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domingo, 25 de junho de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (73)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

No início da privatização, em 1990, o BPA tinha um efetivo de 5648 trabalhadores e, juntamente com o BESCL, era um dos maiores bancos dominados pelo Estado. Com um capital social de 35 000 000 000$00, obteve proveitos consolidados na ordem dos 238,2 milhões de contos, numa altura em que a taxa de juro média cobrada pelas operações ativas, que rondavam os 22/23 por cento, de acordo com a taxa indiciária fornecida pela Associação Portuguesa de Bancos. No entanto, o BCP registava a elevada taxa média de 32,4%. Nas operações passivas, a taxa média de juro média paga rondava os 10/12%. De acordo com Daniel Amaral (in «O Jornal» 03/05/1991): ”Mais interessante, no entanto, é a análise da taxa de juro geradora de resultados. Repare-se: o BPA praticou, em média, uma taxa de 23 por cento, o que parece uma enormidade, mas se baixasse esta taxa 1,5 pontos, já não ganhava dinheiro nenhum (dando de barato, obviamente, que continuaria a fazer o mesmo tipo de provisões…)”. “Apenas o BCP e, sobretudo, o BPI aguentariam sem problemas reduções significativas na sua margem de intermediação”.
Com data de 30 de abril de 1991, o BPA emitiu uma informação geral sobre preços de serviços bancários que prestava. O texto refere: “A prestação de um serviço de qualidade e a oferta de soluções adequadas às necessidades e desejo dos nossos Clientes, comporta significativos custos administrativos. À semelhança da generalidade da Banca Nacional, o BPA cobra despesas de manutenção nas contas de Depósito à Ordem com saldos muito diminutos e fixa mínimos para o lançamento de juros. Não obstante os pequenos valores debitados, estamos atentos aos interesses dos nossos Clientes. Por isso, as importâncias cobradas só são actualizadas em caso de manifesta necessidade, procedendo o BPA à divulgação prévia das novas condições. Agradecemos assim a sua atenção para o verso desta carta. Se necessitar de informações complementares não hexite em contactar o seu Balcão. Com os melhores cumprimentos.
CONDIÇÕES PARA MANUTENÇÃO DAS CONTAS DE DEPÓSITO À ORDEM – PARTICULARES *Às contas com saldos médios trimestrais inferiores a 20 contos será aplicada uma taxa de manutenção de 500$00 por trimestre. – As despesas serão debitadas no final do mês seguinte (exemplo: Agosto) ao respectivo trimestre de cálculo dos saldos médios (exemplo: Maio, Junho e Julho). * Às contas referenciadas no BPA para pagamento de ordenados por crédito em conta, será debitada, no final do mês de Dezembro, a quantia de 250$00/ano, se tiverem saldos médios inferiores a 15 contos. * Estão isentos: - contas que tenham associados depósitos a prazo ou de poupança (exemplo: Reformados, Habitação e Emigrantes). - `1.as Contas ` Jovens.
CONDIÇÕES DE CRÉDITO E DÉBITO DE JUROS EM CONTAS DE DEPÓSITO À ORDEM. Juros Credores: Não são creditados juros nas contas cujos saldos médios sejam iguais ou inferiores a 100 contos. Exceptua-se daquela regra as `1.as Contas` Jovens. O crédito de juros é, em regra, processado, anualmente, com referência a 30 de Novembro. Os montantes mínimos para o lançamento de juros são: - juros anuais 1 000$00; - juros mensais 250$00; - juros trimestrais 500$00; - juros semestrais 750$00. Juros Devedores: Em regra, o débito de juros passará a ser mensal. Os juros serão cobrados à taxa dos descobertos, publicitada nos Balcões, com o mínimo de 150$00mês”.

 (continua)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (72)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

A Reprivatização do BPA gerou expetativas no setor financeiro nacional e internacional, na medida em que estava a ser preparada a avaliação para determinar o valor das ações. Após 1985, houve modificações nos procedimentos do BPA, em parte devido à mudança da equipa gestora, conjungada com uma nova conjuntura de exceção bancária com altas taxas de juro.
O Relatório, Balanço de Contas, referentes ao ano de 1990 salientam que “O início da operação de reprivatização e a implementação se uma estratégia clara de reorganização, modernização e forte presença no mercado determinaram a profundidade do impacto dessas alterações. Apostado decisivamente numa estratégia de grupo o Banco continuou, num contexto caracterizado por uma concorrência agressiva, a estender a sua acção a domínios diversificados da vida económica e financeira, enquadrada por um conjunto de grandes orientações em matéria de marketing”.

Transformado em sociedade anónima pelo Decreto-Lei 321-A/90, de 15 de outubro, a abrigo da Lei 11/90, de 5 de abril (Lei das Privatizações), o BPA tinha iniciado, já em 1989, a preparação da operação de reprivatização com a seleção de entidades externas. Crédit Commercial de France e agrupamento Caixa Geral de Depósitos/Banque Paribas.
Com base nos trabalhos desenvolvidos por estas entidades, o BPA apresentou a sua proposta ao Governo, em maio de 1990, englobando a indicação de preço base e a configuração da operação.
Com a publicação do Decreto-Lei 321-A/90 e a Resolução do Conselho de Ministros 42/90, de 6 de novembro, ficou estabelecido o quadro legal da primeira fase da reprivatização que representou a alienação de 33% do capital social.
As 6 600 000 ações correspondentes à alienação daquela percentage, do capital foram distribuídas da seguinte forma:
-1 650 000 (25%) para Trabalhadores do BPA e Pequenos Subscritores e Emmigrantes;
-1 320 000 (20%) para Depositantes ou Detentores de Obrigações e Títulos de Participação do BPA;
-3 630 000 (55%) para Investidores em Geral.
Conhecidos os resultados da primeira fase da reprivatização, o BPA passou a ter uma base acionistas, resultante de ordens provenientes de 5 529 Trabalhadores, 15 120 Pequemos Investidores; 11 934 Depositantes ou Detentores de Obrigações e Títulos de Participação; 1 582 de OPV Geral.
O BPA prosseguiu uma política de melhoria qualitativa do efetivo de pessoal, através de um recrutamento cada vez mais seletivo, privilegiando a admissão e integração de jovens quadros com formação superior.
Reafirmando a importância da internacionalização na sua estratégia global, o Banco procurou alargar a sua rede de sucursais reforçando a sua capacidade de intervenção, tendo procedido, em 1990, à bertura da Sucursal>Financeira Exterior - «Of-Shore» da Madeira.
Nos termos do Decreto-Lei 49/91, de 25 de janeiro, o BPA procedeu à reavaliação do seu ativo imobilizado. Em termos consolidados, o crédito expandiu-se passando o seu valor global de 507,1 para 546,4 milhões de contos, traduzindo um crescimento de 7,5%.
“Na linha de actuação do passado recente, o Banco colmatou a excassez do crédito orientando os seus clientes para novas formas de financiamento proporcionadas por sociedades especializadas cuja constituição promoveu, através de sociedades participadas como a Leasing Atlântico, a Leasimpor, a Luso-Atlântica (rent-a-car), a AGII, a Sofinloc, a SPR e a Credinova. No conjunto, o nível de actividade destas empresas registou em 1990 um incremento anual da ordem dos 70%”.

(continua)

domingo, 11 de junho de 2017


Da confiança à crise dos Bancos (71)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Em 1981, o Mercado Interbancário de Títulos absorveu o excesso de liquidez do BPA no ano de 1980, tendo fechado o exercício com um lucro extraordinário de 601 303 769$24. O Relatório e Contas de 1980 salienta que o Banco se debateu com excesso de liquidez “devido ao crescimento vertiginoso de recursos obtidos e à não utilização de grande parte deles, em consequência dos limites oficialmente impostos à expansão do crédito”.
Houve um relevante acréscimo dos depósitos, especialmente nos depósitos a prazo, sem que tivesse havido semelhante aumento proporcional do crédito concedido. Os depósitos atingiram os 179 milhões de contos e o volume de desconto atingiu os 232 milhões de contos. Na carteira de títulos huve um incremento apreciável justificado pela aquisição de títulos da Dívida Pública, bem como pela substituição de empréstimos obrigacionistas relativos ao saneamento financeiro das empresas públicas e pela participação em alguns aumentos de capital.
Os Balanços de exercício, referentes a 31 de dezembro, apresentam resultados de 814 799 414$00 em 1981; 1 197 002 850$94 em 1982.
Por despacho normativo nº 141/83, de 31 de maio, do Secretário de Estado do Tesouro, publicado no Diário da República nº 140, 1ª Série, de 21 de junho de 1983, foi o BPA autorizado a proceder ao aumento do seu capital estatutário, por incorporação de reservas, para 5 500 000 contos.
Nos anos subsequentes, o BPA continuou a desenvolver a sua atividade com sucesso, também promovendo a publicação de Boletim Trimestral, a cargo da Direção de Estudos Económicos e de Marketing. A temática do Boletim era genérica e de âmbito nacional e internacional, ultrapassando a atividade interna do Banco. O exemplo do ano de 1984 revela bem quanto o BPA acompanhava a evolução positiva ou negativa da economia e o setor financeiro a nível nacional e mundial. O boletim de março analisou a política cambial em Portugal; a inflação e as empresas; poupança e energia. O Boletim de junho-setembro reflete o saneamento financeiro em inflação; degradação financeira das empresas em Portugal, novas tecnologias energéticas - novo esquema de apoio. O Boletim de dezembro refere a temática da inserção da economia portuguesa na economia mundial; JEPP - despertar jovens empresários de elevação potencial; os círculos da qualidade como prática de administração; novo instrumento de desenvolvimento da exportação (Decreto-Lei nº 324/84, de 9 de outubro.
O Boletim de março salienta que “Em 1976 surge pela primeira vez a desvalorização do escudo como instrumento de política económica, embora não claramente assumido, iniciando-se a prática sistemática da depreciação cambial em 1977 (…)”.
 O Boletim de junho-setembro revela que “as empresas, particularmente as que apresentam dificuldades financeiras, manifestam uma necessidade crescente de recurso a capitais alheiros, já que o autofinanciamento é extremamente reduzido. Como forma possível de proceder ao aumento de capital referimos o recurso à emissão de ações (…)”.
O Boletim de dezembro esclarece: “As estatísticas sobre níveis de qualificação da mão-de-obra são escassas e de difícil utilização para efeitos de comparação entre países. Com esse objectivo, e tomando por base a harmonização internacional efectuada pela O.I.T., seleccionamos os países para os quais o processo de recolha estatística se apresenta como mais próximo do de Portugal”.

(continua)



sábado, 3 de junho de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (70)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Em 1980 decorreu dezanove anos (17/07/1961) que o BPA foi instalado na Madeira. A publicidade na imprensa regional foi elucidativa quanto ao crédito para a Construção Civil: “Vamos ajudar a construir as habitações de que o País precisa”, “Construir as habitações de que muitos milhares de famílias necessitam é um dos grandes desafios para o Portugal dos anos 80. Um desafio que, pela nossa parte, é enfrentado desde já: criamos o Crédito BPA para a Construção Civil com o qual ajudaremos a resolver um dos grandes problemas do País, ao mesmo tempo que apoiamos um sector-chave da economia portuguesa”. O apelo aos empreendedores imobiliários dizia: “Se em terreno próprio, com o respectivo projecto aprovado, quiserem mandar construir, para venda, habitações, espaços comerciais ou unidades turísticas, poderão dispor, também, de um crédito até 80% do custo final do imóvel”. Também incentivou os construtores civis: “Para a construção, destinada a venda, de habitações, espaços comerciais ou unidades turísticas – sejam grandes ou pequenos os empreendimentos – poderão dispor de um crédito até 80% do seu custo final”.
Uma das publicidades da imprensa, no dia 1 de junho de 1980, refere: “BPA Administração de Propriedades FUNCHAL - A partir de agora, também na nossa Agência de  FUNCHAL  pode dispor directamente do Nosso Serviço de Administração de Propriedades BANCO PORTUGUÊS DO ATLÂNTICO Departamento de Administração de Propriedades  
LISBOA – Rua Alexandre Herculano, 16 Telef. 560638
PORTO – Rua de Ceuta, 89 – Telef. 319101
HANGRA DO HEROÍSMO – Rua da República, 56 Telef. 22003
FUNCHAL – Avenida Arriaga, 27 Telef. 29181/6”

Nova publicidade, em 27 de julho daquele ano, refere: “Investir é andar para a frente. É na aposta que os Empresários fazem no futuro – das suas unidades industriais e da economia do País (…) Vamos ajudar a desenvolver ou a criar as Empresas de que o País precisa”.
Proponha incentivos, tais como:  “ Isenção de direitos aduaneiros devidos pela importação de bens de equipamento novo”; “Redução ao lucro tributável da contribuição industrial de uma importância correspondente a: 80% ou 50% do valor do investimento em bens de equipamento novo, quando estes forem de origem nacional ou importados; 20% do valor do investimento em bens de equipamento novo (acresce às anteriores deduções), quando a unidade produtiva estiver localizada em determinadas regiões”; “Bonificação de Juros a deduzir aos juros a pagar nos três primeiros anos relativos ao crédito bancário (parcela do capital fixo corpóreo, excepto terrenos)”; “Incentivos Fiscais -  Isenções ou deduções relativamente à contribuição industrial, imposto complementar, sisa, direitos aduaneiros, imposto de capitais e imposto de mais valias”; “Dotações de Capital – Em alternativa aos incentivos fiscais e financeiros, desde que sejam preenchidos certos requisitos específicos, consistindo numa subvenção ligada à participação dos capitais sociais no financiamento do projecto e que pode atingir 50% das entradas de capital social”.
No dia 28 daquele mês, foi apresentado na Madeira o Sistema Integrado de Incentivos ao Investimento, com duas prioridades: Prioridade Sectorial e Prioridade Regional. O primeiro premeia o investimento conforme o interesse do setor na ótica de um processo de industrialização compatível com a integração de Portugal na CEE. O segundo premeia os empreendimentos localizados em regiões economicamente desfavorecidas.

 (continua)

domingo, 28 de maio de 2017


Da confiança à crise dos Bancos (69),

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Nos anos 70 do século XX, o BPA continuou um percurso de sucesso assinalável, tendo sido a primeira grande instituição financeira privada em Portugal. Essa posição foi alcançada graças à sua particular e diferente posição perante o mercado, para além da forma muito caraterística de contatar com os clientes, baseada no respeito e proximidade. Não escapando à nacionalização dos Bancos em 11 de março de 1975, o BPA alcançou em 1977 o capital e reservas no montante de 2 309 513 625$07 e o lucro líquido de 84 727 532$14.

O Relatório, Balanço e Contas referentes ao ano de 1978 refere: “o Conselho de Gestão procurou implementar, com maior rigor, o modelo de gestão já ensaiado em anos anteriores – gestão participativa por objectivos – apoiado no desenvolvimento de processos de planeamento e de controlo das actividades prosseguidas pelos diferentes Departamentos do Banco (…) Reconhece o Conselho de Gestão que, embora os resultados substanciais tenham sido conseguidos no ano de 1978 no tipo de gestão adoptado, há ainda um longo caminho a percorrer até se conseguir optimizar o aproveitamento dos recursos humanos e materiais do Banco”.

O BPA, já como empresa pública, seguiu sempre as orientações do Banco de Portugal, pelo que as atividades desenvolvidas no decorrer do ano de 1978 foram, sempre que necessário, reexaminadas com o propósito de mantê-las enquadradas nas políticas monetária e financeira definidas pelo Governo e nas orientações emanadas do Regulador. “No termo do ano de 1978, faltando três meses para completar o período anual coberto pela «Carta de Intenções», as estimativas mostram-se plenamente favoráveis no que respeita à realização do objectivo principal (…) Por isso mesmo, e porque o problema do défice externo continua a ocupar a primeira linha das preocupações do País, não será de esperar alterações substanciais na orientação e e na execução da política económica para 1979 (…) verificou-se um crescimento nos depósitos a prazo, entre o fim de Dezembro de 1977 e o fim do mesmo mês do ano passado, de 43,4%, enquanto os depósitos à ordem cresceram apenas 17,3% e a circulação de notas e moedas meramente 8,3%”.

Houve medidas complementares redutoras da liquidez dos bancos. Para além da política de limitações ao redesconto que prosseguiu, outros fatores tais como o aumento da percentagem das disponibilidades obrigatórias de caixa, bem como a obrigatoriedade de transferência para o Banco de Fomento Nacional de recursos captados pela banca comercial, sob a forma de depósitos a prazo. O BPA melhorou a cobertura geográfica do País e iniciou a extensão da prestação dos Serviços de Administração de Propriedades aos estabelecimentos da Província e o início do Seguro do Depositante. Desenvolveu o equilíbrio entre o crédito distribuído ao setor público empresarial e o atribuído ao setor privado da economia; apoio adequado às necessidades especiais das pequenas e médias empresas, no contexto do crédito; atenção especial aos emigrantes através de programas e incentivo na informação nos países de acolhimento, integrados na atividade no domínio internacional do banco.

O BPA alcançou em 1978 o capital e reservas no montante de 2 362 151 449$55. O resultado financeiro final foi de cerca de 2 060 mil contos, superior ao de 1977 em 566 mil contos, o que permitiu, para além do substancial reforço das provisões e das amortizações, o resultado líquido de 238 053 310$26.

(continua)


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (68),

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Ainda no ano de 1969, foi relevante o facto de o Presidente da Republica, Américo Tomás, ter condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Benemerência, Arthur Cupertino de Miranda, fundador e Presidente do Conselho de Administração do BPA, ao longo dos anos. A cerimónia teve lugar na Sessão Inaugural do Simpósio sobre Política Monetária e Creditícia.
No mesmo ano, a 19 de dezembro, Cupertino de Miranda foi agraciado com a Medalha de Ouro da Cidade, que o Presidente da Câmara Municipal do Porto lhe impôs em sessão Pública realizada nos Paços do Concelho.
O ano de 1969 foi de muita festa no BPA, por ter comemorado os 50º Aniversário da sua atividade (desde a Casa Bancária). O Palácio de Cristal do Porto foi o local escolhido para um grandioso almoço realizado no dia 25 de maio. Foi essa efeméride que levou o Conselho de Administração a salientar no Relatório Balanço e Contas daquele ano:
“Num ano seguramente mais trabalhoso, em que ao dinâmico esforço destinado a fazer progredir os negócios correentes do Banco houve que somar a desdobrante actividade de realçar com justo brilho o importante marco que o Cinquentenário da Instituição, são por nós devidos os mais rasgados louvores a todos os que nos coadjuvaram e asseguraram a execução dos nossos programas e directrizes”.
O início da década de 70 do século XX marcou a fase de ouro das elevadas taxas de lucro das instituições bancárias, bem como uma forte subida do volume de depósitos, com progressos muito acentuados pelo grau alcançado. O BPA relata em termos expressivos no Relatório e Contas de 1970 o seguinte:
“A apreciação conjunta dos Balanços de 1970 dos dois Bancos – Banco Português do Atlântico e Banco Comercial de Angola – permite entrever a vastidão de meios financeiros que orientam, e concluir acerca da importância que o controlo da nossa Organização reveste para a Economia Nacional. O total dos fundos próprios, e como tal contabilizados, exprime-se por uma verba que alcança mais de 1 milhão e 700 milhares de contos (…) o valor integral dos recursos alheios de que dispõe excede mais de 24 milhões e 600 milhares de contos. O Balanço consolidado dos dois estabelecimentos de Crédito seria também altamente alucidativo sobre a fonte de riqueza que a nossa Organização financeira constitui para o País. Com efeito, as receitas gerais ultrapassam 1 milhão e 500 milhares de contos, os lucros brutos – lucros líquidos nas provisões e amortizações – perfazem 289 milhares de contos, os lucros líquidos 119 milhares de contos. (…)”.
Naquele ano de 1970, o capital e reservas do BPA atingia o montante de 1 353 000 000$00. O volume de depósitos era de 19 954 683 933$00. Letras Descontadas 33 779 968 000$00. Lucro Líquido 85 896 336$00. No ano seguinte, o capital e reservas passou para 1 379 000 000$00. O volume de depósitos atingiu 23 526 812 773$00. Letras Descontadas 38 000 928 000$00. Lucro Líquido 92 354 220$00. Em 1972, o capital e reservas passou para 1 570 899 000$00. O volume de depósitos era de 28 609 731 729$00. Letras  Descontadas 42 543 211 000$00. Lucro Líquido 102 866 064$00.
No decurso dos últimos três anos os resultados brutos cresceram acentuadamente, sendo bastante visível o aumento do crédito pela via do desconto de letras, bem como o volume de depósitos atingido naquele último ano.
(continua)


domingo, 14 de maio de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (67)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Na sequência do primeiro resumo histórico do BPA/Millenium BCP, referido na passada semana, é relevante salientar que o BCP adquiriu o BPA em 1995, tendo-o absorvido em 30 de junho de 2000, constituindo, assim, o décimo primeiro maior banco de Portugal com 173 sucursais. Ficou para a história a marca BPA, após 58 anos de profícua atividade bancária, ou 81 anos se tivermos em conta a fundação da Casa Bancária Cupertino de Miranda & Irmão, criada em 14/05/1919, sem ignorar as metamorfoses de sucessos e de recuos próprias das diversas conjunturas nacionais e internacionais por que passaram todas as instituições de crédito.
No relatório do Balanço e Contas do BPA referente a 1968 é referido: “No relatório que precedeu a apresentação das contas relativas ao exercício de 1943, anunciava-se para 44 a celebração do 25º aniversário da Instituição, afirmando-se que a este período correspondia «uma actividade incessantemente exercida dentro do objectivo de bem servir a Economia Nacional». Seja-nos permitido pensar com legítimo orgulho que aquelas palavras têm igual cabimento na ação dos últimos 25 anos do Banco. Períodos distintos, sem dúvida: de consolidação, o primeiro, de expansão, o segundo. Mas em ambos a mesma insatisfação para mais e melhor relevantemente contribuir para o progresso do País”.
O BPA perpassou os anos da sua atividade com a II Guerra Mundial e seus efeitos no panorama nacional e internacional, e em que Portugal vivia a fase mais fértil da consolidação do Estado Novo e sofria moções de censura da ONU por não dar a independência às colónias ultramarinas. Nos balanços do exercício de 1962, 1968 e 1969 constam importantes dados estatísticos de anos anteriores, tais como: Capital e Reservas 15 320 000$00 em 1943, 81 000 000$00 em 1951, 262 500 000$00 em 1962, 940 000 000$00 em 1968, 1 066 000 000$00 em 1969; Lucros Líquidos 1 382 927$01 em 1943, 8 053 801$49 em 1952, 35 139 903$70 em 1962, 84 191 616$60 em 1968, 91 307 171$00 em 1969; Depósitos 49 326 942$88 em 1943, 645 826 585$80 em 1952 e 4 212 541 096$18 em 1962, 16 125 986 886$78 em 1968, 18 769 778 274$43 em 1969; Letras Descontadas 121 877 603$88 em 1943, 1 603 028 185$40 em 1952, 8 892 784 713$18 em 1962, 25 401 397 272$00 em 1968, 29 284 661 000$00 em 1969.
No Relatório e Contas do Exercício de 1968, o Presidente do Conselho de Administração do BPA, Arthur Cupertino de Miranda, subscreveu a seguinte declaração: “No limiar deste ano de 1969, em que o Banco Português do Atlântico celebra as suas bodas de oiro, desejo naturalmente endereçar uma palavra festiva e grata a todos os que, no decurso da vida da instituição têm contribuído com a sua colaboração, interna ou externa, para a sua grandeza. Criado em 1919 sob a modalidade social própria de Casa Bancária, com o capital de 100 mil escudos, ronda hoje, com as reservas, o milhão de contos e pertence ao número próximo dos 300 maiores Bancos do Mundo. Porque tive a honra de fundar, um e outro, e inalteravelmente presidir aos seus destinos, desejo aproveitar esta hora jubilosa para significar aos meus pares, como a todos os que têm colaborado na Obra, tão expressiva de possibilidades nacionais, o meu vivo e profundo agradecimento: São os accionistas com a sua confiança; São os dirigentes executivos; São os dedicados companheiros de trabalho; São as actividades económicas; São os órgãos governativos quando nos significam o seu apreço; São aqueles que em espírito acompanham o nosso devotamento ao lema que adoptámos: «apoio firme ao trabalho nacional, por um Portugal Melhor”.

(continua)