Bancos Criados na Madeira que
Desapareceram (29)
«BANCO DA MADEIRA» - A
criação do Banco da Madeira constituiu acontecimento financeiro e económico na
Madeira que a edição do dia 08/05/1920 do «Diário de Notícias» refere: “Tem já
as suas instalações provisórias, realizada a percentagem de 20% sobre os 2.000
contos, que será o arcaboiço financeiro da sua primeira fase, nomeados os seus
directores que são incontestavelmente dos nomes que mais podem satisfazer as
melindrosas exigências da praça, redigidos os seus estatutos que vão na
obediência à orientação moderna, feita a sua constituição provisória, em
conformidade às prescrições da lei, espera tão somente a satisfação de meras
formalidades da burocracia, para poder desde já iniciar as suas funções, o
anunciado Banco da Madeira”
Em fevereiro de 1921, o Banco da Madeira eleva para
400 contos o seu capital social. Facto que foi reconhecido por todos os sócios
que o Banco, nas condições em que se fundou, vive e se desenvolve,
representando o equilíbrio da praça madeirense. O Relatório e Contas de 1921,
publicado em 19/01/1922, constata o positivismo dos resultados da nova
instituição bancária regional. Assinado pelos diretores Pedro José Lomelino e
Romano Marques Caldeira, o Relatório salienta: “Cumpre-nos confessar que não
foi isenta de preocupações a nossa gerência, porquanto as sucessivas e bruscas
oscilações cambiais exigiram de nós muita ponderação e reflectido cálculo em
todas as transacções (…) conseguimos também satisfazer aos instantes pedidos de
crédito da nossa já hoje considerável clientela, correspondendo, assim, ao
objectivo a que presidiu a fundação do Banco da Madeira, o qual foi ajudar na
máxima largueza o comércio, pois que da classe comercial lhe tinha vindo toda a
coesão e unidade”.
O lucro líquido do exercício de 1921 atingiu
636.463$16, quase o triplo do lucro de 1920 (257.912$33). Mas de acordo com o
relato feito aquando das comemorações do 75º aniversário (já como Banco Totta
& Açores), “Os exercícios que se seguiram a 1921 não parecem, no entanto,
haverem decorrido da forma provavelmente mais desejada pelos construtores do
Banco da Madeira, o que aliás nem chega a surpreender, tendo em conta a
situação de grave crise financeira e de instabilidade política que então se
vivia. Porém, o Banco da Madeira lutava com falta de capitais próprios e os
capitais alheios tinham pouca expressão, sendo, por outro lado, pouco
significativas as transacções comerciais”.
O Relatório de 1927 destaca que “Não obstante a crise
por que tem passado o distrito não se ter ainda dissipado, o nosso lucro
líquido tem sucessivamente aumentado desde 1925. Esse resultado bem demonstra a
confiança com que o público continua a dispensar a este organismo bancário e
que esperamos se acentue cada vez mais. A já sete anos de distância, os lucros
líquidos surgiram agora aumentados de apenas cerca de trinta contos, diferença
que, reflectindo uma certa contracção e abrandamento, parece ter feito esbater
um pouco o entusiasmo inicial”.
A explicação para a crise que atingiu a economia
regional foi dada pelo Conselho Fiscal do Banco da Madeira - constituído por
João de Freitas Martins, João Anacleto Rodrigues e Francisco Alexandrino
Rebelo: “Apesar do louvável esforço da Direcção no exercício de 1927, a crise
que o comércio e indústria atravessaram havia criado a todas as instituições bancárias
uma situação embaraçosa e difícil, situação calamitosa da praça, a qual não
permitira uma desmobilização tão rápida quanto seria de desejar”.
(continua)
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