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sábado, 18 de agosto de 2018


Bancos Criados na Madeira que Desapareceram (18)
A promessa do BANIF–Banco Internacional do Funchal S.A. de aumentar o capital em 450 milhões, a subscrever por privados para que o Banco voltasse a ter maioria do capital privado, não foi cumprida nas fases previstas. Em 26/6/2013, alguns acionistas subscreveram 10 mil milhões de ações a um cêntimo cada, totalizando 100 milhões de euros. Até o final daquele mês, o BANIF deveria devolver ao Estado 150 milhões de euros por conta dos 400 milhões emprestados, mas tal não aconteceu por não ter sido possível encontrar financiadores, tendo sido pagos a 29 de agosto daquele ano. Quando em 5 de agosto ficou concluída a subscrição feita por empresas e pessoas em nome individual, o BANIF ficou a 209,3 milhões de euros de sair do controlo público. E em meados de outubro ainda faltavam 137 milhões! Na assembleia geral de 16/09/2013, foi aprovado o aumento de capital do BANIF com entradas em espécie no montante de 198.997.921,88 euros, ficando o capital em 1.709.697.921,88 euros.
Em 30/05/2013, na assembleia geral do BANIF a informação pública dada por Jorge Tomé foi a de que faltavam “pequenos detalhes técnicos para fechar o plano de reestruturação que está a ser negociado com Bruxelas e que definirá a estratégia do banco até 2017. De relevante em matéria das principais linhas de força do plano de reestruturação e das linhas estratégicas do banco para o futuro, está fechado (…) pensamos que nos próximos dias está fechado com a Direcção-Geral da Concorrência”. Mas no final daquele ano, o BANIF ainda aguardava a decisão da Comissão Europeia quanto ao plano de reestruturação.
Entretanto, o BANIF agravou os prejuízos no primeiro semestre de 2013, com um resultado líquido negativo de 196 milhões de euros, devido ao aumento das dotações para provisões e imparidades, na ordem dos 222 milhões de euros, decorrente da “operação creditícia do Brasil” e do “reforço adicional na área doméstica resultante de uma auditoria prudencial transversal a todos os bancos realizada por indicação do Banco de Portugal”.
Em 30/05/2014 a assembleia geral aprovou as contas do exercício de 2013 com o resultado negativo em 494 milhões de euros. A nova fase do BANIF foi encerrar agências, tendo sido encerradas 86 em 2012 e 2013 e estavam previstas mais 60 em 2014. E foram dispensados 611 trabalhadores, por mútuo acordo, naqueles dois anos e estava previsto dispensar até 300 em 2014.
O BANIF iniciou o ano de 2014 com a realização de uma emissão de títulos que se referem a uma operação de securitização (uma operação em que o ativo não é dívida do próprio Banco). Tratou-se de agrupar carteiras de crédito a pequenas e médias empresas “originadas pelo Banco de Portugal e depois vendeu-as a investidores”. De acordo com o «Jornal da Madeira», de 25/01/2014 “Na operação liderada pela StormHarbour (Boutique financeira que ajudou o IGCP no processo dos ´swap´ de empresas públicas) e pela unidade de investimento do Banif, o banco registou uma procura equivalente a 700 milhões de euros, 1,6 vezes acima das obrigações colocadas, avaliadas em 438 milhões (…) a emissão foi subscrita por cerca de 30 investidores provenientes de diversas geografias europeias (Reino Unido, Suíça, Itália, Alemanha, Holanda, França, Bélgica, Portugal e EUA). Em causa estarão investidores como seguradoras, fundos de pensões e fundos de investimento (…) está assim confirmada a capacidade do Banif, de uma forma sustentada, aceder aos mercados de captação de recursos internacionais em condições muito competitivas e favoráveis”.
(continua)



Bancos Criados na Madeira que Desapareceram (17)
Da Assembleia Geral anual do BANIF – Banco Internacional do Funchal (Grupo Financeiro), realizada no dia 30/05/2012, saiu a informação de que, em breve, seriam iniciadas negociações com o Governo da República para acertarem os valores necessários à recapitalização do Banco. O dinheiro viria do fundo de 12 mil milhões de euros que havia sido estipulado aquando do empréstimo a Portugal pela troica, na quantia de 78 mil milhões.
A quantia avançada, como sendo necessária para a recapitalização, foi de 500 milhões de euros, incluindo obrigações dos acionistas privados. Jorge Tomé, presidente da Comissão Executiva do Banif salientou: “Temos previsto no plano de recapitalização, que faz parte do nosso projecto estratégico mais global, é capitalizar o Banif S.A. e não o Banif SGPS. Vamos concentrar quase toda a actividade bancária no Banif S.A., pois vamos operar uma grande reestruturação societária, no sentido de simplificar o grupo”.
No dia 08/10/2012, nova assembleia geral decidiu a fusão incorporando a “holding” Banif SGPS no Banif – Banco Internacional do Funchal, SA., concretizada no dia 17 de dezembro daquele ano. Trata-se de uma reviravolta do que foi acontecendo ao longo dos anos, em que o Banif (Banco) chegou a ser a terceira empresa do grupo financeiro Banif. Uma vez desaparecida a Banif SGPS, a nova estrutura recolocou o Banif - Banco Internacional do Funchal, SA na cabeça do Grupo, acima do Banif Mais (de crédito especializado), da seguradora Rentipar, do Banif Investimento e do Banif Brasil. Entrava, assim, a nova fase com a previsão de encerrar balcões do Banco, acabando por fechar 42, e a dispensa de 300 funcionários.
Quando em 19/11/2012 o BANIF – Banco Internacional do Funchal, S.A. organizou em Caracas o XI Encontro de Gerações, Jorge Tomé afirmou aos cerca de 400 participantes no encontro: “Portugal tem um sistema financeiro robusto, cujos bancos nunca se envolveram em `activos tóxicos´ nem na ´bolha imobiliária´. Para além disso, o nosso país cumpriu já uma série de passos importantes, faltando apenas vencer a ´batalha do crescimento económico´ (…) o Banif tem hoje 5 mil accionistas e temos de triplicar esta base (…) somos a maior marca na Madeira, somos o maior banco nas Regiões Autónomas e junto das comunidades portuguesas – sobretudo Venezuela, África do Sul, Estados Unidos e Canadá. Contamos com todos no processo de recapitalização. Será certamente um bom investimento com retorno considerável a prazo. O BCP e o BPI são disso exemplo” (DN, 21/11/2012).
O prazo previsto para a recapitalização do Banif, pedido pelo Banco de Portugal que fosse até o final de 2012, teve de ser adiado para 2013, havendo também alteração no montante necessário. Em dezembro daquele ano, o Governo da República anunciou que iria participar na recapitalização, atribuindo 700 milhões de euros através da subscrição de ações especiais e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, tendo notificado a Comissão Europeia a 11 daquele mês. A assembleia geral, realizada no dia 16/01/2013, aprovou o reforço de capitalização daquele montante público. Mas estavam previstos mais 450 milhões, numa segunda fase, a subscrever por privados para que o Banif voltasse a ter maioria do capital privado. A intervenção do Estado no Banif foi autorizada pela Comissão Europeia em 21/01/2013, passando o Estado a ser o acionista maioritário (mais de 90%), tal como aconteceu quando foi criado em 15 de janeiro de 1988.
(continua)

domingo, 5 de agosto de 2018


Bancos Criados na Madeira que Desapareceram (16)
No dia 21/03/2011, ocorreu nova etapa no BANIF – Banco Internacional do Funchal, SA, ao ter entrado para o índice PSI 20, com 570 milhões de ações, juntando-se aos Bancos cotados: BPI, BES e BCP. Naquele primeiro dia, foram transacionadas 359.920 ações do BANIF, valorizando 1,136% sobre 0,89 euros, passando para 0,90 euros por ação.
A partir da Assembleia Geral de acionistas da Banif SGPS, SA, realizada no dia 15/04/2011, surgiram informações de venda de participações noutras empresas, bem como fecho/deslocações de agências. A notícia dada pelo «Jornal da Madeira», de 16 de abril, refere que Marques dos Santos, presidente do conselho de administração, destacou factos relevantes de 2010 respeitantes: “à venda de 70% da «Banif corretora de valores» no Brasil à Caixa Geral de Depósitos, ainda não traduzida nas contas, uma mais-valia de 28 milhões de euros”; “venda da participação no Finibanco”; “compra da Global e Global Vida, pela Companhia de Seguros Açoreana, uma fusão que representa um reforço na área seguradora”; “aumento de capital na Banif SGPS, de 80 milhões de euros; “aumento de capital do Banco em 214 milhões (o que levou à subida do rácio); “o activo líquido do grupo cresceu 8,9% e atingiu cerca de 16 mil milhões de euros”; “o crédito cresceu 5,9%, 700 milhões de euros; “os recursos de clientes cresceram 18,5%, 1,4 mil milhões de euros, que representa o dobro do crédito”; “o Banif não vai encerrar agências a Madeira, o que está a acontecer são deslocações de agências como aconteceu na Ponta do Sol e na Penteada, a nível nacional é pontual, (três encerraram no primeiro trimestre de 2011, mas outras abriram)”.
Quando em maio de 2011 o BANIF – Banco Internacional do Funchal organizou em Caracas o X Encontro de Gerações, em parceria com os jornais «CORREIO da Venezuela» e «Diário de Notícias» da Madeira, o administrador do Banif, Machado Andrade, garantiu aos mais de 500 participantes no encontro: “A saúde financeira do Banif nunca esteve em causa, pelo que os esforços da administração estão concentrados em prestar um melhor serviço aos seus clientes (…) o sistema financeiro português está de boa saúde e recomenda-se, apesar do momento difícil que Portugal atravessa actualmente” (in DN, 25/05/2011).
O ano de 2012 marcou nova e profunda mudança na administração no Grupo Banif. E verificou-se a saída do índice PSI20. Luís Amado passou a presidente do Conselho de Administração do Banif SGPS, SA, por indigitação da Rentipar Financeira, “holding” dos herdeiros do comendador Horácio Roque, que detém a maioria do capital. Para o lugar de presidente executivo (CEO) do Grupo Banif entra Jorge Tomé que foi administrador da Caixa Geral de Depósitos. Com a mudança verificada na assembleia geral extraordinária, realizada no dia 22 de março, saíram Marques dos Santos e Carlos Almeida, que vinham exercendo funções desde a morte de Horácio Roque. A assembleia geral extinguiu o Conselho Consultivo e criou um novo órgão designado Conselho Superior Corporativo, que foi presidido por Maria Teresa Roque. A Mesa da Assembleia Geral é presidida por Miguel José Luís de Sousa.
 Um novo retrocesso do Banif verificou-se com a saída do PSI20, devido à Nyse Euronext de Lisboa ter decidido tal saída por razões de desvalorização das ações em 65,5%, devido às fortes quedas do setor bancário em 2011. Em lugar do Banif, passou a integrar o PSI20 a Espírito Santo Financial Group, a holding que controla o BES.
(continua)

domingo, 29 de julho de 2018


Bancos Criados na Madeira que Desapareceram (15)
Em 16/01/2010, o «Jornal da Madeira» noticiou: “Banif lança corretora para gerir carbono”. Parecia tratar-se do Banif – Banco Internacional do Funchal, SA. Mas não. A notícia tratava do Banif Banco de Investimento, SA. do Grupo Banif. Artur Fernandes, presidente do Banif Banco de Investimento, disse que “Vamos lançar, em conjunto com a Fomentinvest, a primeira corretora de carbono em Portugal, com 50 por cento a cada um da nova corretora” chamada «Banif Ecoprogresso Trading (Ecotrader) a ser presidida por Ângelo Correia, presidente da Fomentinvest, juntamente com mais dois administradores, “Carlos Jorge do Banif Banco de Investimento e Paulo Caetano, da Ecoprogresso”. Quem era a Fomentinvest? Tratava-se de uma empresa que atuava nas áreas do ambiente, energia, mercado do carbono e mudanças climáticas. Tinha como acionistas: Fundação Ilídio Pinho, com 21,2%; Caixa Capital, 15,4%; Espírito Santo Capital, 15,4%; Millennium BCP, 25%; IP Holding, 15,4%; Banif Banco de Investimento, 7,7%; Fundação Horácio Roque, 7,7%; BAI-Banco Africano de Investimentos, 1,9%. Outra afirmação de Artur Fernandes: “O Banif Investimento será o banco depositário dos accionistas da sociedade «Ecotrader» e «adviser» para os investimentos”.
Apesar da substituição temporária de Horácio Roque de presidente do Conselho de Administração do Grupo Banif por motivos de doença por Marques dos Santos, manteve-se a confusão total usando a expressão Banif significando Grupo Banif, embora parecendo ser o Banif–Banco Internacional do Funchal, SA, criado em 1988.
Na Assembleia Geral, realizada no Funchal em 31/03/2010, tudo foi referido relativamente ao Banif Grupo Financeiro: teve em 2009 resultados líquidos de 54,1 milhões de euros; o valor do crédito concedido a clientes elevou-se a 11,8 milhões de euros; os depósitos de clientes ascenderam a 6.743 milhões de euros; o produto total da atividade do Grupo Banif em 2009 atingiu 509,1 milhões de euros, “um aumento de 8,3%” em relação a 2008. Nenhuns dados específicos foram referidos acerca do Banif – Banco Internacional do Funchal, SA, tendo sido dito que em 31/12/2009 o Banif Grupo Financeiro tinha “371 agências bancárias em Portugal” e tinha ao seu serviço “4.102 empregados, contra 3.574 em 2008”.
Em meados de maio de 2010, a morte de Horácio Roque correspondeu a alterações profundas nos órgãos de gestão, embora mantendo-se nela praticamente os mesmos gestores, quer do Grupo Banif, quer no BANIF– Banco Internacional do Funchal, S.A. que ajudou a criar (quando em 15/01/1988 foi criado o BANIF para evitar a Falência da Caixa Económica do Funchal, Horácio Roque era o maior acionista privado, sendo o Estado o detentor da maioria do capital social.
Em 29 de dezembro de 2010, a Assembleia Geral decidiu aumentar o capital social de 566 milhões de euros para 780 milhões. De acordo com a comunicação à CMVM – Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, “o aumento de capital foi já integralmente realizado, através de uma entrada em dinheiro no montante de 214 milhões de euros, efectuada pela Banif Comercial, SGPS, SA, a qual subscreveu a totalidade das 42.800.000 novas acções emitidas, pelo que a Banif -SGPS, SA, holding de topo do Banif – Grupo Financeiro mantém o controlo (indirecto) de 100% do capital social e direitos de voto do Banif – Banco Internacional do Funchal, SA”. Tal aumento provocou o aumento do Rácio Tier I do Banif para perto de 10%, percentagem acima do mínimo exigido de 8% pelo Banco de Portugal.
(continua)

Bancos Criados na Madeira que Desapareceram (14)
Em 2009, falar do BANIF não significava referir-se ao BANIF – Banco Internacional do Funchal, S.A., criado em 15/01/1988. Havia uma confusão total quando Horácio Roque usava a expressão BANIF. A referência era dirigida ao Banif SGPS, S.A., ou ao Banif Grupo Financeiro que incluía outros Bancos: Banif Açores; Banif-Banco de Investimento; sociedades financeiras participadas pelo Banif SGPS, SA.
Em 16/01/2009, o «Jornal da Madeira» (JM) deu noticiou: “Por estes dias, a agência de notação financeira Fitch reiterou o nível de risco do Banif e de uma perspetiva de evolução estável para esse risco, de acordo com uma nota sobre a instituição financeira portuguesa. O “rating” (uma medida de risco de incumprimento do crédito) de longo prazo do Banif está em “BBB+” e o “outlook” (perspectiva de evolução desse rating” permanece estável”.
O mesmo jornal, de 10/03/2009, cita Horácio Roque que afirma: “Vamos levar à Assembleia Geral de 31 de Março a proposta de aumento de capital de 350 para 500 milhões de euros (…) com o objectivo de reforçar os rácios de capital para cumprir a recomendação do Banco de Portugal, ou seja chegar aos 8 por cento de capitais próprios de base, que no final de 2008 eram de 6,84 por cento”. As notícias da assembleia geral, (JM, de 01/04/2009) são de uma verdadeira confusão entre Banif (Banco) e Banif SGPS e Banif Grupo Financeiro: “Na Assembleia geral Anual de Accionistas da Banif SGPS, SA, ontem, o Conselho de Administração do Banif – Grupo Financeiro, presidido pelo comendador Horácio Roque, apresentou no Funchal o Relatório e Contas referente ao exercício de 2008”. Horácio Roque salientou a “autorização dos accionistas ao Conselho de Administração para que, quando achar conveniente, proceder a um aumento de capital de 350 para 500 milhões de euros (…) o Grupo Financeiro teve o ano passado alguns movimentos dignos de registo, nomeadamente a absorção pelo Banif do Banco Comercial dos Açores, que passou a chamar-se Banif Açores”; “os resultados líquidos consolidados da Banif-SGPS, “holding” do Banif – Grupo Financeiro, elevam-se a 59,2 milhões de euros no exercício de 2008, o que traduz uma diminuição de 41,4% quando comparado com o resultado obtido em 2007”; O ativo líquido do Banif – Grupo Financeiro totalizava 12.876,6 milhões de euros, em 31/12/2008, “registando um crescimento de 19,7% face ao final do ano anterior”; “O crédito concedido a clientes elevou-se a 10.409,7 milhões de euros, superior em 18,1% ao valor registado em 2007. Os depósitos de clientes cresceram 20,4% relativamente a 2007”; “O produto da actividade do Banif – Grupo Financeiro atingiu 470 milhões de euros em 2008, registando uma subida de 5,9% em relação ao ano anterior”.
No primeiro trimestre de 2009, o Banif (grupo financeiro) teve um prejuízo líquido de 0,9 milhões e euros, devido a uma imparidade registada naquele trimestre, de 16,1 milhões de euros, relativa à participação financeira no Finibanco; em 10 de julho, a Assembleia Geral do Banif SGPS aprovou a compra de 90% do «Banco Mais» que era detido 100% pela Tecnicrédito SGPS, SA. Esta era detida maioritariamente pelo Grupo Auto Industrial, operador do retalho automóvel. Para aquela aquisição e a do Banco PLUS, na Hungria, a Assembleia Geral do BANIF – Banco Internacional do Funchal, na sequência da Assembleia Geral do Banif SGPS de 10 de julho, aumentou o capital em 140 milhões de euros, passando a ter um capital de 490 milhões de euros e ficou com capitais próprios de 950 milhões de euros.
(continua)  

Bancos Criados na Madeira que Desapareceram (13)
Em fevereiro de 2007, Horácio Roque, presidente do BANIF, anunciou que a holding Rentipar iria alienar 10% do capital que detém no Banco, já comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A notícia do jornal «Vida Económica» de 16/02/2007 salienta que “a Rentipar controla mais de 72,3% do capital do Banif” e que a alienação tinha em vista “obter uma maior liquidez e visibilidade das acções do Banif tornando-se necessário assegurar uma maior dispersão do seu capital em bolsa, pelo que a Rentipar está a ponderar a hipótese de alienar um lote de 25 milhões de acções, o correspondente a 10% do seu capital social e respectivos direitos de voto”. Mais refere a notícia: “Caberá à UBS e ao Banif Banco de Investimento desenvolver a operação de alienação, orientada para investidores institucionais e que deverá representar um valor de 138 milhões de euros. O capital do Banif é composto por 250 milhões de acções. Caso a operação tenha lugar, a participação da Rentipar no capital do Banif corresponderá a 62,33% do respectivo capital e também dos seus direitos de voto”.
Em entrevista ao «Semanário Económico», de 02/03/2007, Horácio Roque referiu que “O Banif já recebeu a não oposição do Banco de Portugal para a criação de um banco de raiz em Malta e agora aguardamos apenas a luz verde das autoridades financeiras daquele país, o que estará para breve. Visitámos o país e fomos desafiados por um grupo de empresários de Malta para fazermos uma instituição com eles, sendo o controlo do Banif. E decidimos avançar com a criação de um banco (...) o Banif Bank Malta deverá abrir no primeiro semestre deste ano”.
Nesta entrevista surge a informação que a Rentipar vendeu 10% do capital, não do Banif – Banco Internacional do Funchal, SA, mas sim do Banif, SGPS, SA (a holding). A pergunta do jornal foi simples: "Quando, em Fevereiro, vendeu 10% da Banif SGPS a CMVM disse que ia analisar o envolvimento da UBS na transacção. Como está esse processo?” A resposta de Horácio Roque foi a seguinte: “Está resolvido. Não chegou a haver qualquer processo por parte da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários”. Horácio Roque ao falar do Banif, fica-se sem saber se fala do Grupo Banif ou se se refere ao Banif Banco com sede no Funchal. Na entrevista que Horácio Roque deu ao «Semanário Económico», de 22/02/2008, declarou: “O Banif -Grupo Financeiro fechou o exercício transacto com um resultado líquido de 101,1 milhões de euros, mais 29,4% que no ano anterior. O produto da actividade bancária e seguradora, subiu, também, 29,4% para os 443,8 milhões, os recursos de clientes ascenderam a 7.412 milhões de euros (16%) e o crédito concedido situou-se nos 8.816 milhões, um acréscimo de 22,3% face a 2006”.
No dia 31 de março, com a realização da assembleia geral para analisar o relatório e contas referente a 2007, a informação de Horácio Roque, transmitida para a opinião pública, não poderia ser mais ambígua: O Banif, que sucedeu em 1988 à Caixa Económica do Funchal teve em 2007 um lucro líquido consolidado de 101,1 milhões de euros. Isto é, fala-se no Banif de 1988, mas os lucros são do Grupo Banif e não só do Banif Banco.
Em 18/03/2008, o Banif – Banco Internacional do Funchal abriu a 37ª agência na Madeira, em Machico, sendo já o quarto balcão neste concelho, e pretende abrir em todo o País mais 59 agências naquele ano, contando já com cerca de 300 trabalhadores. Mas no primeiro semestre os lucros do Banif-Grupo financeiro baixaram 5,9%.
(continua)     

sexta-feira, 6 de julho de 2018


Bancos Criados na Madeira que Desapareceram (12)
O ano de 2005 para o BANIF marca uma posição de relevo no mercado bancário internacional com a abertura do Banco em Londres, a partir do dia 18 de setembro, depois da Venezuela, África do Sul, Estados Unidos e Brasil e outros. No jantar de gala esteve presente para além de Horácio Roque, presidente do BANIF, Cavaco Silva, Miguel de Sousa, em representação da Assembleia Legislativa da Madeira, e John Major.
Horácio Roque falou da história do Banco e da participação efetiva em sete países e três continentes, para além da grande expansão no continente português, Madeira e Açores.
Cavaco Silva referiu: “Se a Europa não conseguir inverter políticas, para enfrentar o desafio da competitividade, então não conseguirá resolver problemas como o desemprego, garantir a protecção social que os europeus ambicionam, e passará por dificuldades (…) é errado pensar que as exportações asiáticas se tratam apenas de produtos de mão-de-obra intensiva e tecnologicamente pouco avançados”.
Miguel de Sousa disse que “é o nome da Madeira e do Funchal, em particular, que estão a partir de agora na maior praça financeira mundial, através de um banco que é jovem e que nasceu na Região”. O Relatório e Contas referente a 2005 refere: “O Rácio de Solvabilidade total do Banco, nível consolidado com o Banif Finance Ltd e com a Banif (Açores) SGPS, SA, (calculado de acordo com as instruções do Banco de Portugal) situou-se em 11,63% no final de 2005, (12,07% em 2004, enquanto que o rácio Tier I atingiu 6,89% (7,92% em 2004)”. O Lucro Líquido foi de 26.104.449,08 euros, tendo sido a sua aplicação destinada: Reserva Legal (10%), 2.610.444,91; Dividendos 19.200.000,00; Outras Reservas, 2.919.004,17; distribuição pelos colaboradores: 1.375.000,00.
Em fevereiro de 2006, Horácio Roque esteve de visita às instalações do Banco em Joanesburgo, tendo contatado com os clientes, grande parte dos quais emigrantes madeirenses. No convívio, Horácio Roque, depois de pedir ajuda aos emigrantes para chegar aos 75.000 clientes até final do ano, disse: “o crescimento do Banif foi o crescimento da Madeira, e tal como muitos outros madeirenses aqui presentes, o Banif saiu das águas agitadas da Madeira para todo o Mundo e hoje está presente em três continentes e num total de onze países (…) tal como disse em 1988 que o Banif estaria onde estivessem os madeirenses, foi isso que aconteceu”.
Com 230.000 clientes no final de 2005, o grupo financeiro Banif queria atingir 300.000 no final de 2006 e queria aumentar a rede de balcões no continente dos 132 existentes para 200 em 2008, com ritmo de abertura de 20 novas unidades por ano. Quando a divulgação pública de resultados financeiros começa a ser referida também ao Grupo Banif e não apenas ao Banco, avoluma-se a confusão num aglomerado de sociedades, mesmo que só do setor financeiro, resultando em ignorância por parte de clientes investidores em ações e em obrigações. Porque investir nestes produtos financeiros numa sociedade do Grupo, que não o Banco, não é legalmente o mesmo, embora seja legal o conglomerado de empresas, umas participantes e participadas noutras. É tudo legal e do conhecimento das entidades reguladoras. Mas não é percetível para os clientes ou futuros clientes ter conhecimento de um comunicado, de 17/05/2006, do Banif do seguinte teor: “O Banif – Grupo Financeiro obteve lucros consolidados de 19,4 milhões de euros no final do 1º trimestre deste ano (…) o produto da actividade bancária atingiu 81.275 milhões de euros”.
(continua)