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sábado, 5 de agosto de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (79)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

No dia 03/11/2003, em encontro que o Millennium BCP realizou na Madeira, foram apresentados dados do Banco de Portugal que mostram a evolução regional entre 1990 e 2002: A taxa de crescimento médio anual entre 1990 e 2002, na Madeira, nos depósitos e créditos realizados junto do sector bancário, é a mais elevada a nível nacional. Segundo Miguel Namorado Rosa, director de Estratégia “os depósitos tiveram na Madeira um crescimento naqueles anos na ordem dos 16,4% ( a média nacional foi de 9,1%) e os créditos subiram 21,3% enquanto a média nacional foi de 17,4%”.
O Millennium teve uma média de 2042 habitantes por sucursal, enquanto que a média nacional foi de 2015. No que respeita às empresas de construção e de alojamento e restauração, era mais forte na Madeira o seu peso percentual, face ao total das empresas existentes.
“Comparativamente ao todo nacional o «Millenium BCP» tem na Madeira, em termos percentuais, mais clientes mulheres do que no Continente. Enquanto na Região as mulheres representam 44,9% dos clientes, a percentagem nacional é de 39,8% (...) a carteira de clientes do «Millennium BCP» residentes na Madeira é distribuída por particulares (91%), empresas (5%) e ENIs (45%), sendo que os particulares têm uma expressão mais acentuada que na carteira tipo nacional. Os particulares são responsáveis pela maioria dos recursos (75%) e por 26% do crédito concedido, mas em contrapartida as empresas e ENIs representam 25% dos recursos e 74% do crédito concedido (…) a representação do banco na Madeira passa por servir 61 mil clientes, que detêm 581 milhões de euros de recursos e são responsáveis por 572 milhões de euros de crédito. Por concelhos, o «Millennium BCP» elege o Banif, algumas vezes a par com outras instituições, como o seu principal concorrente em 9 dos 11 concelhos”.

Em 2004, com a concentração na atividade principal do Millennium BCP da venda de operações não core, os resultados foram de 513 milhões de euros (+ 17,2% que em 2003); as comissões cresceram 9,5% para 646,5 milhões de euros; crédito à habitação 18%; a margem financeira caíu 3,4% para 1.416 milhões de euros; os resultados trading subiram para 219,1 milhões de euros (+69,3%); os custos de transformação desceram 2,8% para 1.668 milhões de euros; O racio de solvabilidade cresceu para 11,9%; o Tier 1 fixou-se nos 8,1%, e dentro deste o Core foi de 5,8%. O Millennium comprou 50% do Novabank por 330 milhões de euros que equivalia quatro vezes o valor dos capitais próprios do Banco grego.
O ano de 2005 marcou a mudança radical dos membros dos órgãos sociais do Banco. Jardim Gonçalves indicou o seu substituto, Paulo Teixeira Pinto, que foi eleito Presidente do Conselho de Administração, na Assembleia Geral realizada no dia 14 de março. Filipe Pinhal e Christopher de Beck foram Vice-Presidentes, juntando-se: Boguslaw Kott, António Castro  Henriques, Alípio Dias, Alexandre Gomes, Francisco Lacerda e António Rodrigues.
Ainda Presidente do Conselho de Administração, Jardim Gonçalves remeteu uma carta aos clientes do Millennium BCP, em que refere:
“Iniciamos o ano de 2005 fonfiantes de que lhe daremos novas e reforçadas razões para estabelecer connosco relações preferentes, tirando partido das capacidades que o processo de refundação do Banco permitiu melhorar. Os mais recentes estudos de opinião sobre a Banca Portuguesa confirmam que os Clientes reconhecem na marca Millennium bcp os atributos de inovação, eficiência, clareza e confiança que definem uma liderança de mercado”.
(continua)

Da confiança à crise dos Bancos (78)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

A opinião de Jardim Gonçalves, Presidente do Conselho de Admistração do BCP (in Semanário Económico, 03/01/2003 era a de que o ano de 2002 “será rocordado como um ano em que  o enquadramento económico e financeiro foi caracterizado pela desaceleração das principais economias industrializadas, pelos conflitos militares e tensões políticas no Médio Oriente, pela instabilidade dos mercados financeiros e a acentuada depreciação dos mercados accionistas, influenciada em parte pela perda de confinça dos investidores após a divulgação de diversas práticas de fraude contabilística”. Mais refere que, “a evolução dos mercados financeiros em 2003 será influenciada, por um lado, pela concretização de indícios de retoma eonómica e pelo impacto das medidas de racionalização dos resultados empresariais; a prolongada correcção das cotações face aos níveis registados em 1999/2000 pode constituir um argumento adicional para decisões de investimento, sobretudo para horizontes de longo e médio prazo, não sendo também de menosprezar o impacto positivo da clarificação e cumprimento rigoso das regras de contabilidade, dever de informação e `corporate gorvernance`”.

Filipe Pinhal, Vice-Presidente do BCP, foi de opinião que 2002 “foi um ano mau para o sistema bancário em geral, basicamente por efeitos externos à economia portuguesa. Quem tinha uma exposição na América Latina sofreu com isso (não é, felizmente, o caso do BCP); quem tem uma exposição à indústria dos seguros sofreu com isso, como é o caso do BCP (…) no que se refere especificamente à actividade bancária, o ano de 2002, pelo menos naquilo que respeita ao mercado doméstico, pode considerar-se um ano normal” (Jornal da Madeira, 03/01/2003).

No primeiro trimestre de 2003, o BCP aumentou o capital social para 3,257 milhões de euros, com uma emissão de 930 685 950 ações com valor nominal de 1 euro por ação, totalmente subscritas pelos acionistas; comprou a totalidade do capital da Seguros e Pensões (holding seguradora do BCP) à Eureko. O SiteBank, na Turquia, é redenominado Bank Europa e inicia a sua atividade com a abertura de 12 sucursais.
Em conferência de imprensa, realizada no dia 23 de outubro de 2003, o BCP anunciou que as várias marcas do BCP (Nova Rede, Atlântico e Sotto Mayor) iriam fundir-se na marca Millenium bcp. “A partir de Janeiro de 2004 prevê-se que as 1.080 sucursais do banco estejam adaptadas e todo o processo de conversão esteja concluído”. O boletim de publicidade, de novembro de 2003, apresenta o Editorial com o título «A Vida inspira-nos», Caro Cliente, O seu Banco mudou de nome. Hoje, o seu Banco cahama-se Millenium bcp. Queremos que tenha a certeza de que esta mudança não lhe irá exigir nada, seja no plano financeiro seja no plano pessoal. Mudámos de nome porque queremos dar uma nova expressão pública à nossa História e ao nosso Futuro. (…) O nosso compromisso é o de tentarmos ser seu cúmplice no tempo e no espaço em que as suas necessidades financeiras se exprimam, apresentando as nossas capacidades e a nossa disponibilidade em cada circunstância, com vista a soluções realistas. A nossa oferta comercial ser-lhe-á disponibilizada nas melhores condições possíveis, tirando partido da tecnologia, do saber profissional e da dimensão que atingimos no plano nacional e internacional. O nosso novo nome - Millenium bcp – exprime um desafio que saberemos ganhar: o de criarmos mil razões para continuarmos a merecer a sua preferência. Obrigado por nos acompanhar na maravilhosa aventura que é a Vida. Ela inspira-nos”.


(continua)
Da confiança à crise dos Bancos (77)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

O Relatório e Contas de 2002 refere que, em Assembleia Geral Extraordinária de acionistas do BIG Bank Gdanski, deu-se a alteração da denominação social de Big Bank Gdanski para Bank Millennium S.A.; realizou-se a emissão de valores mobiliários de conversão obrigatória em acões ordinárias do BCP, denominada Capital BCP 2005, no montante de 700 milhões de euros, constituindo a primeira oferta deste tipo em Portugal; os resultados líquidos consolidados do BCP atingiram 272,7 milhões de euros, refletindo o impacto da constituição de uma provisão extraordinária, não obrigatória, para riscos gerais no montante de 200 milhões de euros.

No final daquele ano, o BC tinha 1.088 sucursais em Portugal, e um elenco de 14.072 trabalhadores; evolução positiva do crédito concedido, com relevo para o aumento do crédito hipotecário; houve uma melhoria da qualidade da carteira de crédito, com a manutenção de baixos níveis de incumprimento do crédito a par com níveis bastante confortáveis de cobertura do crédito vencido por provisões para riscos de crédito; crescimento dos proveitos de comissões bancárias, designadamente com cartões de pagamento e com operações de crédito; o número de acionistas ascendia a 255.692.

Em resultado da fusão da Bolsa de Valores de Lisboa e Porto na Euronext NV em 2 de abril de 2002, o BCP passou a integrar o índice Euronext 100, integrava as 100 maiores empresas em termos de capitalização e liquidez na Euronext, tendo ocupado a 53ª posição no respetivo “ranking”.

Uma das missões do BCP foi contribuir para o desenvolvimento do sistema financeiro e da economia portuguesa, consolidando o seu posicionamento como instituição de referência pela qualidade, inovação e liderança tecnológica das suas propostas de valor, tanto a nível doméstico como nos mercados geográficos em que marca presença autónoma ou através de empresas subsidiárias financeiras.
Como objetivos estratégicos o BCP desenvolveu ações de maximizar o valor na perspetiva dos acionistas; preservar elevados níveis de satisfação, fidelização e de relacionamento com os clientes; promover melhoria sustentável dos níveis de rendibilidade e de solidez patrimonial; valorização, motivação e compensação dos colaboradores; desenvolver o protagonismo na qualidade, na inovação e no desenvolvimento tecnológico; revitalizar as capacidades competitivas da distribuição a retalho de produtos e serviços financeiros no mercado doméstico; dar enfoque na atividade internacional em negócios especializados e em mercados prioritários.
Em 31 de dezembro de 2002, o Grupo BCP tinha 9 empresas associadas com atividade em Portugal e outras 9 com atividade internacional. As primeiras são: BCP Investimento, Banco de Investimento Mobiliário, Banco Expresso Atlântico, Banco ActivoBank (Portugal), CrédiBanco, Seguros e Pensões, Leasefactor e AF Investimento. As segundas são: Banco Comercial de Macau, Banco Internacional de Moçambique, Bank Millenium, NovaBank, BPABank, SottoBank, Banque BCP (França), Banque BCP (Luxemburgo) e Managerland.

Sem comissão executiva, o Conselho de Administração era composto por 9 membros, sendo Jardim Gonçalves o Presidente; dois vice-presidentes, Filipe Pinhal e Christopher de Beck; os restantes 6 eram vogais. Não havia administradores que tivessem sido eleitos em representação de qualquer acionista ou grupo de acionistas, eram administradores “independentes”.

(continua)

domingo, 16 de julho de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (76)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

No Relatório e Contas de 2002, o presidente do BCP, Jorge Jardim Gonçalves, refere: “Reconhecemos que o exercício de 2002 foi muito exigente, envolvendo a tomada de decisões difíceis mas muito ponderadas. Mas foi muito importante – e continuará a ser crucial – não cedermos à onda de generalizado pessimismo e conformismo. Ao contrário, num espírito de confiança e realismo consolidamos as bases para projectar o futuro da instituição, cientes das capacidades que dominamos e de tudo quanto podermos aperfeiçoar e desenvolver. Neste entendimento, faremos o necessário para abordar o período pós-crise, com o Banco adequadamente capitalizado, dispondo de fórmulas de negócio inovadoras, suportadas em tecnologias e plataformas informáticas avançadas, e com um posicionamento ímpar no mercado doméstico”.
Salienta que “Há um ano atrás, ao eleger este mesmo espaço para convosco partilhar as aspirações estratégicas a médio prazo do Banco Comercial Português, sublinhando a conclusão de um processo de exigentes realizações no plano doméstico e a determinação dedicada à abordagem de novos mercados geográficos, ao mesmo tempo que antecipava o início de um novo ciclo de desenvolvimento  do Grupo BCP, dificilmente poderia prever a magnitude e o ritmo das mudanças que se avizinhavam, configurando um novo ciclo para a economia mundial com acrescidas dificuldades para países com estruturas produtivas mais vulneráveis, como é o nosso”.
Ao longo do ano de 2002, aconteceram alguns importantes acontecimentos de ímpar importância para BCP: foi formalizada a compra do Sitebank (Turquia) pelo NovaBank, subsidiária grega do BCP; reestruturação dos órgãos sociais do ActivoBank em Espanha e Portugal, com o objetivo de atingir um maior enfoque comercial e uma redução dos custos operativos; atribuição dos prémios “Melhor Banco em Corporate Finance em Portugal” e “Best Foreign Exchange BanK” ao BCP pela revista Global Finance; classificação do BCP em sexto lugarno “ranking” mundialde competitividade empresarial na edição de 2002 do “Competitive Fitness of Global Firms, um relatório elaborado desde 1998 pelo INSEAD; atribuição das notações “A+ e FI” às responsabilidades de Longo Prazo e de Curto Prazo assumidas pelo BCP, pela agência internacional Fitch Ratings; atribuição do Troféu Jet Net na categoria de “Melhor site financeiro” ao ActivoBank7; apresentação pública do livro”Banco Comercial Português – A Primeira Década de 1985-1995”; atribuição do prémio “Melhor site de serviços financeiros” à “cidadebcp”, portal Internet do Grupo BCP para clientes particulares, pelos leitores da revista informática de consumo “PC Guia”; classificação do BCP como o maior Banco em Portugal em termos de ”Tier One Cpital”, pela  revista The Banker; atribuição do prémio “Melhor Banco em Portugal” ao BCP pela revista Global Finance; lançamento de uma nova funcionalidade denominada”My Activo” pelo ActivoBank7, que permite aos utilizadores a criação personalizada da sua página de entrada no “site”; introdução de um novo tema de comunicação assente no valor “Confiança” que irá vigorar até março de 2003 em todas as Lojas Atlântico; anúncio do acordo com o Banco Sabadell, tendo em vista prosseguir o desenvolvimento das operações do ActivoBank7 em Portugal e do ActivoBank Espanha de forma mais coordenada com as respetivas operações bancárias domésticas, passando cada um dos bancos a controlar a 100% as operações locais dessas suas subsidiárias.


(continua)

domingo, 9 de julho de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (75)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Desde o final de 1989, o BCP lançou uma nova rede de distribuição de vários produtos financeiros, por forma a concretizar a sua vocação nacional, sempre dentro dos princípios de dar satisfação às necessidades identificadas dos Clientes, tendo informado o seguinte:
“Para si, colaborador(a) da ASSEMBLEIA REGIONAL DA MADEIRA criámos a Nova Conta Ordenado, um serviço novo e diferente da NOVAREDE, de cujas características destacamos:
- Antecipação do Ordenado a partir do dia 15 de cada mês; Remuneração até 4,66% sobre a totalidade do saldo; Cartão de crédito VISA NovaRede, GRATIS na fase de lançamento, que entre outros, lhe garante um serviço de assistência e manutenção a veículos com mão-de-obra TOTALMENTE GRATUITA; A Linha Directa, serviço de atendimento telefónico, que receberá as suas instruções entre as 8 da manhã e as 10 da noite; Pagamentos Periódicos (Águs, Luz, telefone Etc.) GRATIS (o Banco encarrega-se da transferência junto da companhia respetiva); Acesso a Linha se Crédito Pessoal; Cartão MULTIBANCO e Livro de Cheques Cruzados totalmente GRATUITOS no acto de abertura da conta”.
Numa informação posterior, o BCP informou: “Sabemos que é nosso potencial Cliente. Neste sentido, preocupámo-nos em instalar uma das Sucursais da NovaRede bem perto da sua casa ou do seu local de trabalho. A partir de agora, no Edifício Oudinot, junto ao Mercado dos Lavradores e na Rua do Sabão, nº 54, junto à Praça Colombo – Funchal, terá ao dispor um novo conjunto de produtos e serviços financeiros e uma rapidez de atendimento sem paralelo no sistema bancário português”.

Em finais de 1996, as sucursais da NovaRede eram 323, com percentagem de 5% de mulheres ao seu serviço. Mas com o objetivo de atenuar uma imagem discriminativa das mulheres trabalhadoras da instituição, foi decido integrar no quadro de funcionários “pelo menos uma mulher em cada balcão da NovaRede”.
O Relatório e Contas do BCP de 1999 refere: “A generalidade do acesso à internet e a adesão significativa da base de clientes do Banco7 à solução do “HomeBanco 7”, a par da constante inovação tecnológica nesta área, justificaram o desenvolvimento de uma nova aplicação, mais simples, mais fácil no recenseamento e mais abrangente quanto às funcionalidades disponibilizadas, cujo relançamento em março de 1999 permitiu a consolidação do posicionamento do Banco 7 como banco directo”.
Na Bolsa, em 19 de junho de 2000, concretizaram-se as Ofertas Públicas de Aquisição lançadas pelo BCP sobre o BPSM, Banco Mello e Seguros Império, ficando o BCP a controlar 97,8%, 95,7% e 97,5% do capital social, seguiu-se a escritura pública de fusão do BPA e do Banco Mello no BCP. Face a estas ações, foi promovido o aumento do capital social do BCP, passando de 1 000 000 000 de euros para 2 042 971 990 euros.
Com a referida fusão do BPSM e do Banco Mello no BCP, foram canceladas as licenças então requeridas à Sucursal Financeira Offshore da Madeira:
“BANCO PINTO & SOTTO MAYOR, S.A. E BANCO MELLO, S.A.
 Torna-se público que por despacho do Secretário Regional do Plano e Finanças de 2002.07.05, foram canceladas as licenças concedidas às sucursais acima mencionadas, consideranso o parecer favorável da SDM e o facto das sucursais financeiras não apresentarem qualquer actividade desde 01 de Janeiro de 2002, existe fundamento para o cancelamento das licneças com efeitos reportados a 01 de Janeiro de 2002 e da dispensa do pagamento das taxas anuais de funcionamento de 2002 (…) 19/7/2002”

(continua)

domingo, 2 de julho de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (74)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

Em 1993, o BPA criou o BPA Brasil, após ter comprado, em fevereiro de 1992, o Banco Real do Canadá, no Brasil; instalou uma filial em Maputo, Moçambique, e assumiu de forma indireta o controlo da União de Bancos Portugueses (UBP) que tinha resultado da fusão dos Banco de Agricultura, Banco de Angola e Banco Pinto de Magalhães, pelo Decreto 3-A/78, de 9 de janeiro.
Entretanto, a estratégia definida resultou na venda de algum capital social dos seguros Bonança aos ingleses da Fox Pit e a abertura do capital social da UBP a novos acionistas por aumento de capital. O estudo sobre a reorganização e reestruturação do Grupo, liderado por João Oliveira, foi elaborado pela Goldman Sachs, com conclusão no final do ano de 1993. Com a terceira fase da privatização do BPA, após definida por decreto-lei, nenhum investidor estrangeiro poderá individualmente vir a deter mais de 3% do capital do Banco, cujo capital ainda está detido pelo Estado em 25% a alienar na quarta e última fase da privatização a ter lugar na Bolsa de Nova Iorque. Se no final da primeira fase da privatização o número de acionistas era de 28 mil, no fim da quarta fase o número de acionistas ultrapassou 40 mil, entre eles os irmãos Oliveira da Riopele, a Mota & Companhia, a Colep, os irmãos da Valouro, a Maconde, a RAR e a Sonae.
Em 1994, o BPA abriu uma agência de representação em Caracas e fundou uma sucursal nas Ilhas Caimão. Entretanto, com o aproximar da compra do BPA pelo BCP fez os acionistas recorrerem, em julho de 1994, para a Bolsa de Valores. No domínio das cotações, as ações do BCP caíram 1,1%, refletindo a reação dos investidores com pressão de venda ao anúncio da Oferta Pública de Aquisição (OPA), lançada pelo BCP sobre 40% do capital do BPA.
O problema da OPA foi o facto de a decisão ter sido tomada pelo Conselho de Administração e não em Assembleia Geral, o que criou em muitos acionistas grande descontentamento, tendo aventado a hipótese de convocarem uma Assembleia Geral com vista à anulação da decisão tomada. O fundamento para a recusa estava no facto de implicar o BCP mobilizar 132 milhões de contos para garantir o êxitoda OPA, valor superior ao seu próprio capital social, inferior a 110 milhões de contos. Receavam que a operação afetasse negativamente a solvabilidade do BCP, o que o obrigaria aumentar os seus capitais próprios se a OPA se concretizasse.
A contestação não teve efeitos, tendo sido concretizada, em 1995, a participação maioritária, por aquisição do capital do BPA pelo BCP, tendo já, a partir de 15 de julho de 1994, lançado no mercado «Fundos BCPAtlântico» nas áreas da Tesouraria, Obrigações, Obrigações Taxa Fixa, Ações, PPA Eficiência Fiscal e Fundos de Fundos. Naquele ano, o BPA abriu uma agência de representação em Caracas e fundou uma sucursal nas Ilhas Caimão. Em 1997, o Banco Wachovia adquiriu uma participação maioritária do Banco Português do Atlântico-Brasil com sede em São Paulo. Em 1998, o Banco Central Hispano (BCH) adquiriu os negócios do BPA em Espanha, uma vez que o BCH era um parceiro do BCP.
Em 1999, o BPA assinalou «80 Anos de geração em geração», tendo por base a primeira estrutura bancária que lhe deu origem: a Casa Bancária Cupertino de Miranda & Irmão, criada em 14/05/1919. Em 2000, o BCP foi autorizado pela Corporação Federal Asseguradora de Depósitos (FDIC) a fundar o Banco BPA em Newark, na Nova Jérsia. Em 30 de junho de 2000, o BPA foi absorvido pelo BCP, ficando para a história a marca BPA.
(continua)

domingo, 25 de junho de 2017

Da confiança à crise dos Bancos (73)

Do Banco Português do Atlântico (31/12/1942) ao Millennium BCP:

No início da privatização, em 1990, o BPA tinha um efetivo de 5648 trabalhadores e, juntamente com o BESCL, era um dos maiores bancos dominados pelo Estado. Com um capital social de 35 000 000 000$00, obteve proveitos consolidados na ordem dos 238,2 milhões de contos, numa altura em que a taxa de juro média cobrada pelas operações ativas, que rondavam os 22/23 por cento, de acordo com a taxa indiciária fornecida pela Associação Portuguesa de Bancos. No entanto, o BCP registava a elevada taxa média de 32,4%. Nas operações passivas, a taxa média de juro média paga rondava os 10/12%. De acordo com Daniel Amaral (in «O Jornal» 03/05/1991): ”Mais interessante, no entanto, é a análise da taxa de juro geradora de resultados. Repare-se: o BPA praticou, em média, uma taxa de 23 por cento, o que parece uma enormidade, mas se baixasse esta taxa 1,5 pontos, já não ganhava dinheiro nenhum (dando de barato, obviamente, que continuaria a fazer o mesmo tipo de provisões…)”. “Apenas o BCP e, sobretudo, o BPI aguentariam sem problemas reduções significativas na sua margem de intermediação”.
Com data de 30 de abril de 1991, o BPA emitiu uma informação geral sobre preços de serviços bancários que prestava. O texto refere: “A prestação de um serviço de qualidade e a oferta de soluções adequadas às necessidades e desejo dos nossos Clientes, comporta significativos custos administrativos. À semelhança da generalidade da Banca Nacional, o BPA cobra despesas de manutenção nas contas de Depósito à Ordem com saldos muito diminutos e fixa mínimos para o lançamento de juros. Não obstante os pequenos valores debitados, estamos atentos aos interesses dos nossos Clientes. Por isso, as importâncias cobradas só são actualizadas em caso de manifesta necessidade, procedendo o BPA à divulgação prévia das novas condições. Agradecemos assim a sua atenção para o verso desta carta. Se necessitar de informações complementares não hexite em contactar o seu Balcão. Com os melhores cumprimentos.
CONDIÇÕES PARA MANUTENÇÃO DAS CONTAS DE DEPÓSITO À ORDEM – PARTICULARES *Às contas com saldos médios trimestrais inferiores a 20 contos será aplicada uma taxa de manutenção de 500$00 por trimestre. – As despesas serão debitadas no final do mês seguinte (exemplo: Agosto) ao respectivo trimestre de cálculo dos saldos médios (exemplo: Maio, Junho e Julho). * Às contas referenciadas no BPA para pagamento de ordenados por crédito em conta, será debitada, no final do mês de Dezembro, a quantia de 250$00/ano, se tiverem saldos médios inferiores a 15 contos. * Estão isentos: - contas que tenham associados depósitos a prazo ou de poupança (exemplo: Reformados, Habitação e Emigrantes). - `1.as Contas ` Jovens.
CONDIÇÕES DE CRÉDITO E DÉBITO DE JUROS EM CONTAS DE DEPÓSITO À ORDEM. Juros Credores: Não são creditados juros nas contas cujos saldos médios sejam iguais ou inferiores a 100 contos. Exceptua-se daquela regra as `1.as Contas` Jovens. O crédito de juros é, em regra, processado, anualmente, com referência a 30 de Novembro. Os montantes mínimos para o lançamento de juros são: - juros anuais 1 000$00; - juros mensais 250$00; - juros trimestrais 500$00; - juros semestrais 750$00. Juros Devedores: Em regra, o débito de juros passará a ser mensal. Os juros serão cobrados à taxa dos descobertos, publicitada nos Balcões, com o mínimo de 150$00mês”.

 (continua)