão, entre loutros, “juros associados à emissão de «CoCo» de 162,8 milhões de euros e o esforço das imparidades para riscos de crédito”.

(continua)

domingo, 29 de outubro de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (91)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Em 11 de setembro de 2012, o BCP iniciou o processo de aumento de capital de 500 milhões de euros, numa altura em que estavam a ser promovidas alterações na estrutura acionista. Nessas mudanças constavam a extinção do cargo de diretor-geral para a Madeira, Açores e outras regiões do País. As funções relativas aos cargos extintos foram redistribuídas pelos diretores-gerais e centrais que permaneceram no banco. O objetivo foi diminuir o número de chefias “de primeira e segunda linhas, além da redução de custos salariais e de funcionamento”. De acordo com o Jornal de Negócios de 13 de novmbro de 2012, “o número de baixas na alta direção do BCP poderá ir além dos cerca de 30 directores de topo convidados a rescindir contrato ou a optarem pela reforma antecipada. Isto porque haverá altos quadros a aderirem ao programa de desvinculação voluntária (…) há muitos acordos já firmados a este nível hierárquico (…) pelo menos um terço da chamada alta direcção do BCP, que em Portugal é constituída por 110 diretores-gerais, centrais e respectivos adjuntos terá sido convidado a sair do banco, no âmbito do processo de rescisões proposto a cerca de 600 colaboradores”.
No final de dezembro de 2012, o BCP recebeu do Ministério da Economia o estatuo de “empresa em reestruturação”, tendo permitido que os 600 trabalhadores que saíssem do banco através de rescisões amigáveis tivessem aceso ao subsídio de desemprego.

Em conferência de imprensa de 4 de novembro de 2013, o presidente do BCP, Nuno Amado, informou que o banco “registou um resultado líquido negativo 597 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, valor que compara com o prejuízo de 796 milhões de euros em igual período de 2012. Um resultado claramente negativo, mas melhor do que no ano anterior, já que houve uma redução próxima de 200 milhões de euros no prejuízo”. Segundo o banco, este prejuízo está em linha com o plano estratégico definido e com a evolução macroeconómica, apontando para alguns factores relevantes que tiveram impacto nos resultados apurados entre janeiro e setembro, tal como os juros dos instrumentos híbridos (CoCo) do banco subscritos pelo Estado, que ascenderam a 201,1 milhões de euros (brutos) e 142,8 milhões de euros (líquidos).

“Já o custo com as garantias do Estado usadas pelo BCP para a emissão de dívida foram de 47,8 milhões de euros (brutos) e 33,9 milhões de euros (líquidos). De resto, as provisões para riscos e encargos foram responsáveis por 80 milhões de euros do prejuízo total, enquanto a «libility management” de 2011 provocou perdas de 144,4 milhões de euros, em termos brutos. As imparidades e provisões subiram de 876,9 milhões de euros para 998,3 milhões de euros entre Setembro de 2012 e Setembro de 2013”.

Os resultados da Grécia deram um contributo negativo de 41,4 milhões de euros e a venda de crédito gerou um prejuízo bruto de 54,1 milhões de euros. Nos primeiros nove meses de 2012, o BCP tinha assumido um prejuízo de 546,1 milhões de euros oriundos da sua operação na Grécia.

 

Em 6 de novembro de 2013, o BCP realizou no Funchal a sétima edição das «Jornadas Millennium Empresas», constituindo um evento de promoção da partilha de experiências entre empresas de todo o país e cada vez mais uma posição de proximidade e apoio aos seus clientes. O Presidente do Banco, Nuno Amado, referiu: “Decidimos vir à Madeira para falar com os nossos clientes, ouvir as suas preocupações e dizer-lhes que o Millennium BCP continuará a apoiar a actividade empresarial na Madeira, com a análise de risco adequado”.

(continua)

domingo, 22 de outubro de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (90)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Em 23 de maio de 2011, o BCP denunciou, unilateralmente, o protocolo celebrado com a Associação Portuguesa dos Médicos Patologistas (APOMEPA) e com o IASAÚDE da Madeira. O fundamento deveu-se ao incumprimento dos termos previstos no protocolo por parte do Governo Regional. O efeito foi o banco não adiantar mais dinheiro para pagar faturas, decorrentes sobretudo de análises clínicas e outros exames complementares de diagnóstico, às empresas privadas pela prestação de serviços convencionados ao Sistema Regional de Saúde.
As faturas em dívida que, desde outubro de 2010 do IASAÚDE ao BCP elevava-se a cerca de 6 milhões de euros, deixaram de ser pagas através do protocolo, mas sim diretamente pelo Governo Regional

No âmbito do aumento de capital, foi concluído “com sucesso o aumento de capital, permitindo-lhe elevar o «core tier 1» de 6,7% para 8,8%”, tendo captado mais 5.000 acionistas, passando o total a ser de 175 mil. Tinha também de encontrar medidas para levar o rácio de capital ao nível mais exigente (de 10%) até o fim do ano. E a Administração recusou-se a pedir financiamento do Estado. Mas tendo em conta as imposições previstas para a banca, o BCP poderia recorrer à redução da carteira de crédito, à alienação de ativos e à eventual troca de ações preferenciais
Depois de ter saído da linha vermelha em março de 2012, as ações do BCP desvalorizaram cerca de 31,6% desde o início daquele ano, tendo fechado com o valor de 9,3 cêntimos por ação em 24 de julho. Já tinha reduzido o crédito para mais rapidamente convergir para um melhor equilíbrio entre crédito e recursos com o rácio de transformação fixada nos 137,8% no final do primeiro trimestre de 2012, quando, um ano antes, estava nos 162%. Tanto mais que a “Troica” tinha imposto um nível máximo de 120% em termos consolidados até 2014. A redução levada a cabo pelo BCP foi acompanhada por um grande esforço de captação de depósitos que no trimestre em termos homólogos subiu 8,8% e em simultâneo com uma redução substancial do crédito, que foi menos 5,4% em termos homólogos.
Nuno Amado, Vice-Presidente do Conselho de Administração e Presidente da Comissão Executiva do BCP desde 28 de fevereiro de 2012, apresentou os resultados do banco no dia 17 de maio seguinte, tendo salientado que o crédito para habitação caíu 1,3%, o crédito ao consumo registou perdas de 5,6% e o crédito a empresas teve uma quebra com menos 8,5% em termos homólogos; cerca de 64% do resultado líquido consolidado teve origem nas operações internacionais; dos 40,8 milhões de euros de resultado líquido apurado no primeiro trimestre, menos 55% do que no período homólogo, cerca de 26,2 milhões de euros vieram do exterior; a Polónia e Moçambique contribuíram com 20 milhões de euros de lucro e o restante foi de Angola, em contraste, a Grécia levou 8,1 milhões de euros e na Polónia o prejuízo foi de 3,4 milhões de euros; a margem financeira caíu 20,9% em termos homólogos, para 317,5 milhões de euros, enquanto o produto bancário aumentou 2,6%, para 677,4 milhões de euros.
Mais salientou que a Autoridade Bancária Europeia exige um rácio «core tier 1» de 9% até junho, constituindo regras mais exigentes do que as do Banco de Portugal. A «Troica» e Banco de Portugal querem o core capital nos 10% até final de 2012. Admitiu recorrer á linha de recapitalização pública para cumprir estas exigências, existindo o recurso aos 12 mil milhões de euros para reforço de capitais do setor financeiro no âmbito do acordo com a «Troica».


(continua)