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sábado, 25 de abril de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (11)

3ª Convenção (continuação)

O conjunto de vetores assentava: 
- no “Ideário Político e a abertura à sociedade civil” (“é o ideário político que nos une e nos identifica e nos responsabiliza”);
- “O aparelho organizativo” (“o militante de base é o sujeito e o destinatário principal da acção politico-partidária do PS”);
- “O trabalho nas autarquias” (“a Associação de Autarcas Socialistas da RAM é fundamental para a formação técnica e política  dos autarcas”); 
- “O aprofundamento da Autonomia da Região” (“os valores e benefícios da Autonomia são um bem precioso (...) o seu aprofundamento e aperfeiçoamento será uma preocupação de todos nós”);
- “Um desenvolvimento harmonioso e humanizado” (“é necessário elaborar um aperfeiçoado modelo de desenvolvimento sustentado”), onde se inseriam:  um Plano Regional de Emergência Habitacional, Educação, Cultura, Ciência e Desporto, Ambiente, Segurança e Trabalho, Sector Primário, Comércio e Industria.

Chegado o dia 11 de maio de 1997, realizou-se a Convenção, onde foi discutido um importante documento, intitulado «O PODER LOCAL NA AUTONOMIA», elaborado com a colaboração de André Escórcio, António Loja, Arlindo Oliveira, Bernardo Martins, José António Cardoso, Mota Torres, Quinídio Correia, Rafael Jardim, Ricardo Freitas, Rui Caetano, Rui Rodrigues e Violante Matos.

IX Congresso Regional
Retomada a fase dos congressos, nos dias 27 e 28 de fevereiro de 1999 teve lugar o IX Congresso Regional, marcado por mais uma onda de contestação ao líder Mota Torres.
O álibi foram os resultados pouco favoráveis obtidos nas eleições autárquicas, especialmente no Funchal, realizadas em dezembro de 1997. Por sua vez, a proposta apresentada na Comissão Regional de 18 de fevereiro de 1998, que previa a demissão de Mota Torres, marcou o rumo do maior diferendo alguma vez verificado entre a Direcção do PS-M e a Direcção do Grupo Parlamentar. Precisamente porque, apesar da proposta ter sido subscrita por dezassete militantes, foi o primeiro subscritor, Fernão Freitas, líder do Grupo parlamentar, o principal alvo a abater.

Mas nem o novo congresso fez acabar a crise interna. As candidaturas a líder quaduplicaram, gorando-se qualquer tentativa de apresentar um candidato de consenso. Mota Torres recandidatou-se apresentando a moção «SERVIR A MADEIRA»; surgiu pela primeira vez o grupo do «Novo PS», liderado por João Carlos Gouveia, cuja moção intitulava-se «PARA UM NOVO  PS: PRIMEIRO A LIBERDADE»; Ricardo Freitas surgiu como primeiro subscritor da moção «UM PS DE TODOS E PARA TODOS»; Góis Mendonça apresentou-se com a intenção de «MUDAR COM DIGNIDADE».

Embora com estratégia sectorial, a JS apresentou uma moção intitulada «A MUDANÇA PASSA POR NÓS», para além de outras doze moções de âmbito também sectorial que abarcavam cada uma um tema específico da vida regional, apresentadas por vários congressistas.

Mota Torres disse ao DN de 27 de fevereiro de 1999 pretender “um debate de ideias com elevação”, virado para o exterior, porque “temos de perceber que o rival político é o PSD”;  João Carlos Gouveia afirmou-se “o homem certo para o lugar certo” porque Mota Torres “criou um clima de afectividade com os militantes e tem  o aparelho na mão (...) se fosse António Trindade a se apresentar, eu ganhava logo o congresso”;  Ricardo Freitas estava preocupado “com o nível em que o congresso possa decorrer  - à conta do radicalismo de alguns elementos da linha Torres e do Novo PS”;  Góis Mendonça apenas apresentou a moção para ter “tempo de antenna”.

(continua)



sábado, 18 de abril de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (10)

3ª Convenção (continuação)

Com esta coligação pós-eleitoral, parecia estar-se perante um PS-M finalmente unido e com bom augúrio para o futuro. Mais tarde, verificou-se que a unidade estava assente sobre areia movediça, apesar de cada uma das moções de estratégia política apresentar boas intenções para levar o PS-M a bom porto: Mota Torres comprometia-se «RESPEITAR O PASSADO, GANHAR O FUTURO», enquanto que Gil França pretendia «UNIR O PS, SERVIR A REGIÃO».
O extenso texto da moção de Mota Torres constata que “Vinte anos volvidos sobre as eleições que pela primeira  vez conduziram o PSD ao poder na RAM, não podemos fechar os olhos a tudo o que tem acontecido, como se a normalidade democrática estivesse a presidir  a uma numerosa sucessão de vitórias que a oposição, e particularmente o PS-M, se limitam a constatar e, num esforço intelectual de monta, tentam justificar. Apesar de todos os condicionalismos, e eles existem, o pior que, enquanto partido podemos fazer, é não reconhecer as nossas próprias responsabilidades, omissões e incapacidades, para fazer frente a uma poderosa organização política, como é o PSD, responsável máximo pelo poder regional e autárquico na Madeira há mais de duas décadas (...) só há PS-Madeira preparado para os desafios do futuro quando a opinião pública, globalmente, identificando-se ou não com o PS, reconheça nela uma organização atenta, séria idónea e capaz. Aí sim, está ganha a grande batalha da teimosia dos socialistas da Madeira e está aberto o caminho de um futuro mais risonho”.
Mais adiante salienta que “O grande desafio que se põe ao PS-M é saber ser um Partido político. É, no essencial, definir as suas finalidades, os seus objectivos, as suas estratégias, elencar os meios disponíveis e, trabalhar. É este o meu apelo. Ao trabalho, camaradas”. Depois sistematiza os temas que serviriam de base para o trabalho a levar a cabo num “SISTEMA TEÓRICO DE SUPORTE DA DINÂMICA POLÍTICA DO PS-MADEIRA”, tais como os “Valores Socio-Culturais”; “Valores Ideológicos”; “Sistema Organizacional do PS-Madeira (...) uma organização em rede, onde a seiva do Partido (os militantes) percorra toda a estrutura”;  “Relações Inter-Pessoais (...) conduta valorizadora de toda a energia heurística (...)”; “Relações Institucionais” (Estado – Regiões –União Europeia – Região Autónoma da Madeira);  “Uma Autonomia Sóbria” (corresponde à doutrina de Herculano «da administração do País pelo País»).

Gil França começa por  referir que “a candidatura que sustenta a presente Moção nasceu da constatação da necessidade de uma candidatura abrangente, verdadeiramente aglutinadora do maior leque possível de sensibilidades, e, sobretudo, capaz de unir  o Partido em torno de um objectivo comum, incutindo-lhe a coesão, a disciplina, o sentido de responsabilidade e a força, indispensáveis para que se possa afirmar como uma real alternativa política da Região Autónoma (...) o único compromisso desta candidatura é para com a Região Autónoma da Madeira e nessa linha procuraremos fazer do PS-Madeira um instrumento acima de tudo ao serviço desta Região e apostado em assegurar uma real alternativa ao poder regional por que os madeirenses e portossantenses tanto anseiam”. Daí que, depois, enumerasse um conjunto de propostas com vista a uma conduta do PS-M centrada no “princípio da UNIDADE NA ACÇÃO”.

(continua)



sábado, 11 de abril de 2020



2ª Convenção (continuação)

Por sua vez, André Escórcio propôs-se «VALORIZAR OS MILITANTES, UNIR O PS, GANHAR A MADEIRA». Havia “necessidade de organizar o nosso PS-Madeira em todos os domínios: desde a sede (...) até aos órgãos e estruturas concelhias locais”.  Prevê “disciplinar o Partido acabando de vez com um PS-M de quezílias, discutido na praça pública e fora dos órgãos legitimamente eleitos”, defendendo “em todos os sectores da nossa intervenção política, sermos uma voz firme, frontal e credível, que não se confunda, em circunstância alguma, com o PSD” e pretendia “ganhar as próximas eleições Legislativas Regionais e as Autárquicas de 1997”. Também pretendia “um novo modelo de autonomia (...) de uma nova política Regional baseada numa nova visão do desenvolvimento (...) ou queremos um PS-Madeira que quer ganhar  eleições, ou, pelo contrário, queremos o regresso ao passado e à continuação das derrotas (...) daí que me comprometa ser um líder aglutinador de toda a família socialista empenhada na vitória”.

Nesta sequência, que fez retornar Jardim Fernandes à liderança, foram realizados os «Estados Gerais do PS-Madeira», onde foram debatidos os principais, muitos, temas que serviram de base ao programa eleitoral de Outubro. Durante  os meses de Junho e Julho, António Trindade coordenou uma série de debates, bastante participados com pessoas não militantes que intervieram ativamente naquela que foi uma inédita iniciativa, onde foi possível discutir com profundidade o Serviço Regional de Saúde, a Segurança Social, a Educação, a Cultura, o Desporto, a Economia e o Desenvolvimento, Questões Laborais, a Europa, o Estado, a Região e as Autarquias, o Planeamento e as finanças Regionais.

A 3ª Convenção Regional de 11 de maio de 1997, foi a última da série de convenções destinadas a eleger os órgãos regionais do PS-Madeira. Foi realizada quando ainda decorria menos de um ano do mandato dos órgãos eleitos na convenção anterior. A sua antecipação deveu-se ao facto de Emanuel Jardim Fernandes ter pedido a sua demissão de líder, logo após as eleições para a Assembleia Regional de 13 de outubro de 1996. Diga-se que esta demissão ocorreu mais pelo facto do PS-M não ter atingido os objectivos propostos do que por ter obtido um resultado abaixo do verificado em 1992. Pelo contrário, no Funchal subiu um mandato em relação ao anterior ato eleitoral. Mas a pressão e as críticas pelo “mau” resultado não se fizeram esperar por parte dos críticos de Jardim Fernandes que, tempos depois, considerou um erro ter pedido a demissão. Até porque deu azo a uma conjuntura de crise interna que, em vez de motivar uma candidatura de consenso, ditou o aparecimento de dois candidatos: Mota Torres e Gil França.

Com a fraca motivação de alguns militantes instigados a candidatar-se para não deixar Mota Torres sem oposição, não foi fácil convencer Gil França a aceitar aquele “serviço cívico”.  Confirmadas e postas no terreno as duas candidaturas, foi forte a concorrência para cada um tentar obter a maioria dos 61 membros da Comissão Regional, eleita directamente pelos militantes do dia 23 de fevereiro de 1997.
No fim do processo eleitoral, Mota Torres apenas obteve mais 107 votos que Gil França, razão pela qual este acabou por ser escolhido para Vice-Presidente, juntamente com Rita Pestana (da lista de Mota Torres). André Escórcio (também da lista de Mota Torres) ficou em Secretário-Geral.

(continua)

sábado, 4 de abril de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (8)

A 2ª Convenção do PS-Madeira de 28 de julho de 1996, teve lugar antecipadamente na sequência do pedido de demissão de Mota Torres. Um grupo de “amigos” tê-lo-ia pressionado a pedir a demissão pelo facto de ter anunciado publicamente que era candidato a presidente do Governo Regional nas eleições regionais que teriam lugar em outubro de 1996. É que ser Presidente do maior partido da oposição mas não ser natural da Madeira criou uma ebulição interna de tal grandeza que acabou por influir na decisão de entregar a carta de demissão ao presidente da Comissão Regional, João da Conceição, nas vésperas (Quarta-feira, dia 10 de Janeiro de 1996), da eleição para o Presidente da República, a ter lugar no dia 14 desse mês.
Com a saída “voluntária” de Mota Torres, o PS-Madeira ficou a ser gerido por uma Comissão de Gestão para preparar a Convenção. No meio de alguma contradição por parte de militantes que tinham apoiado Mota Torres, mas depois tiraram-lhe o tapete, a temperatura partidária era escaldante. Apesar disso, não houve abrandamento da crispação interna precisamente pelo facto de se perfilharem dois candidatos para a liderança: Emanuel Jardim Fernandes e André Escórcio.
No fundo, aquele retomava, se assim se pode dizer, o grupo tradicional de apoiantes, enquanto que André Escórcio juntava à sua volta o grupo de Mota Torres que aparecia em terceiro lugar na lista para a Comissão Regional.
Com as eleições directas, entre 8 e 10 de março de 1996, para eleger o líder e, em simultâneo, a Comissão Regional, saíu vencedor Emanuel Jardim Fernandes com 70% dos votos.
Por sua vez, no dia 24 de julho, a Comissão Regional elegeu os restantes órgãos regionais que preparariam as eleições regionais de outubro seguinte. Apesar das duas candidaturas opositoras, foi possível elaborar uma lista única para a Comissão Política.
 Por fim, realizou-se a Convenção que teve lugar no dia 28 de julho, em que houve algumas intervenções em vários domínios, nomeadamente no Planeamento e Ordenamento do Território; Economia e Desenvolvimento; Educação, Cultura e Desporto; Questões Institucionais; Trabalho e Solidariedade; Políticas de Juventude.
«UNIR O PS, PARA A MADEIRA GANHAR» era o título da moção de Jardim Fernandes, na qual afirmava que “O actual momento de crise no PS-Madeira que veio interromper o ciclo de crescimento aberto nas eleições  regionais de 1992 – ano em que o nosso grupo parlamentar passou de sete para doze deputados -  deve ser ultrapassado com a revitalização do partido. A solução deve ser procurada com o reforço do PS e com maior abertura à sociedade madeirense”. Também o “Interesse regional (...) no projecto de mais AUTONOMIA, melhor DEMOCRACIA e mais seguro DESENVOLVIMENTO justificam esta minha decisão de candidatura que é livre, desinteressada, determinada e assumida com convicção e satisfação”. Defendia uma linha baseada no “aperfeiçoamento da AUTONOMIA, de reforço da DEMOCRACIA e da criação de condições de DESENVOLVIMENTO da Região e da melhoria dos padrões de vida das populações da Madeira e do Porto Santo”. Termina afirmando que “com um PS coeso e forte, vai ganhar a terra em que vivemos e que todos nós amamos”.

Por sua vez, André Escórcio propôs-se «VALORIZAR OS MILITANTES, UNIR O PS, GANHAR A MADEIRA». Havia “necessidade de organizar o nosso PS-Madeira em todos os domínios: desde a sede (...) até aos órgãos e estruturas concelhias locais”…

(continua)

domingo, 29 de março de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (7)

No PS-Madeira, foi a primeira vez que um candidato desistiu alegando métodos pouco democráticos, levados a cabo pelos dirigentes que dominavam o aparelho partidário. E infelizmente, a existência de tais métodos foi um facto porque os seus autores eram peritos em tais práticas.
Mota Torres ficou só na corrida à liderança com a sua moção «UMA AUTONOMIA PRESTIGIADA. A MADEIRA RESPEITADA». Os objectivos de 1993: «Unir, Prestigiar e credibilizar o PS-Madeira» não tiveram real expressão nos dois anos de liderança que estava prestes a terminar, apesar dos resultados obtidos nas eleições autárquicas e nas  europeias. Dadas as circunstâncias de recandidatura, a moção era mais pragmática do que a de 1993. Para o futuro, previa novo dinamismo porque tinha pela frente “dois anos para dinamizar (...) dois anos para mobilizar (...) uma estratégia para ganhar”.
Por sua vez, a moção de António Loja (que depois desistiu) intitulava-se «Um PS PARA TODOS». Lançava para o debate interno a questão do “Viver em democracia” e da existência de “Défice Democrático” na Região. Mas no plano interno, António Loja questionava: “Mas teremos nós autoridade moral para criticar os defeitos dos outros quando nós mesmos os admitimos na nossa casa? Será legítimo referir o défice democrático quando praticado pelo PPD e esquecer que nós mesmos toleramos algo de semelhante dentro do P.S/Madeira?”. Com uma estratégia para a acção futura, a moção confrontava os socialistas com várias questões de âmbito regional, nomeadamente quanto à luta “por uma TV de qualidade” e o desejo de lutar “por uma informação isenta”.  E terminava alertando: “Se os socialistas cederem, por exemplo, à moda do liberalismo económico e das privatizações sem freio; se os socialistas permitirem que o seu silêncio seja entendido como descrença na planificação ou como desistência na participação activa e dinâmica nos sectores básicos da economia, então estarão a atraiçoar as suas crenças, os seus valores e a sua ideologia. É por isso que é necessário mantermo-nos atentos às crenças, aos valores e às ideologias e tornarmos bem claro, agora que se discutem moções e se debatem estratégias, que, se uma estratégia inteligente e astuta nos pode conduzir à vitória eleitoral, a falta de coerência ideológica e o pragmatismo idiotizante nos conduzirão à derrota final e ao descrédito face aos cidadãos desta Região Autónoma”.
Como não podia deixar de acontecer, a desistência de António Loja motivou a não participação e a travessia do deserto partidário de muitos militantes nos novos órgãos. Apesar disso, nos 61 nomes da nova Comissão Regional, que elegeu Mota Torres como Presidente do PS-Madeira, figuravam os de João Conceição,  Duarte Caldeira, Fernão Freitas, Luís Amado, Maria Luísa Mendonça, Gil França, André Escórcio, Arlindo Oliveira, Emanuel Sabino Gomes, Rita Pestana, João Isidoro, Rafael Jardim, Jorge Martins, Quinídio Correia e Joaquim Ventura.

domingo, 22 de março de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (6)

VIII Congresso (continuação)
O texto salienta que “a unidade não é nem pode ser um artifício, nem ser apresentada ridiculamente, por razões de conveniência interna como sendo real, quando os acontecimentos se vão encarregando de dramaticamente as desmentir. O PS/Madeira tem vivido de há bastante tempo a esta parte um clima de falsa unidade (...) exige-se do PS/Madeira, na lógica imperiosa da sua unidade, do seu prestígio e da sua credibilidade perante o eleitorado, que os comportamentos individuais e colectivos sejam radicalmente diferentes dos que até aqui têm sido cultivados”. A determinada altura do texto é referido que “Em surdina, de momento a momento, «grita-se» a angústia. Pela nossa parte, bem alto respondemos, presente!”
O número de delegados ao Congresso, favorável a Mota Torres, era denunciador que este sairia vencedor, o que aconteceu, destronando, assim, Jardim Fernandes que, há treze anos consecutivos, liderava o PS-Madeira.

CONVENÇÕES

Uma mudança estatutária determinou a substituição do tradicional Congresso pela CONVENÇÃO. Dado que já tinham tido lugar duas convenções para tratarem de temas específicos, a 3ª CONVENÇÃO DO PS-MADEIRA (12 de Fevereiro de 1995) foi a primeira que se realizou nos novos termos. No dia 22 de Janeiro, nas estruturas de base, os militantes elegeram os delegados à Convenção e, em simultâneo, a Comissão Regional. Esta, por sua vez, no dia 5 de Fevereiro, elegeu o presidente do PS-Madeira com base em moções de orientação política, assim como elegeu os restantes órgãos regionais. Ou seja, no dia da Convenção, já todos os órgãos partidários estavam eleitos. No fundo, a Convenção serviu para analisar políticas a seguir daí em diante sem estar preocupada com o frenesim habitual dos congressos quanto à eleição dos dirigentes partidários. O tema que esteve em debate na Convenção foi «A REGIÃO, O ESTADO, A EUROPA», consubstanciado num texto aprovado pela Comissão Regional. Tratou-se de um importante documento que abarca questões como ”O DESENVOLVIMENTO DA MADEIRA NO CONTEXTO NACIONAL E EUROPEU”, a “REFORMA DO SISTEMA POLÍTICO”, “POR UMA POLÍTICA DE SOLIDARIEDADE E DE COESÃO NACIONAL”  e a “MADEIRA NA EUROPA”. Fala da  “Revisão da Constituição”, do “Combate à Corrupção e pela Transparência”, de “Um novo Regime Económico e Financeiro”, de “Uma Política de Transportes e Comunicações”, dos “Custos da Ultraperiferia”, do “POSEIMA” e dos “Desafios do Desenvolvimento”.
Mas esta mudança de modelo orgânico não evitou que aparecessem concorrentes à liderança:  Mota Torres recandidatou-se e surgiu um novo protagonista que foi António Loja. A campanha eleitoral não foi pacífica. António Loja viu e sentiu que o seu concorrente, Mota Torres, aproveitou a máquina partidária a seu favor. A desigualdade de meios levou António Loja a desistir da corrida no dia 12 de Janeiro, não chegando a apresentar listas para delegados nem para a Comissão Regional. A sua conferência de imprensa foi demolidora ao afirmar que houve uma “deliberada sonegação de listas de militantes que impediu contactos atempados com estes”; que os seus apoiantes “não vão pactuar, no PS/Madeira, com comportamentos anti-democráticos”;  que “o PS não pode copiar os métodos do PPD” nem “pactuaremos, no PS/M, com qualquer clientelismo. O clientelismo deve continuar a ser monopólio do PPD. Não pactuaremos, no PS/M, com qualquer culto da personalidade. Este deve ser exclusivo  do ditador da aldeia, Alberto João Jardim”.

(Continua)


terça-feira, 17 de março de 2020


PS-Madeira – Estruturas, Congressos e Líderes (5)


Com o VIII CONGRESSO (13 e 14 de Fevereiro de 1993) surgiu nova (des)ordem interna quanto à concorrência pela liderança. Emanuel Jardim Fernandes e Ricardo Freitas retomaram a apresentação de moções de orientação política global e listas separadas para a Comissão Regional. Sérgio Abreu e João Paulo Gomes, pela Juventude Socialista, também subscreveram uma moção global, embora não tivessem em vista concorrer à liderança do Partido.
Para além dos dois primeiros, não se perspetivava outra candidatura. Só que uma terceira estava a ser preparada, há algum tempo, na “clandestinidade”. Tratava-se do chamado «Grupo dos Cinco», liderado por Mota Torres que nos congressos anteriores tinha alinhado sempre ao lado de Jardim Fernandes. Esta candidatura deveu-se a um ajuste de contas com Emanuel Jardim Fernandes pelo facto deste não o ter integrado no primeiro lugar da lista de deputados nas eleições para a Assembleia da República, realizadas em 6 de Outubro de 1991. A oposição de Mota Torres a Jardim Fernandes começou precisamente no dia em que a Comissão Regional, realizada no dia 14 de Abril de 1991, rejeitou a lista alternativa apresentada por aquele. A lista, com Mota Torres à cabeça, integrava Quinídio Correia, Sousa Melo (este aí incluído na sequência de um acordo entre o proponente e o grupo «Mais Ilhéus, Menos Ilhas»), Duarte Teives e Carlos Varela.
Neste congresso, que foi antecedido por uma agitação interna e por críticas a Jardim Fernandes, estavam em cena quatro moções de estratégia política. A de Jardim Fernandes, denominada «CONTINUAR A CRESCER, GANHAR A MADEIRA», com um pendor regionalista, retomava a necessidade de “inovar na organização interna do PS, o seu relacionamento com a sociedade”, além das orientações políticas que se deve defender e apoiar para “fazer crescer o nosso Partido e levá-lo a assumir um mais relevante papel na sociedade madeirense”.
 Ricardo Freitas propôs na «PRIMEIRA SOLUÇÃO» um “projecto global de mudança” para o PS-M, “aproximar os militantes ao partido (...) fazê-los participar activamente na vida partidária”. Previa uma “alteração revolucionária” dos estatutos  do partido e a criação de uma “FRENTE DEMOCRÁTICA”,  liderada pelo PS e que englobasse todos os partidos da oposição.
Sérgio Abreu e João Paulo apresentaram a moção «PENSAR A MADEIRA», afirmando “Precisamos  de rejuvenescer e renovar métodos, processos e a mentalidade de muitos militantes para que se deixe de viver menos as questões internas, lutas desnecessárias que o tempo se encarrega de demonstrar que  são inúteis” e que “O PS deve formar rapidamente um governo sombra demonstrando desta forma que é a única real alternativa à maioria na RAM”. 
A moção «RECRIAR A ESPERANÇA – DECISÃO INADIÁVEL» tinha como subscritores, por ordem alfabética, Carlos Varela, Duarte Caldeira,  Gil França,  João Isidoro, Joaquim Ventura, Mota Torres, Quinídio P. Correia e Rita Pestana. Começam por afirmar que “Ser socialista é uma atitude e um estado de espírito (...)”.  “Aos subscritores impunha-se a assumpção de uma atitude de desassombro e inconformismo que permitisse transformar esta reunião magna dos Socialistas  da Madeira e do Porto Santo, num momento de animado debate de ideias, confronto de opiniões e escolhas que consequentemente dele(s) resulte”.
Salienta que “a unidade não é nem pode ser um artifício, nem ser apresentada ridiculamente, por razões de conveniência interna como sendo real, quando os acontecimentos se vão encarregando de dramaticamente as desmentir (…)”.