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domingo, 23 de abril de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (64)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
O ano de 1995 marcou, na Madeira, uma importante efeméride do Banco Totta & Açores - o Banco da Madeira. Em consequência daquele aniversário, foi elucidativa a publicidade feita na imprensa regional ao referir:
“Da Madeira para o Mundo – Aqui nascemos, (em 1920). Naturais da ilha, tratámos sempre, melhor do que ninguém, as questões financeiras da população madeirense. Os anos 60, ao associarmo-nos ao Banco Lisboa & Açores, demos o primeiro passo a futura criação de uma sólida instituição bancária: o BANCO TOTTA & AÇORES. Uma nova dimensão com experiência, e competências garantidas, que nos levou a crescer por todo o mundo.
Hoje somos também na Madeira um serviço offshore, que proporciona aos emigrantes as melhores taxas para aplicação das suas poupanças.
Temos centenas de filiais espalhadas pelo “Continente”, Europa, América, África e Ásia.
Em todas elas, ouvimos atentamente os nossos clientes, para resolvermos todo o tipo de operações financeiras com eficácia e simpatia.
Por isso, se é com orgulho que hoje somos Banco Totta & Açores, só nos sentimos completos, quando acrescentamos … o Banco da Madeira”.
O BTA tinha na Madeira 15 estruturas de atendimento: Funchal (Largo do Chafariz – Posto de Câmbio no Hotel Santa Isabel – Estrada Monumental – Bairro do Hospital – Rua Oudinot – Rua da Carreira – Sucursal Financeira Exterior); Calheta (Estrela); Câmara de Lobos (Vila – Estreito de Câmara de Lobos); Machico (Vila); Ribeira Brava (Vila); Santa Cruz (Aeroporto); S. Vicente (Vila).

Ao longo de 1995, foram desencadeadas iniciativas de racionalização de custos e de reajustamento das participações financeiras, tendo entrado em funcionamento a TOTTAPensões e a reformulação de alguns fundos geridos pela TOTTAFundos, para além da implementação da metodologia do “valor em Risco” para “todos os activos e passivos sensíveis à taxa de juro”.
Na área comercial, “continuou o esforço da descentralização geográfica das Direcções Regionais que foi de par com uma revisão dos modelos de `scoring` e a introdução de numerosos `packages` de produtos, em especial no domínio do crédito ao consumo e das pequenas e médias empresas”.
Teve uma presença ativa na atuação da área dos `swaps` de curto prazo e na vertente obrigacionista, atravé da participação “em 32% das emissões de obrigações realizadas em 1995, com realce para a liderança conjunta nas emissões de obrigações realizadas pelo Parque Expo/98 e pela CP- Caminhos de Ferro Portugueses”.
Revela o Relatório e Contas daquele ano que “Ao longo de 1995, as acções do BTA continuaram a evidenciar um elevado nível de liquidez, tendo atingido uma frequência de colocação de 100% e um valor de transacções da ordem dos 31,1 milhões de contos. Em 29 de Fevereiro, o valor de mercado atingia os 176,2 milhões de contos. Considerando o início da privatização em 1989, as acções do BTA valorizaram-se em cerca de 14%, tendo em atenção os aumentos de capital e o pagamento de dividendos (…) da análise da situação económica e financeira, ressalta o bom nível de rendibilidade que continua a ser apresentado, não obstante a contínua redução das margens financeiras e o contexto económico ainda pouco favorável, que se traduziu na obtenção de um lucro líquido, atribuível ao BTA, de 17,2 milhões de contos  o final do exercício”.
Em 1995, foram alienadas as participações nas seguradoreas LUSITÂNIA VIDA, Companhia de Seguros, S.A., que tinha sido criada em 15/05/1987 (participação 18,60%) e na LUSITÂNIA, Companhia de Seguros, S.A., criada em 06/06/1986 (participação 16,15%).
(continua)

gregoriogouveia.blogspot.pt

domingo, 16 de abril de 2017


Da confiança à crise dos Bancos (63)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
O ano de 1994 foi marcado pela intervenção do Banco de Espanha no Banesto, principal acionista do Banco Totta & Açores. Apesar disso, este resistiu à má situação financeira do Banesto que, em 1993, teve um prejuízo de 577 milhões de pesetas (21 milhões de contos). A evolução da economia portuguesa foi caraterizada por uma diminuição da taxa de inflação e alguma retoma da atividade económica, resultante do crescimento das exportações.
O BTA continuou na linha da frente do sistema financeiro português, o que lhe valeu o acordo celebrado, em 28 de dezembro, entre António Champalimoud e o Banesto, a que aderiram um conjunto de sociedades portuguesas lideradas pelo Dr. Menezes Falcão “nos termos do qual o senhor António Champalimoud se propõe adquirir cerca de 50% do capital social do Banco”.
O Relatório e Contas de 1994 revelam que o resultado líquido do BTA foi de 19 231 769 000$00. No que aos resultados consolidados diz respeito, o resultado do Grupo Totta foi de 23 447 021 000$00.
 Em conjunto com o Crédito Predial Português, o BTA tinha uma rede nacional de 393 balcões e postos de câmbio; de escritórios de representação em Caracas, Milão, Joanesburgo, Luanda, Amesterdão e Toronto; de sucursais em Lodres, Macau, Luxemburgo, Guiné e Ilhas Cayman; uma gência em Nova Iorque; uma sucursal financeira exterior na Região Autónoma da Madeira; filiais em Newark e Naugatuck.

O BTA detinha um conjunto de participações em empresas, em cujo grupo financeiro constavam: CPP-Crédito Predial Português, S.A., adquirido em dezembro de 1992, participação no capital social de 47,80%; TOTTAGESPAR-Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A., constituída em 28/03/1972 sob a denominação de IMOBUR-Imobilizações Urbanas S.A., alterada para TottaGespar em 06/08/1990, participação 89,99%; DECA-Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A., constituída a 25/03/1985, participação 89,98%; TOTTARENT-Sociedadede de Aluguer de Veículos, S.A., anteriormente denominada LONGAUT, constituída em 10/03/1989, participação 80,98%; GESTIFUNDO, S.A., constituído em 04/05/1987, participação 89,94%; GERIGESTE-Sociedade de Gestão de Patrimónios, S.A., constituída em 13/12/1988, participação 84,04%; SIFTA-Sociedade de Gestão do Funco de Tesouraria Atlântica, S.A., constituída em 16/02/1989, participação 67,48%; TOTTAIMO -Sociedade de Locação Financeira Imobiliária, S.A., criada em 15/10/1991, participação 45,89%; TOTTAFACTOR- Sociedade Internacional de Aquisição de Créditos, S.A., criada 19/12/1990, participação 45,00%; TOTTAFINANCE-Sociedade Financeira, S.A., criada em 16/10/1987, participação 41,39%; SIEMCA-Sociedade Mediadora de Capitais, S.A., criada em 29/08/1986, participação 52,61%; TOTTALEASING-Sociedade de Locação Financeira Mobiliária, S.A., criada em 09/04/1992, participação 45,89%; TOTTADEALER-Sociedade Financeira de Corretagem, S.A., criada em 19/12/1990, participação 32,00%; TOTTAFIMO-Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, S.A., criada em 10/01/1992, participação 94,79%; Totta & Açores International, limited, criado em 12/10/1992, participação 100%; Banco Sandard Totta de Moçambique, S.A.R.L, criado em 02/07/1966, participação 48,29%; LUSITÂNIA VIDA, Companhia de Seguros, S.A., criada em 15/05/1987, participação 18,60%; LUSITÂNIA, Companhia de Seguros, S.A., criada em 06/06/1986, participação 16,15%; IMOVEST-Sociedade Gestora Imovest - Fundo de Investimento Imobiliário, S.A., participação 24,38%, através do CPP; MERMUL-Mercados Múltiplos, S.A, participação 47,80% através do CPP.
 (continua)

domingo, 9 de abril de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (62)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
O ano de 1993 foi para o Banco Totta & Açores a evidência da ultrapassagem da conjuntura económica internacional, especialmente ao nível da União Europeia, com manifestas repercussões negativas no crescimento económico de Portugal e ainda a intensificação do clima de forte competição no setor bancário. A partir de 1 de janeiro de 1993 entrou em vigor o Mercado Único Europeu, data em que o apuramento dos fluxos de mercadorias passou a ser feito por inquirição direta aos importadores e exportadores, em substituição do controlo alfandegário. Também teve em conta a atividade recessiva que se fez sentir na sequência de novas regras da recuperação de empresas, conduzindo a que os créditos que os bancos em geral tiveram de qualificar de `vencido` evidenciaram taxas de crescimento superiores às verificadas em anos anteriores.
Face aos restantes bancos, o BTA revelou-se forte na liderança do setor financeiro, apesar do sucedido no Banesto (maior acionista do BTA), relativamente ao conflito com forte agitação de José Roquette, face à sua posição acionista no BTA e ao domínio do Banco espanhol sobre aquele. Roquette participou numa operação que lhe permitiria intervir na vida do banco de Mário Conde. Segundo Roquette: “com a associação ao Morgan, o Totta pode mesmo atacar a liderança da banca comercial portuguesa”.
Para resolver a sua situação financeira, o Banesto solicitou a intervenção dos americanos da JPMorgan, que era o maior banco de investimento do Mundo, sendo que a operação de saneamento financeiro negociada com JPMorgan pressupôs a integração do BTA na operação.
“Roquette conseguiu negociar com o Banesto e com o Morgan a constituição de uma holding que simultaneamente deteria o controlo do Banesto e do BTA”.

A participação portuguesa no BTA, protagonizada por José Roquete, é na verdade deste e da Moniz da Maia, Serra e Fortunato (MSF Empreiteiros) que também participa no Banesto. Do núcleo inicial de acionistas portugueses no BTA saiu a Mague, que se dedicou mais à cadeia de hotéis Tivoli. José Roquete detinha 50,8% no Banesto, que por sua vez controlava 35,8% do BTA.
“A luta pelo controlo do BTA reacendeu-se em meados daquele ano, quando o Governo decidiu o alargamento dos estrangeiros no capital do BTA, que passou de 10 para 25%. Face a isso, o Banesto resolveu, imediatamente, “acertar posições dentro do núcleo duro da instituição”. Na mesma altura deu-se a última fase da reprivatização do capital social do BTA, no total de 7 268 682 ações que o Estado controlava.
No entanto, José Roquette acabou pore deixar o BTA, devido à venda das ações da MSF de José Roquette a Menezes Falcão levantando nova confusão em todo o processo Totta, significando o fim do sonho de um projecto português baseado no BTA. De tal modo que, no final de 1993, 20% da banca portuguesa estava já em mãos espanholas, representando cerca de 50%

Ao longo de 1993, a gestão do BTA continuou a subordinar-se à linha estratégica e às grandes linhas de orientação “estabelecidas no Plano de Médio e Longo Prazo”. As ações do BTA evidenciaram elevada liquidez, tendo atingido um volume de transações de 45,3 milhões de contos e uma frequência de cotação de 100%. Importante foi o aumento do capital social, em dezembro, de 50 para 55 milhões de contos, reservado a acionistas. O Relatório e Contas referentes a 1993 revelam que o resultado líquido do BTA foi de 22 315 317 000$00. No que aos resultados consolidados diz respeito, o resultado líquido do Grupo Totta foi de 23 292 317 000$00.

(continua)

domingo, 2 de abril de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (61)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
No ano de 1992 reaparece a situação de crise do ano anterior, ou mesmo adensou-se a turbulência da recessão na ordem mundial, com efeitos em Portugal. No Relatório e Contas de 1992, o Banco Totta & Açores lembra que a recessão vigente “não se insere no quadro clássico dos ciclos económicos, sendo bem melhor entendida como o resultado inevitável de um deslizar, ao longo de já alguns anos, para uma situação de estagnação estrutural. A explosão da `bolha` Japonesa ainda não esgotou os seus efeitos, o mal estar na Europa, nomeadamente ao nível da CE, é evidente e nem mesmo a retoma nos Estados Unidos, de contornos ainda mal definidos, poderá servir para alimentar expectativas a curto prazo”.
O projeto Europeu passava já por momentos difíceis, estando abaladas a velocidade e a dinâmica do respetivo processo. Em 1992, Portugal saiu reforçado com a Presidência da CE, tendo sido o escudo integrado, em abril, no SME (Sistema Monetário Europeu), mas sofrendo com a turbulência que marcou o segundo semestre de 1992. Numa antecipação estratégica, em dezembro daquele ano completou-se a liberalização dos movimentos de capitais, iniciada em agosto, e em 31 de dezembro foi o último dia em que a quase totalidade dos produtos europeus comunitários ainda encontraram fronteiras. Foi também o ano em foi aprovada uma nova lei bancária (Decreto-Lei nº 298/92) que, de forma sistematizada, substituiu legislação dispersa, em alguns casos com mais de 30 anos. Uma das novidades daquela lei consistiu na introdução de um sistema de Fundo de Garantia de Depósitos, com recursos iniciais maioritariamente dos Bancos participantes e do Banco de Portugal, por contribuições periódicas e por contribuições especiais daqueles.

Apesar da crise, foi possível o BTA manter o desempenho que tinha caraterizado os anos anteriores, tendo sido possível a “distribuição de dividendos de 13,3 milhões de contos, ou seja, mais 31% do que em 1991”. Na privatização de 25 000 000 de ações pelo Estado, em 2 de dezembro de 1992, do Crédito Predial Português, ao preço unitário de 1 000$00, o “BTA surge como o maior Accionista, com mais de 40% (43,45) do capital do CPP, o que se reveste de grande importância estratégica a vários níveis. Também são razão de satisfação o sucesso do aumento de capital de 45 para 50 milhões de contos, efectuado em Agosto e o rating atribuído ao Banco pela Moody`s e IBCA”. E no início de 1992 o rating geral dos Bancos nacionais e estrangeiros com atividade no País revela que o BTA estava em terceiro lugar, apenas ultrapassado pelo BPA e CGD.
Houve uma forte intensificação de negócios e de colaboração “com o nosso principal accionista -o Banco Español de Crédito (BANESTO) – assim como foi possível aprofundar as relações comerciais com as empresas do Grupo Totta, o que não deixará de reflectir-se, positivamente, nos resultados do Grupo”.
Com a criação da TOTTALeasing e da TOTTAFimo, Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, “completou-se praticamente, em 1992, a cobertura de todo o espectro de actividades financeiras complementares, por empresas do conglomerado financeiro centrado no BTA”.Abriu 27 novos estabelecimentos em todo o País, totalizando 229 balcões, em paralelo com a instalação de numerosos ATM. No estrangeiro, abriu sucursais no Luxemburgo e na Guiné-Bissau.
Em julho de 1992, concretizou-se um aumento substancial de capital, “que fez ascender os fundos próprios do Banco a mais de 100 milhões de contos”. O Balanço revela que, no final de 1992, o BTA obteve o resultado líquido de 22 650 516 000$00.
(continua)

segunda-feira, 27 de março de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (60)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
Em 1991, o Banco Totta & Açores desenvolveu a sua ação no contexto em que o regime de reservas de caixa ter passado a ser um dos pilares do novo método de controlo monetário, tendo em vista reduzir progressivamente o montante não remunerado. Para minorar este problema, a partir de fevereiro foram impostas novas restrições aos fluxos externos, passando a depender de autorização prévia do Banco de Portugal todas as operações de capitais realizadas por instituições financeiras residentes, relativas à venda de títulos a estrangeiros com acordo de compra.
Em meados daquele ano foram apresentadas as conclusões do Livro Branco para o Sistema Financeiro, em que na sua primeira conclusão proponha que as instituições de crédito seriam divididas em três grupos: a) Instituto de Crédito do Estado (Caixa Geral de Depósitos); b) bancos; c) instituições de crédito especializadas (categoria que engloba desde as caixas económicas até às sociedades de locação financeira e de leasing). Também foram transpostas para o direito interno português duas diretivas comunitárias que estabelecem normas relativas ao crédito ao consumo.

De acordo com o Relatório e Contas daquele ano, “a estratégia estabelecida no Plano a Médio Prazo, a orientação global da política do Banco continuou a privilegiar o crescimento rápido, mas controlado, do volume de negócios: expansão com permanente atenção à segurança e rendibilidade das operações realizadas”. Traduziu-se no posicionamento do BTA no grupo dos quatro maiores bancos portugueses e avançando na “construção do conglomerado financeiro de que o Banco é elemento fulcral” através da tomada de capital em empresas já constituídas, ou mediante a participação na criação de novas sociedades, atingindo uma carteira de 11 774 milhares de contos. O relatório salienta que “Como holding do BTA para a área financeira, a TOTTAGespar concentra as participações em empresas do sector financeiro, que complementam, com sinergias, a actividade do Banco. Esta sociedade foi criada em Agosto de 1990, com um capital social de 2 milhões de contos, detido em 99,98% pelo BTA, o qual veio a ser elevado para 3 milhões de contos ao fim de um ano de actividade”.
A TOTTAGespar tinha em 1991 participações financeiras na TOTTAFinance, constituída em novembro de 1990, com 46% do capital; na TOTTAFactor, com 50% do capital; TOTTARent, com 68% do capital; na DECA, adquirida no início de 1991, com capital de quase 100%, controla a GESTIFUNDO, a GERIGESTE e a SIFTA; a TOTTAImo, com 51%. O Relatório salienta: “Com a constituição destas sociedades o BTA passa a operar em duas áreas complementares da actividade bancária, cuja prática directa é actualmente ainda interdita aos bancos (…) para além das sociedades referidas, o Banco detém participação directa num número considerável de empresas”: TOTTADealer, TOTTAUrbe e EMPTEL.
No âmbito da rede de distribuição no País, compreendendo balcões e rede automatizada, abriu 30 estabelecimentos (dois dos quais são postos de câmbio), passando a ter 202 balcões da rede doméstica. Também alargou a sua implantação no estrangeiro, especialmente nos Países Africanos de Expressão Portuguesa (PALOP) e em zonas de concentração de emigrantes portuguese.
Procedeu à emissão de 15 milhões de ações, sendo 2 450 000 ações destinadas a detentores de Títulos de Participação; 10 000 000 por incorporação de reservas; 2 550 000 com reserva de preferência a acionistas. O Balanço consolidado revela que, no final de 1991, o BTA obteve o resultado líquido de 18 534 543 000$00.
 (continua)

domingo, 19 de março de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (59)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
Quando, em meados de dezembro de 1990, o Governo da República autorizou o Banco Totta & Açores a aumentar o capital social de 25 para 30 milhões de contos, foram reservados para os trabalhadores do Banco, para os pequenos subscritores e para os emigrantes 20% desses direitos preferenciais, com um limite de 20 ações por subscritor. Para os acionistas foram reservados 40% dos mesmos direitos, devendo o número máximo por subscrição ser diretamente proporcional ao número de ações de que cada um já era titular. Os restantes 40% ficaram reservados para os depositantes do Banco, para os detentores de títulos de participação e para o público em geral. A alienação destes direitos preferência de subscrição por parte do Estado foi feita ao preço fixo de 100$00 pelo conjunto dos direitos necessários à subscrição de cada nova ação.
A decisão do Governo foi elogiada na Assembleia Geral, realizada em 27 de março de 1991, que aprovou o Relatório e Contas referentes ao ano de 1990. Na mensagem da Comissão Executiva, o seu Presidente, Alípio Pereira Dias, salienta: “desejo aqui exprimir uma palavra de agradecimento pela atenção que sempre tiveram a amabilidade de conceder à problemática da Instituição, em particular em 1990:
- A suas Excelências o Ministro das Finanças, o Secretário de Estado do Tesouro e o Secretário de Estado das Finanças;
- Ao Exmo. Conselho de Administração do Banco de Portugal, em particular ao Senhor Governador Dr. José Alberto Tavares Moreira e ao Senhor Vice-Governador Dr. António Carlos Palmeiro Ribeiro;
- À Secção Especializada do Conselho Nacional da Bolsa de Valores;
- À Comissão de Acompanhamento das Reprivatizações”.
Apesar da conjura em que as deficiências do mercado de capitais reclamavam uma profunda revisão da sua organização e funcionamento por falta de uma lei quadro para a reforma dos Mercados de Capitais, ocorreram na vida do BTA em 1990 factos da maior relevância, com 172 estabelecimentos por todo o País e 4 146 trabalhadores, tendo apresentado um resultado líquido de 9 680 259 000$00.

O ano de 1991 marcou nova etapa do BTA com relevância para o aumento do capital social, no mês de agosto, de 30 para 45 milhões de contos, numa operação em que, para além da distribuição de ações por incorporação de reservas, se deu aos detentores de Títulos de Participação a possibilidade de os converterem numa relação favorável.
Tomou participações importantes nas várias empresas do Grupo que arracaram em 1991, cujos produtos eram comercializados, principalmente, através da rede de balcões do Banco. Foram exemplo o TOTTA Factor, TOTTADealer, TOTTAServiços e TOTTAlamo, ao mesmo tempo que se integram no Grupo a GESTIFUNDO, GERIGESTE e TOTTARent.
No final do ano, entre os acionistas portugueses de Valores Ibéricos e o BANESTO-Banco Espanhol de Crédito foi negociada uma atualização dos acordos existentes desde 1989, no sentido de consolidar a estrutura acionista do Banco, de que passaram a controlar 49% do capital social.
Ao longo do ano foram abertos 30 balcões em Portugal, e Escritórios de Representação em Joanesburgo, Amesterdão e Toronto e de uma Sucursal em Connecticut, nos Estados Unidos da América, de forma a melhor servir os clientes e a economia portuguesa. Na República de Moçambique, o Banco Standard Totta prosseguiu a expansão das suas atividades, sendo já 10 o número de balcões.

(continua)

domingo, 12 de março de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (58)

DO «BANCO DA MADEIRA» (1920) AO «BANCO SANTANDER TOTTA»
O Balanço do Banco Totta & Açores, referente ao ano de 1986, apresenta as contas consolidadas da atividade em Portugal, Reino Unido, Estados Unidos da América e Macau, com um resultado líquido de 154 507 418$16. Aprovado por despacho de 27 de abril de 1987 do Secretário de Estado do Tesouro, o Balanço salienta que o “exercício de 1986 ficou assinalado por um reforço significativo da solidez patrimonial do Banco Totta & Açores com um aumento dos Capitais Próprios e Equiparados de 6,5 milhões de contos (…) evidencia-se o facto de o Banco Totta & Açores ser a única Instituição de Crédito do Sector Público cujos empregados se encontram integrados no Regime Geral de Segurança Social, tendo o respectivo encargo líquido, suportado pelo Banco, atingido em 1986 o montante de 1 152 milhares e contos”.
O facto dos trabalhadores do BTA estarem inscritos no regime geral da Segurança Social tem a ver com a aquisição, em janeiro de 1970, pelo Grupo CUF, das ações do Banco Lisboa & Açores para realizar a fusão com o Banco Totta-Aliança.
Nacionalizado em 14 de março de 1975, o BTA foi escolhido pelo Governo de Cavaco Silva o primeiro Banco a ser privatizado. Alípio Dias era Presidente do Conselho de Administração desde 1988, tendo substituído Raul de Almeida Capela. Havia duas auditorias completas em cada ano, uma em cada semestre, sendo os relatórios enviados para o Banco de Portugal e para o Ministro das Finanças. Apesar de existirem problemas que mereciam recuperação cuidada, os mesmos acabaram por ser ultrapassados com a prestimosa colaboração dos trabalhadores.
Na opinião de Manuel Carlos Freire (in internet-BTA), “A segunda etapa da privatização do BTA envolveu-o numa enorme polémica entre as autoridades portuguesas e espanholas, com várias demissões pelo meio (nomeadamente do governador do Banco de Portugal e do presidente da CMVM). O chamado “caso Totta”, onde o espanhol Banesto adquirira uma posição superior à permitida por lei, exigiu uma solução política que envolveu a compra do BTA por António Champalimaud e atrasou a chegada do também espanhol Santander. Nesse verão de 1994, à saída de uma audiência com o então ministro das Finanças Eduardo Catroga, o dono do Santander, Emílio Botín, virou-se para Alípio Dias: “Vai haver eleições para o ano? Os governos passam e o Santander voltará”.
No dia 14 de dezembro de 1990, o BTA abriu a Sucursal Financeira Exterior no âmbito do Centro Internacional Offshore da Madeira. Na cerimónia de inauguração o Presidente do Conselho de Administração, Alípio Dias, manifestou-se satisfeito pela entrada em funcionamento desta nova actividade do Banco, considerando-o “o maior banco da Madeira, face às estatísticas, e o primeiro banco privado português”. Também referiu a decisão, naquela semana, tomada pelo Governo da República de autorizar o BTA “proceder ao aumento do capital social de 25 para 30 milhões de contos, com reserva de preferência para os actuais accionistas (…) depois de duas operações de privatização de acções detidas pelo Estado no capital social do Banco Totta & Açores – uma de 49 por cento e outra de 31 por cento – esta instituição financeira está actualmente maioritariamente participada por entidades privadas. Detendo o Estado ainda 20 por cento do capital do Banco decidiu ir alienar o seu direito de preferência segundo o regime idêntico ao que foi seguido para a venda das próprias acções nas fases anteriores”.
A primeira privatização tinha sido de 49 por cento foi em meados de 1989 e, em julho de 1990, foram privatizados 31 por cento.

(continua)