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domingo, 17 de maio de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (14)

(continuação X Congresso Regional)

Como primeiro subscritor, Victor Freitas representava a JS com vista a “Reflectir, Congregar e Vencer” porque “É necessário que tomemos uma postura reflectiva sobre o que queremos para a Madeira e para os Madeirenses”.  É que “Na actual conjuntura política e Social temos que ser consensuais nas escolhas que fazemos para o Partido Socialista. Todos nós, militantes, devemos estar disponíveis para essa reflexão e para essa procura de soluções (...) é necessário que o PS saiba renovar-se, que saiba apresentar uma nova imagem, novas políticas e atrair os cidadãos às nossas ideias (...) O PS-Madeira ao longo do tempo foi perdendo a tradição dos porta-vozes para as diferentes áreas temáticas. Hoje torna-se necessário recuperar esse património”.
A moção é ultra-nacionalista/regionalista, no bom sentido dos termos, quanto à renovação da esquerda na Madeira e à sua cultura: “Queremos revitalizar a esquerda na Madeira. Queremos que esta seja moderna, inovadora e arrojada na Sociedade. Não podemos, nem devemos, importar modelos que nada tenham a ver  com a cultura portuguesa, nem com a realidade madeirense. Temos que trilhar o nosso rumo e criar na Madeira uma sociedade onde a nossa visão de esquerda tenha permeabilidade”. Com a apologia na aposta na juventude e no “socialismo no século XXI”, a moção  prevê que “Nenhuma alteração política é conseguida sem o apoio da juventude” porque “Vamos assumir a nossa  responsabilidade – dar à Madeira um PS capaz de vencer os desafios do Século XXI”.

A moção de José António Cardoso considera que este “1º congresso da nova era secular e milenar constitui seguramente um marco, mais do que temporal, de MUDANÇA de protagonistas, de valores, de comportamentos, em suma, de MUDANÇA na política... onde TUDO TERÁ DE SER DIFERENTE  a partir de agora”. Com base nos princípios da “TOLERÂNCIA, do RESPEITO, da HONESTIDADE, da RESPONSABILIDADE, do EMPENHAMENTO e do ACREDITAR NA NOSSA CAPACIDADE DE RESPONDER AOS DESAFIOS, terão de ser determinantes para a nossa afirmação pública”. Precisamente porque “A política não é um jogo, mas o construir de um futuro com base na razão, valores, ética e respeito pela diferença”. Até porque é preciso pôr “fim aos conflitos, espírito de missão, estratégia ganhadora (...) organização, rigor, competência (...) trabalho, dedicação, empenho, capacidade, coerência, dinâmica (...) rigor, disciplina, previsão, ousadia (...) reconciliação, união, mobilização (...) salvaguardando as nossas diferenças e preservando os nossos valores e capital político”. Propondo um novo paradigma da autonomia, afirma que “É fundamental o aprofundamento da afirmação regional pela preservação da nossa identidade cultural, mas num quadro de abertura que nos permita ganhar os desafios na afirmação dos valores de uma tripla cidadania: madeirense, portuguesa, europeia”.

Maria da Luz pretendeu “Estabelecer vias que tornem o PS aberto à sociedade, desperto para a realidade socio-económica, laboral, sindical, cultural, firmando uma relação de confiança entre todo o PS e a sua Direcção e responsáveis pelas estruturas dos concelhos e freguesias na inventariação real e concreta de problemas, dificuldades, anseios e aspirações de todos os cidadãos das empresas e das instituições”. Entendeu que era importante “Devolver aos militantes do Partido Socialista a dignidade, a honra, o orgulho e o brio de serem , sem tibiezas, socialistas, não por clubismo ou capricho, ou oportunista busca dum cargo, onde o partido seja o princípio e o fim de tudo, mas com protagonistas sérios, diligentes e empenhados no conhecimento dos problemas e dificuldades do quotidiano da Região e dos seus cidadãos”.

Góis Mendonça queria a inovação e organização do PS-Madeira que deveria ser um partido  “aberto e transparente, com uma permanente auscultação da sociedade civil”. Pretendia “tramsformar este partido apático, sem espírito de vitória, num partido com um projecto e uma estratégia  ganhadora”.
Com o aproximar do dia do congresso, foi possível haver um entendimento entre José António Cardoso e Victor Freitas que apresentaram uma lista única para os órgãos dirigentes ficando como candidato à liderança José António Cardoso que acabou por ganhar. Maria da Luz não elegeu delegados e Góis Mendonça não apresentou listas para os órgãos dirigentes.
Ao fim e ao cabo, criou-se a esperança de que o PS-Madeira, apenas com dois grupos em disputa, entraria numa nova vida!.

sábado, 9 de maio de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (13)

(continuação IX Congresso Regional)

-Declarações do Presidente da Comissão Política Regional do PS-Madeira de que a solução política do partido só se resolve com o afastamento dos deputados em próximas eleições regionais;
-Marcação de acções de dinamização do partido em três Concelhos distintos, no mesmo dia e nas mesmas horas;
-Permanente confronto entre a Direcção do Grupo Parlamentar e a Direcção do Partido”.

Chegado ao fim, o Congresso elegeu Mota Torres para continuar à frente do PS-M como, aliás, já estava previsto dias antes pelo número de delegados eleitos pela sua moção.

10º Congresso Regional:
Quando terminou o prazo de dois anos do mandato dos órgãos dirigentes, eleitos no congresso de fevereiro de 1999, o PS-Madeira encontrava-se retalhado pela conflitualidade interna. A Direcção do Partido e a do Grupo Parlamentar pareciam dois órgãos de entidades diferentes ao  ponto desta ter sido compulsivamente afastada por imposição daquela com o argumento de que o GP não respeitava as decisões do Partido. A verdade é que a inoperacionalidade do PS-M era tal que nunca a Comissão Política Regional reuniu para dar orientações ao GP. Pelo contrário, este estava tão activo que fazia inveja à passiva Direcção na Rua do Surdo.

Foi neste contexto político interno que teve lugar o 10º Congresso Regional, realizado nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2001. Depois do desaire eleitoral, no concelho do Funchal, onde o PS perdeu dois deputados nas eleições regionais de outubro de 2000, Mota Torres perdeu legitimidade política para recandidatar-se à liderança. Mas não faltaram candidatos com vista a porem na ordem o partido: André Escórcio avançou mas, após uma “rasteira” de alguns apoiantes, desistiu em 7 de dezembro quando a campanha ainda ia no adro, ficando sem efeito a sua moção intitulada «PS UNIDO RUMO À VITÓRIA»; João Carlos Gouveia renovou a sua candidatura levando grande vantagem com a moção «TODOS PELO PS»; Victor Freitas surgiu como  candidato a líder e  primeiro subscritor da moção «CONGREGAR VONTADES, VENCER DESAFIOS»; José António Cardoso surgiu na cena com a moção «UNIR O PS, GANHAR A SOCIEDADE»; Maria da Luz  apresentou-se com a moção «CONNOSCO OS MILITANTES CONTAM»;  Góis Mendonça pretendia «MUDAR O PARTIDO, GANHAR A MADEIRA».

As propostas dos candidatos eram abrangentes e previam quase tudo para restaurar o partido. João Carlos Gouveia pretendia “não só unir o PS-Madeira e reconciliar a família socialista, como também criar condições para que se estabeleça uma relação de confiança entre o nosso partido e os madeirenses” porque “Só com uma nova mentalidade de cultura de poder e na recusa  da estratégia imposta por aqueles que ocupam  os órgãos do governo próprios, o PS-Madeira ousará inscrever na agenda política regional a sua própria estratégia e o seu discurso político, que, para se afirmar, não podem ser o reverso daquilo que o PSD-M propõe”. Por outro lado, “o PS-Madeira tem vacilado, ao longo da sua história, em relação à sua estratégia de confronto com o poder instituído”, sendo que ”o PROJECTO SOCIALISTA PARA A MADEIRA deve partir do princípio de que a economia da Madeira só tem futuro se houver ainda uma maior promoção social e cultural dos madeirenses. E, neste sentido, a Região Autónoma da Madeira deve acolher de braços abertos o retorno dos nossos emigrantes que se encontram em dificuldades nos seus países de acolhimento”.
(continua X Congresso Regional)

sexta-feira, 1 de maio de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (12)

(continuação  IX Congresso Regional):
A moção de Mota Torres apontava o desejo de o PS-M  querer a confiança dos madeirenses para “governar a Região Autónoma da Madeira e poder assim cumprir os mais altos desígnios de servir a Região, os madeirenses e os portossantenses (...) o 9º Congresso Regional do PS-Madeira tem por isso que ser  o Congresso do inconformismo, mas também o da maturidade (...) um partido organizado (...) aberto à sociedade” em que “Às decisões democráticas devem corresponder atitudes e procedimentos cívicos e partidariamente democráticos, respeitadores das decisões das maiorias e das opiniões das minorias”.

João Carlos Gouveia, que, no dia 13 de agosto de 1997, ajudou a lançar o movimento político «FALA –Fórum de Acção pela Liberdade no Arquipélago da Madeira», em oposição à FAMA, falava na sua moção da existência  do “Exercício  Autocrático do Poder na Região Autónoma da Madeira e o Projecto Separatista da Ala Flamista do PSD/Madeira” e das “Crises do PS/Madeira e a Exigência de um PS/Madeira a sério”; apontava a limitação temporal dos mandatos “para os dirigentes partidários, para detentores de cargos políticos”; redução das inerências a um valor simbólico “para todos os órgãos directivos do PS/Madeira, para a escolha dos Delegados aos futuros Congressos”; eleição por sufrágio directo, universal e secreto “para a escolha dos dirigentes partidários, para aprovação de qualquer tipo de coligação eleitoral, para aprovação de moções, globais ou sectoriais”; eleições primárias, por sufrágio directo, universal e secreto para a escolha de todos os futuros candidatos a “Autarcas, deputados (Parlamento Europeu, Assembleia da República, Assembleia Regional) e Presidente do Governo da Região Autónoma da Madeira”.

Ricardo Freitas apontava a necessidade de corrigir a “Crise de identidade (...) a Postura Autista dos responsáveis pelos órgãos dirigentes do Partido e outros titulares de cargos políticos (...) a Fragilidade do PS/Madeira, que lhe retiraram o discernimento e o fizeram virar-se sobre si mesmo”; fala do “Abuso do Poder” e os “desiquilíbrios na RAM”, afirmando que “Os anti-autonomistas existem e temos de estar preparados para as suas ofensivas (...) daí a necessidade da conciliação interna para uma nova abordagem e o repensar duma cultura de poder em que todos são importantes e todos têm  um papel a desempenhar na construção duma nova Madeira firme na sua autonomia, mas determinada na realização da justiça social”.

Góis Mendonça previa que ao PS-Madeira “compete abrir-se à sociedade, identificando-se com uma cultura de permanente transformação (...) as prioridades dos anos 90 são diferentes das prioridades dos anos 80. No limiar do milénio já ninguém quer saber do que está feito, aliás grande parte da geração actual com menos de 30 anos, nem discute o passado recente”; no plano interno, relembra que o “IX Congresso do PS-Madeira realiza-se num momento crucial e numa das fases mais difíceis da vida interna do PS-Madeira”, relembrando o que anteriormente aconteceu:
-“Retirada  de confiança política ao nosso líder do Grupo Parlamentar e consequente solicitação ao nosso principal adversário, líder do PSD-Madeira, para que não reconheça o líder da bancada socialista como tal;
-Ida à Venezuela no espaço de um mês de duas representações do PS-Madeira, uma do Grupo Parlamentar outra da Direcção do Partido;

(continua)

sábado, 25 de abril de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (11)

3ª Convenção (continuação)

O conjunto de vetores assentava: 
- no “Ideário Político e a abertura à sociedade civil” (“é o ideário político que nos une e nos identifica e nos responsabiliza”);
- “O aparelho organizativo” (“o militante de base é o sujeito e o destinatário principal da acção politico-partidária do PS”);
- “O trabalho nas autarquias” (“a Associação de Autarcas Socialistas da RAM é fundamental para a formação técnica e política  dos autarcas”); 
- “O aprofundamento da Autonomia da Região” (“os valores e benefícios da Autonomia são um bem precioso (...) o seu aprofundamento e aperfeiçoamento será uma preocupação de todos nós”);
- “Um desenvolvimento harmonioso e humanizado” (“é necessário elaborar um aperfeiçoado modelo de desenvolvimento sustentado”), onde se inseriam:  um Plano Regional de Emergência Habitacional, Educação, Cultura, Ciência e Desporto, Ambiente, Segurança e Trabalho, Sector Primário, Comércio e Industria.

Chegado o dia 11 de maio de 1997, realizou-se a Convenção, onde foi discutido um importante documento, intitulado «O PODER LOCAL NA AUTONOMIA», elaborado com a colaboração de André Escórcio, António Loja, Arlindo Oliveira, Bernardo Martins, José António Cardoso, Mota Torres, Quinídio Correia, Rafael Jardim, Ricardo Freitas, Rui Caetano, Rui Rodrigues e Violante Matos.

IX Congresso Regional
Retomada a fase dos congressos, nos dias 27 e 28 de fevereiro de 1999 teve lugar o IX Congresso Regional, marcado por mais uma onda de contestação ao líder Mota Torres.
O álibi foram os resultados pouco favoráveis obtidos nas eleições autárquicas, especialmente no Funchal, realizadas em dezembro de 1997. Por sua vez, a proposta apresentada na Comissão Regional de 18 de fevereiro de 1998, que previa a demissão de Mota Torres, marcou o rumo do maior diferendo alguma vez verificado entre a Direcção do PS-M e a Direcção do Grupo Parlamentar. Precisamente porque, apesar da proposta ter sido subscrita por dezassete militantes, foi o primeiro subscritor, Fernão Freitas, líder do Grupo parlamentar, o principal alvo a abater.

Mas nem o novo congresso fez acabar a crise interna. As candidaturas a líder quaduplicaram, gorando-se qualquer tentativa de apresentar um candidato de consenso. Mota Torres recandidatou-se apresentando a moção «SERVIR A MADEIRA»; surgiu pela primeira vez o grupo do «Novo PS», liderado por João Carlos Gouveia, cuja moção intitulava-se «PARA UM NOVO  PS: PRIMEIRO A LIBERDADE»; Ricardo Freitas surgiu como primeiro subscritor da moção «UM PS DE TODOS E PARA TODOS»; Góis Mendonça apresentou-se com a intenção de «MUDAR COM DIGNIDADE».

Embora com estratégia sectorial, a JS apresentou uma moção intitulada «A MUDANÇA PASSA POR NÓS», para além de outras doze moções de âmbito também sectorial que abarcavam cada uma um tema específico da vida regional, apresentadas por vários congressistas.

Mota Torres disse ao DN de 27 de fevereiro de 1999 pretender “um debate de ideias com elevação”, virado para o exterior, porque “temos de perceber que o rival político é o PSD”;  João Carlos Gouveia afirmou-se “o homem certo para o lugar certo” porque Mota Torres “criou um clima de afectividade com os militantes e tem  o aparelho na mão (...) se fosse António Trindade a se apresentar, eu ganhava logo o congresso”;  Ricardo Freitas estava preocupado “com o nível em que o congresso possa decorrer  - à conta do radicalismo de alguns elementos da linha Torres e do Novo PS”;  Góis Mendonça apenas apresentou a moção para ter “tempo de antenna”.

(continua)



sábado, 18 de abril de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (10)

3ª Convenção (continuação)

Com esta coligação pós-eleitoral, parecia estar-se perante um PS-M finalmente unido e com bom augúrio para o futuro. Mais tarde, verificou-se que a unidade estava assente sobre areia movediça, apesar de cada uma das moções de estratégia política apresentar boas intenções para levar o PS-M a bom porto: Mota Torres comprometia-se «RESPEITAR O PASSADO, GANHAR O FUTURO», enquanto que Gil França pretendia «UNIR O PS, SERVIR A REGIÃO».
O extenso texto da moção de Mota Torres constata que “Vinte anos volvidos sobre as eleições que pela primeira  vez conduziram o PSD ao poder na RAM, não podemos fechar os olhos a tudo o que tem acontecido, como se a normalidade democrática estivesse a presidir  a uma numerosa sucessão de vitórias que a oposição, e particularmente o PS-M, se limitam a constatar e, num esforço intelectual de monta, tentam justificar. Apesar de todos os condicionalismos, e eles existem, o pior que, enquanto partido podemos fazer, é não reconhecer as nossas próprias responsabilidades, omissões e incapacidades, para fazer frente a uma poderosa organização política, como é o PSD, responsável máximo pelo poder regional e autárquico na Madeira há mais de duas décadas (...) só há PS-Madeira preparado para os desafios do futuro quando a opinião pública, globalmente, identificando-se ou não com o PS, reconheça nela uma organização atenta, séria idónea e capaz. Aí sim, está ganha a grande batalha da teimosia dos socialistas da Madeira e está aberto o caminho de um futuro mais risonho”.
Mais adiante salienta que “O grande desafio que se põe ao PS-M é saber ser um Partido político. É, no essencial, definir as suas finalidades, os seus objectivos, as suas estratégias, elencar os meios disponíveis e, trabalhar. É este o meu apelo. Ao trabalho, camaradas”. Depois sistematiza os temas que serviriam de base para o trabalho a levar a cabo num “SISTEMA TEÓRICO DE SUPORTE DA DINÂMICA POLÍTICA DO PS-MADEIRA”, tais como os “Valores Socio-Culturais”; “Valores Ideológicos”; “Sistema Organizacional do PS-Madeira (...) uma organização em rede, onde a seiva do Partido (os militantes) percorra toda a estrutura”;  “Relações Inter-Pessoais (...) conduta valorizadora de toda a energia heurística (...)”; “Relações Institucionais” (Estado – Regiões –União Europeia – Região Autónoma da Madeira);  “Uma Autonomia Sóbria” (corresponde à doutrina de Herculano «da administração do País pelo País»).

Gil França começa por  referir que “a candidatura que sustenta a presente Moção nasceu da constatação da necessidade de uma candidatura abrangente, verdadeiramente aglutinadora do maior leque possível de sensibilidades, e, sobretudo, capaz de unir  o Partido em torno de um objectivo comum, incutindo-lhe a coesão, a disciplina, o sentido de responsabilidade e a força, indispensáveis para que se possa afirmar como uma real alternativa política da Região Autónoma (...) o único compromisso desta candidatura é para com a Região Autónoma da Madeira e nessa linha procuraremos fazer do PS-Madeira um instrumento acima de tudo ao serviço desta Região e apostado em assegurar uma real alternativa ao poder regional por que os madeirenses e portossantenses tanto anseiam”. Daí que, depois, enumerasse um conjunto de propostas com vista a uma conduta do PS-M centrada no “princípio da UNIDADE NA ACÇÃO”.

(continua)



sábado, 11 de abril de 2020



2ª Convenção (continuação)

Por sua vez, André Escórcio propôs-se «VALORIZAR OS MILITANTES, UNIR O PS, GANHAR A MADEIRA». Havia “necessidade de organizar o nosso PS-Madeira em todos os domínios: desde a sede (...) até aos órgãos e estruturas concelhias locais”.  Prevê “disciplinar o Partido acabando de vez com um PS-M de quezílias, discutido na praça pública e fora dos órgãos legitimamente eleitos”, defendendo “em todos os sectores da nossa intervenção política, sermos uma voz firme, frontal e credível, que não se confunda, em circunstância alguma, com o PSD” e pretendia “ganhar as próximas eleições Legislativas Regionais e as Autárquicas de 1997”. Também pretendia “um novo modelo de autonomia (...) de uma nova política Regional baseada numa nova visão do desenvolvimento (...) ou queremos um PS-Madeira que quer ganhar  eleições, ou, pelo contrário, queremos o regresso ao passado e à continuação das derrotas (...) daí que me comprometa ser um líder aglutinador de toda a família socialista empenhada na vitória”.

Nesta sequência, que fez retornar Jardim Fernandes à liderança, foram realizados os «Estados Gerais do PS-Madeira», onde foram debatidos os principais, muitos, temas que serviram de base ao programa eleitoral de Outubro. Durante  os meses de Junho e Julho, António Trindade coordenou uma série de debates, bastante participados com pessoas não militantes que intervieram ativamente naquela que foi uma inédita iniciativa, onde foi possível discutir com profundidade o Serviço Regional de Saúde, a Segurança Social, a Educação, a Cultura, o Desporto, a Economia e o Desenvolvimento, Questões Laborais, a Europa, o Estado, a Região e as Autarquias, o Planeamento e as finanças Regionais.

A 3ª Convenção Regional de 11 de maio de 1997, foi a última da série de convenções destinadas a eleger os órgãos regionais do PS-Madeira. Foi realizada quando ainda decorria menos de um ano do mandato dos órgãos eleitos na convenção anterior. A sua antecipação deveu-se ao facto de Emanuel Jardim Fernandes ter pedido a sua demissão de líder, logo após as eleições para a Assembleia Regional de 13 de outubro de 1996. Diga-se que esta demissão ocorreu mais pelo facto do PS-M não ter atingido os objectivos propostos do que por ter obtido um resultado abaixo do verificado em 1992. Pelo contrário, no Funchal subiu um mandato em relação ao anterior ato eleitoral. Mas a pressão e as críticas pelo “mau” resultado não se fizeram esperar por parte dos críticos de Jardim Fernandes que, tempos depois, considerou um erro ter pedido a demissão. Até porque deu azo a uma conjuntura de crise interna que, em vez de motivar uma candidatura de consenso, ditou o aparecimento de dois candidatos: Mota Torres e Gil França.

Com a fraca motivação de alguns militantes instigados a candidatar-se para não deixar Mota Torres sem oposição, não foi fácil convencer Gil França a aceitar aquele “serviço cívico”.  Confirmadas e postas no terreno as duas candidaturas, foi forte a concorrência para cada um tentar obter a maioria dos 61 membros da Comissão Regional, eleita directamente pelos militantes do dia 23 de fevereiro de 1997.
No fim do processo eleitoral, Mota Torres apenas obteve mais 107 votos que Gil França, razão pela qual este acabou por ser escolhido para Vice-Presidente, juntamente com Rita Pestana (da lista de Mota Torres). André Escórcio (também da lista de Mota Torres) ficou em Secretário-Geral.

(continua)

sábado, 4 de abril de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (8)

A 2ª Convenção do PS-Madeira de 28 de julho de 1996, teve lugar antecipadamente na sequência do pedido de demissão de Mota Torres. Um grupo de “amigos” tê-lo-ia pressionado a pedir a demissão pelo facto de ter anunciado publicamente que era candidato a presidente do Governo Regional nas eleições regionais que teriam lugar em outubro de 1996. É que ser Presidente do maior partido da oposição mas não ser natural da Madeira criou uma ebulição interna de tal grandeza que acabou por influir na decisão de entregar a carta de demissão ao presidente da Comissão Regional, João da Conceição, nas vésperas (Quarta-feira, dia 10 de Janeiro de 1996), da eleição para o Presidente da República, a ter lugar no dia 14 desse mês.
Com a saída “voluntária” de Mota Torres, o PS-Madeira ficou a ser gerido por uma Comissão de Gestão para preparar a Convenção. No meio de alguma contradição por parte de militantes que tinham apoiado Mota Torres, mas depois tiraram-lhe o tapete, a temperatura partidária era escaldante. Apesar disso, não houve abrandamento da crispação interna precisamente pelo facto de se perfilharem dois candidatos para a liderança: Emanuel Jardim Fernandes e André Escórcio.
No fundo, aquele retomava, se assim se pode dizer, o grupo tradicional de apoiantes, enquanto que André Escórcio juntava à sua volta o grupo de Mota Torres que aparecia em terceiro lugar na lista para a Comissão Regional.
Com as eleições directas, entre 8 e 10 de março de 1996, para eleger o líder e, em simultâneo, a Comissão Regional, saíu vencedor Emanuel Jardim Fernandes com 70% dos votos.
Por sua vez, no dia 24 de julho, a Comissão Regional elegeu os restantes órgãos regionais que preparariam as eleições regionais de outubro seguinte. Apesar das duas candidaturas opositoras, foi possível elaborar uma lista única para a Comissão Política.
 Por fim, realizou-se a Convenção que teve lugar no dia 28 de julho, em que houve algumas intervenções em vários domínios, nomeadamente no Planeamento e Ordenamento do Território; Economia e Desenvolvimento; Educação, Cultura e Desporto; Questões Institucionais; Trabalho e Solidariedade; Políticas de Juventude.
«UNIR O PS, PARA A MADEIRA GANHAR» era o título da moção de Jardim Fernandes, na qual afirmava que “O actual momento de crise no PS-Madeira que veio interromper o ciclo de crescimento aberto nas eleições  regionais de 1992 – ano em que o nosso grupo parlamentar passou de sete para doze deputados -  deve ser ultrapassado com a revitalização do partido. A solução deve ser procurada com o reforço do PS e com maior abertura à sociedade madeirense”. Também o “Interesse regional (...) no projecto de mais AUTONOMIA, melhor DEMOCRACIA e mais seguro DESENVOLVIMENTO justificam esta minha decisão de candidatura que é livre, desinteressada, determinada e assumida com convicção e satisfação”. Defendia uma linha baseada no “aperfeiçoamento da AUTONOMIA, de reforço da DEMOCRACIA e da criação de condições de DESENVOLVIMENTO da Região e da melhoria dos padrões de vida das populações da Madeira e do Porto Santo”. Termina afirmando que “com um PS coeso e forte, vai ganhar a terra em que vivemos e que todos nós amamos”.

Por sua vez, André Escórcio propôs-se «VALORIZAR OS MILITANTES, UNIR O PS, GANHAR A MADEIRA». Havia “necessidade de organizar o nosso PS-Madeira em todos os domínios: desde a sede (...) até aos órgãos e estruturas concelhias locais”…

(continua)