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domingo, 28 de maio de 2017


Da confiança à crise dos Bancos (69),

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Nos anos 70 do século XX, o BPA continuou um percurso de sucesso assinalável, tendo sido a primeira grande instituição financeira privada em Portugal. Essa posição foi alcançada graças à sua particular e diferente posição perante o mercado, para além da forma muito caraterística de contatar com os clientes, baseada no respeito e proximidade. Não escapando à nacionalização dos Bancos em 11 de março de 1975, o BPA alcançou em 1977 o capital e reservas no montante de 2 309 513 625$07 e o lucro líquido de 84 727 532$14.

O Relatório, Balanço e Contas referentes ao ano de 1978 refere: “o Conselho de Gestão procurou implementar, com maior rigor, o modelo de gestão já ensaiado em anos anteriores – gestão participativa por objectivos – apoiado no desenvolvimento de processos de planeamento e de controlo das actividades prosseguidas pelos diferentes Departamentos do Banco (…) Reconhece o Conselho de Gestão que, embora os resultados substanciais tenham sido conseguidos no ano de 1978 no tipo de gestão adoptado, há ainda um longo caminho a percorrer até se conseguir optimizar o aproveitamento dos recursos humanos e materiais do Banco”.

O BPA, já como empresa pública, seguiu sempre as orientações do Banco de Portugal, pelo que as atividades desenvolvidas no decorrer do ano de 1978 foram, sempre que necessário, reexaminadas com o propósito de mantê-las enquadradas nas políticas monetária e financeira definidas pelo Governo e nas orientações emanadas do Regulador. “No termo do ano de 1978, faltando três meses para completar o período anual coberto pela «Carta de Intenções», as estimativas mostram-se plenamente favoráveis no que respeita à realização do objectivo principal (…) Por isso mesmo, e porque o problema do défice externo continua a ocupar a primeira linha das preocupações do País, não será de esperar alterações substanciais na orientação e e na execução da política económica para 1979 (…) verificou-se um crescimento nos depósitos a prazo, entre o fim de Dezembro de 1977 e o fim do mesmo mês do ano passado, de 43,4%, enquanto os depósitos à ordem cresceram apenas 17,3% e a circulação de notas e moedas meramente 8,3%”.

Houve medidas complementares redutoras da liquidez dos bancos. Para além da política de limitações ao redesconto que prosseguiu, outros fatores tais como o aumento da percentagem das disponibilidades obrigatórias de caixa, bem como a obrigatoriedade de transferência para o Banco de Fomento Nacional de recursos captados pela banca comercial, sob a forma de depósitos a prazo. O BPA melhorou a cobertura geográfica do País e iniciou a extensão da prestação dos Serviços de Administração de Propriedades aos estabelecimentos da Província e o início do Seguro do Depositante. Desenvolveu o equilíbrio entre o crédito distribuído ao setor público empresarial e o atribuído ao setor privado da economia; apoio adequado às necessidades especiais das pequenas e médias empresas, no contexto do crédito; atenção especial aos emigrantes através de programas e incentivo na informação nos países de acolhimento, integrados na atividade no domínio internacional do banco.

O BPA alcançou em 1978 o capital e reservas no montante de 2 362 151 449$55. O resultado financeiro final foi de cerca de 2 060 mil contos, superior ao de 1977 em 566 mil contos, o que permitiu, para além do substancial reforço das provisões e das amortizações, o resultado líquido de 238 053 310$26.

(continua)


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (68),

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Ainda no ano de 1969, foi relevante o facto de o Presidente da Republica, Américo Tomás, ter condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Benemerência, Arthur Cupertino de Miranda, fundador e Presidente do Conselho de Administração do BPA, ao longo dos anos. A cerimónia teve lugar na Sessão Inaugural do Simpósio sobre Política Monetária e Creditícia.
No mesmo ano, a 19 de dezembro, Cupertino de Miranda foi agraciado com a Medalha de Ouro da Cidade, que o Presidente da Câmara Municipal do Porto lhe impôs em sessão Pública realizada nos Paços do Concelho.
O ano de 1969 foi de muita festa no BPA, por ter comemorado os 50º Aniversário da sua atividade (desde a Casa Bancária). O Palácio de Cristal do Porto foi o local escolhido para um grandioso almoço realizado no dia 25 de maio. Foi essa efeméride que levou o Conselho de Administração a salientar no Relatório Balanço e Contas daquele ano:
“Num ano seguramente mais trabalhoso, em que ao dinâmico esforço destinado a fazer progredir os negócios correentes do Banco houve que somar a desdobrante actividade de realçar com justo brilho o importante marco que o Cinquentenário da Instituição, são por nós devidos os mais rasgados louvores a todos os que nos coadjuvaram e asseguraram a execução dos nossos programas e directrizes”.
O início da década de 70 do século XX marcou a fase de ouro das elevadas taxas de lucro das instituições bancárias, bem como uma forte subida do volume de depósitos, com progressos muito acentuados pelo grau alcançado. O BPA relata em termos expressivos no Relatório e Contas de 1970 o seguinte:
“A apreciação conjunta dos Balanços de 1970 dos dois Bancos – Banco Português do Atlântico e Banco Comercial de Angola – permite entrever a vastidão de meios financeiros que orientam, e concluir acerca da importância que o controlo da nossa Organização reveste para a Economia Nacional. O total dos fundos próprios, e como tal contabilizados, exprime-se por uma verba que alcança mais de 1 milhão e 700 milhares de contos (…) o valor integral dos recursos alheios de que dispõe excede mais de 24 milhões e 600 milhares de contos. O Balanço consolidado dos dois estabelecimentos de Crédito seria também altamente alucidativo sobre a fonte de riqueza que a nossa Organização financeira constitui para o País. Com efeito, as receitas gerais ultrapassam 1 milhão e 500 milhares de contos, os lucros brutos – lucros líquidos nas provisões e amortizações – perfazem 289 milhares de contos, os lucros líquidos 119 milhares de contos. (…)”.
Naquele ano de 1970, o capital e reservas do BPA atingia o montante de 1 353 000 000$00. O volume de depósitos era de 19 954 683 933$00. Letras Descontadas 33 779 968 000$00. Lucro Líquido 85 896 336$00. No ano seguinte, o capital e reservas passou para 1 379 000 000$00. O volume de depósitos atingiu 23 526 812 773$00. Letras Descontadas 38 000 928 000$00. Lucro Líquido 92 354 220$00. Em 1972, o capital e reservas passou para 1 570 899 000$00. O volume de depósitos era de 28 609 731 729$00. Letras  Descontadas 42 543 211 000$00. Lucro Líquido 102 866 064$00.
No decurso dos últimos três anos os resultados brutos cresceram acentuadamente, sendo bastante visível o aumento do crédito pela via do desconto de letras, bem como o volume de depósitos atingido naquele último ano.
(continua)


domingo, 14 de maio de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (67)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Na sequência do primeiro resumo histórico do BPA/Millenium BCP, referido na passada semana, é relevante salientar que o BCP adquiriu o BPA em 1995, tendo-o absorvido em 30 de junho de 2000, constituindo, assim, o décimo primeiro maior banco de Portugal com 173 sucursais. Ficou para a história a marca BPA, após 58 anos de profícua atividade bancária, ou 81 anos se tivermos em conta a fundação da Casa Bancária Cupertino de Miranda & Irmão, criada em 14/05/1919, sem ignorar as metamorfoses de sucessos e de recuos próprias das diversas conjunturas nacionais e internacionais por que passaram todas as instituições de crédito.
No relatório do Balanço e Contas do BPA referente a 1968 é referido: “No relatório que precedeu a apresentação das contas relativas ao exercício de 1943, anunciava-se para 44 a celebração do 25º aniversário da Instituição, afirmando-se que a este período correspondia «uma actividade incessantemente exercida dentro do objectivo de bem servir a Economia Nacional». Seja-nos permitido pensar com legítimo orgulho que aquelas palavras têm igual cabimento na ação dos últimos 25 anos do Banco. Períodos distintos, sem dúvida: de consolidação, o primeiro, de expansão, o segundo. Mas em ambos a mesma insatisfação para mais e melhor relevantemente contribuir para o progresso do País”.
O BPA perpassou os anos da sua atividade com a II Guerra Mundial e seus efeitos no panorama nacional e internacional, e em que Portugal vivia a fase mais fértil da consolidação do Estado Novo e sofria moções de censura da ONU por não dar a independência às colónias ultramarinas. Nos balanços do exercício de 1962, 1968 e 1969 constam importantes dados estatísticos de anos anteriores, tais como: Capital e Reservas 15 320 000$00 em 1943, 81 000 000$00 em 1951, 262 500 000$00 em 1962, 940 000 000$00 em 1968, 1 066 000 000$00 em 1969; Lucros Líquidos 1 382 927$01 em 1943, 8 053 801$49 em 1952, 35 139 903$70 em 1962, 84 191 616$60 em 1968, 91 307 171$00 em 1969; Depósitos 49 326 942$88 em 1943, 645 826 585$80 em 1952 e 4 212 541 096$18 em 1962, 16 125 986 886$78 em 1968, 18 769 778 274$43 em 1969; Letras Descontadas 121 877 603$88 em 1943, 1 603 028 185$40 em 1952, 8 892 784 713$18 em 1962, 25 401 397 272$00 em 1968, 29 284 661 000$00 em 1969.
No Relatório e Contas do Exercício de 1968, o Presidente do Conselho de Administração do BPA, Arthur Cupertino de Miranda, subscreveu a seguinte declaração: “No limiar deste ano de 1969, em que o Banco Português do Atlântico celebra as suas bodas de oiro, desejo naturalmente endereçar uma palavra festiva e grata a todos os que, no decurso da vida da instituição têm contribuído com a sua colaboração, interna ou externa, para a sua grandeza. Criado em 1919 sob a modalidade social própria de Casa Bancária, com o capital de 100 mil escudos, ronda hoje, com as reservas, o milhão de contos e pertence ao número próximo dos 300 maiores Bancos do Mundo. Porque tive a honra de fundar, um e outro, e inalteravelmente presidir aos seus destinos, desejo aproveitar esta hora jubilosa para significar aos meus pares, como a todos os que têm colaborado na Obra, tão expressiva de possibilidades nacionais, o meu vivo e profundo agradecimento: São os accionistas com a sua confiança; São os dirigentes executivos; São os dedicados companheiros de trabalho; São as actividades económicas; São os órgãos governativos quando nos significam o seu apreço; São aqueles que em espírito acompanham o nosso devotamento ao lema que adoptámos: «apoio firme ao trabalho nacional, por um Portugal Melhor”.

(continua)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (66)

 

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Apesar de ter nascido na cidade do Porto, no último dia do ano de 1942, o Banco Português do Atlântico, S.A. (BPA) teve como antecedente direto a Casa Bancária Cupertino de Miranda & Irmão, fundada em 1919. Por sua vez, o Banco Português do Continente e Ilhas, que tinha sido fundado em Lisboa em 21 de junho de 1923, foi absorvido pelo BPA em 1950.
Da rica história do BPA consta que, em 1957, criou em Angola um empreendimento de 50% no Banco Comercial de Angola (BCA), “partilhando a propriedade com o Banco Belga de África, uma filial do Banco de Bruxelas.
Em 1965, o Banco Nacional Ultramarino, Banco Português do Atlântico, Banco de Angola e a empresa sul-africana Mineração Geral e Finanças (General Mining and Finance), fundaram o Banco de Lisboa e África do Sul, que posteriormente foi renomeado como Banco Mercantil de Lisboa. No mesmo ano, o BPA absorveu o Banco Raposo de Magalhães (fundado a 27 de julho de 1942, em Alcobaça)”.
Apanhado na onda da nacionalização dos bancos em Portugal, pelo Dec-Lei nº 132-A/75, de 14 de março, o BPA  absorveu, em 1 de janeiro de 1977, o Banco do Algarve, fundado a 18 de março de 1932 em Faro, e o Banco Fernandes Magalhães, fundado em 1954 na cidade do Porto, tendo em vista reedificar a atividade da Casa Bancária de Manuel Dias Sancho. O Banco Fernandes Magalhães foi o direto sucessor da Casa Bancária Fernandes Magalhães, fundada no Porto em 1905.
Em 1990, foi iniciada a privatização parcelar do BPA, primeiro em 33 por cento e, em 1995, a participação maioritária foi adquirida pelo BCP.
Em 1993, o BPA criou o BPA Brasil, após ter comprado, em fevereiro de 1992, o Banco Real do Canadá, no Brasil. O BPA instalou uma filial em Maputo, Moçambique, e assumiu de forma indireta o controlo da União de Bancos Portugueses (UBP) que tinha resultado da fusão dos Banco de Agricultura, Banco de Angola e Banco Pinto de Magalhães, pelo Decreto 3-A/78, de 9 de janeiro.
Em 1994, o BPA abriu uma agência de representação em Caracas e fundou uma sucursal nas Ilhas Caimão.
Em 1997, o Banco Wachovia adquiriu uma participação maioritária do Banco Português do Atlântico-Brasil com sede em São Paulo. Em 1998, o Banco Central Hispano (BCH) adquiriu os negócios do BPA em Espanha uma vez que o BCH era um parceiro do BCP.
No ano 2000, o BCP foi autorizado pela Corporação Federal Asseguradora de Depósitos (FDIC) a fundar o Banco BPA em Newark, na Nova Jérsia.
(continua)

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domingo, 30 de abril de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (65)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
Nos anos de 1996 e seguintes o Banco Totta & Açores seguiu a sua atividade normal, embora atingido pelas conjunturas que ocorreram no setor financeiro nacional e internacional. Naquele ano, apresentou um resultado com descida de 9% em relação ao do ano anterior, sendo, após os impostos, de 14,579 milhões de contos. Tal descida resultou sobretudo da queda de resultados extraordinários líquidos, que ano de 1995 havia registado o montante de 5,014 milhões de contos e que em 1996 atingiram o valor de 1,166. Cresceu 10,7% em termos de ativo líquido, com especial referência para o crédito sobre clientes, sustentado por um reforço de capitais próprios e equiparados através da emissão de 150 milhões de USD de ações preferenciais realizadas pelo Totta & Açores Financing, Ltd e 15 milhões de contos de obrigações subordinadas. O crédito vencido apresentou, naquele ano, um rácio de cobertura de 104% e o produto bancário atingiu 129,239 milhões de contos.

Durante o ano e 1996 foi completado o processo de reprivatização, através da venda de 13,216% do capital indiretamente detido pelo Estado, tendo comprado 50% da Sociedade Chemical SGPS, que detinha uma participação maioritária sobre o Banco Chemical Finance, que assumiria as funções de Banco de Negócios dentro do Grupo Totta. Com aquela reprivatização o grupo da seguradora Mundial Confiança (MC) ficou com 56,4% do BTA e, em 1998, o mesmo Grupo reforçou a sua posição através de OPT (Oferta Pública de Troca) de ações do Banco Pinto Sotto Mayor por ações do BTA, passando este banco a deter 94,4%.

Em junho de 1999, foi acordada a troca de 40% das holdings de Campalimaud que controlavam a Mundial Confiança, mas este acordo foi chumbado pelo Estado. Mas, em novembro seguinte, o Banco Santander assinou com Champalimaud um acordo de compra das participações do Grupo Mundial Confiança. O Grupo espanhol ficou com o BTA, que já controlava o CPP- Crédito Predial Português; o BPSM - Banco Pinto Sotto Mayor foi vendido ao BCP-Banco Comercial Português; a Mundial Confiança foi vendida à Caixa Geral de Depósitos.

No ano 2000, foi finalizado o processo iniciado em junho de 1999 com a compra pelo Banco Santander de 94,38% do capital do BTA, ficando mais fortes os Bancos Totta/CPP/Santander. Com a integração, em 2003, do CPP no BTA, este passou a ser o segundo maior grupo privado, tendo sido ampliado com a integração, em 2004, do Santander, conforme objetivos traçados por António Horta Osório, Presidente do Grupo TOTTA.

Na riquíssima história das metamorfoses por que passou o Banco da Madeira, consta que a presença do Grupo Santander em Portugal começou pela compra de 10% do BCI-Banco de Comércio e Indústria em 1988 tendo atingido a participação maioritária em 1993. O BCI foi constituído em 1985, sendo detido maioritariamente, em 1993, pela Ausant  Holding Geselschaft M.B.H. (grupo Santander).
O Banco Santander Totta surgiu da fusão em 2004 entre o Santander, o Banco Totta e Açores. Nesta fusão o Santander permaneceu como accionista maioritário, passando a instituição bancária a denominar-se Banco Santander Totta..
Em dezembro de 2015, o BANIF-Banco Internacional do Funchal  foi alvo de um processo de resolução, tendo sido vendidos ao Banco Santander Totta, por 150 milhões de euros, alguns ativos. 

(continua)

domingo, 23 de abril de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (64)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
O ano de 1995 marcou, na Madeira, uma importante efeméride do Banco Totta & Açores - o Banco da Madeira. Em consequência daquele aniversário, foi elucidativa a publicidade feita na imprensa regional ao referir:
“Da Madeira para o Mundo – Aqui nascemos, (em 1920). Naturais da ilha, tratámos sempre, melhor do que ninguém, as questões financeiras da população madeirense. Os anos 60, ao associarmo-nos ao Banco Lisboa & Açores, demos o primeiro passo a futura criação de uma sólida instituição bancária: o BANCO TOTTA & AÇORES. Uma nova dimensão com experiência, e competências garantidas, que nos levou a crescer por todo o mundo.
Hoje somos também na Madeira um serviço offshore, que proporciona aos emigrantes as melhores taxas para aplicação das suas poupanças.
Temos centenas de filiais espalhadas pelo “Continente”, Europa, América, África e Ásia.
Em todas elas, ouvimos atentamente os nossos clientes, para resolvermos todo o tipo de operações financeiras com eficácia e simpatia.
Por isso, se é com orgulho que hoje somos Banco Totta & Açores, só nos sentimos completos, quando acrescentamos … o Banco da Madeira”.
O BTA tinha na Madeira 15 estruturas de atendimento: Funchal (Largo do Chafariz – Posto de Câmbio no Hotel Santa Isabel – Estrada Monumental – Bairro do Hospital – Rua Oudinot – Rua da Carreira – Sucursal Financeira Exterior); Calheta (Estrela); Câmara de Lobos (Vila – Estreito de Câmara de Lobos); Machico (Vila); Ribeira Brava (Vila); Santa Cruz (Aeroporto); S. Vicente (Vila).

Ao longo de 1995, foram desencadeadas iniciativas de racionalização de custos e de reajustamento das participações financeiras, tendo entrado em funcionamento a TOTTAPensões e a reformulação de alguns fundos geridos pela TOTTAFundos, para além da implementação da metodologia do “valor em Risco” para “todos os activos e passivos sensíveis à taxa de juro”.
Na área comercial, “continuou o esforço da descentralização geográfica das Direcções Regionais que foi de par com uma revisão dos modelos de `scoring` e a introdução de numerosos `packages` de produtos, em especial no domínio do crédito ao consumo e das pequenas e médias empresas”.
Teve uma presença ativa na atuação da área dos `swaps` de curto prazo e na vertente obrigacionista, atravé da participação “em 32% das emissões de obrigações realizadas em 1995, com realce para a liderança conjunta nas emissões de obrigações realizadas pelo Parque Expo/98 e pela CP- Caminhos de Ferro Portugueses”.
Revela o Relatório e Contas daquele ano que “Ao longo de 1995, as acções do BTA continuaram a evidenciar um elevado nível de liquidez, tendo atingido uma frequência de colocação de 100% e um valor de transacções da ordem dos 31,1 milhões de contos. Em 29 de Fevereiro, o valor de mercado atingia os 176,2 milhões de contos. Considerando o início da privatização em 1989, as acções do BTA valorizaram-se em cerca de 14%, tendo em atenção os aumentos de capital e o pagamento de dividendos (…) da análise da situação económica e financeira, ressalta o bom nível de rendibilidade que continua a ser apresentado, não obstante a contínua redução das margens financeiras e o contexto económico ainda pouco favorável, que se traduziu na obtenção de um lucro líquido, atribuível ao BTA, de 17,2 milhões de contos  o final do exercício”.
Em 1995, foram alienadas as participações nas seguradoreas LUSITÂNIA VIDA, Companhia de Seguros, S.A., que tinha sido criada em 15/05/1987 (participação 18,60%) e na LUSITÂNIA, Companhia de Seguros, S.A., criada em 06/06/1986 (participação 16,15%).
(continua)

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domingo, 16 de abril de 2017


Da confiança à crise dos Bancos (63)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
O ano de 1994 foi marcado pela intervenção do Banco de Espanha no Banesto, principal acionista do Banco Totta & Açores. Apesar disso, este resistiu à má situação financeira do Banesto que, em 1993, teve um prejuízo de 577 milhões de pesetas (21 milhões de contos). A evolução da economia portuguesa foi caraterizada por uma diminuição da taxa de inflação e alguma retoma da atividade económica, resultante do crescimento das exportações.
O BTA continuou na linha da frente do sistema financeiro português, o que lhe valeu o acordo celebrado, em 28 de dezembro, entre António Champalimoud e o Banesto, a que aderiram um conjunto de sociedades portuguesas lideradas pelo Dr. Menezes Falcão “nos termos do qual o senhor António Champalimoud se propõe adquirir cerca de 50% do capital social do Banco”.
O Relatório e Contas de 1994 revelam que o resultado líquido do BTA foi de 19 231 769 000$00. No que aos resultados consolidados diz respeito, o resultado do Grupo Totta foi de 23 447 021 000$00.
 Em conjunto com o Crédito Predial Português, o BTA tinha uma rede nacional de 393 balcões e postos de câmbio; de escritórios de representação em Caracas, Milão, Joanesburgo, Luanda, Amesterdão e Toronto; de sucursais em Lodres, Macau, Luxemburgo, Guiné e Ilhas Cayman; uma gência em Nova Iorque; uma sucursal financeira exterior na Região Autónoma da Madeira; filiais em Newark e Naugatuck.

O BTA detinha um conjunto de participações em empresas, em cujo grupo financeiro constavam: CPP-Crédito Predial Português, S.A., adquirido em dezembro de 1992, participação no capital social de 47,80%; TOTTAGESPAR-Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A., constituída em 28/03/1972 sob a denominação de IMOBUR-Imobilizações Urbanas S.A., alterada para TottaGespar em 06/08/1990, participação 89,99%; DECA-Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A., constituída a 25/03/1985, participação 89,98%; TOTTARENT-Sociedadede de Aluguer de Veículos, S.A., anteriormente denominada LONGAUT, constituída em 10/03/1989, participação 80,98%; GESTIFUNDO, S.A., constituído em 04/05/1987, participação 89,94%; GERIGESTE-Sociedade de Gestão de Patrimónios, S.A., constituída em 13/12/1988, participação 84,04%; SIFTA-Sociedade de Gestão do Funco de Tesouraria Atlântica, S.A., constituída em 16/02/1989, participação 67,48%; TOTTAIMO -Sociedade de Locação Financeira Imobiliária, S.A., criada em 15/10/1991, participação 45,89%; TOTTAFACTOR- Sociedade Internacional de Aquisição de Créditos, S.A., criada 19/12/1990, participação 45,00%; TOTTAFINANCE-Sociedade Financeira, S.A., criada em 16/10/1987, participação 41,39%; SIEMCA-Sociedade Mediadora de Capitais, S.A., criada em 29/08/1986, participação 52,61%; TOTTALEASING-Sociedade de Locação Financeira Mobiliária, S.A., criada em 09/04/1992, participação 45,89%; TOTTADEALER-Sociedade Financeira de Corretagem, S.A., criada em 19/12/1990, participação 32,00%; TOTTAFIMO-Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, S.A., criada em 10/01/1992, participação 94,79%; Totta & Açores International, limited, criado em 12/10/1992, participação 100%; Banco Sandard Totta de Moçambique, S.A.R.L, criado em 02/07/1966, participação 48,29%; LUSITÂNIA VIDA, Companhia de Seguros, S.A., criada em 15/05/1987, participação 18,60%; LUSITÂNIA, Companhia de Seguros, S.A., criada em 06/06/1986, participação 16,15%; IMOVEST-Sociedade Gestora Imovest - Fundo de Investimento Imobiliário, S.A., participação 24,38%, através do CPP; MERMUL-Mercados Múltiplos, S.A, participação 47,80% através do CPP.
 (continua)